Direito Penal - 2008-Bimestre - 3-4 Bimestres
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Direito Penal - 2008-Bimestre - 3-4 Bimestres

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de pena quando pratica ação sob o efeito de álcool em razão de caso fortuito ou força maior, estando inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito de sua conduta. Outra situação em que o sujeito pratica um fato típico e ilícito, mas fica isento de pena são as descriminates putativas (art. 20, §1° �– CP).

Indique alguns requisitos do concurso de pessoas.

Pluralidade de condutas – sem estas nunca haverá uma principal e outra acessória, mínimo exigido para o concurso;

Relevância causal de todas elas – se a conduta não tem relevância causal, o agente não concorreu para nada, desaparecendo o concurso;

Liame subjetivo – é imprescindível a unidade de desígnios, pois o crime é produto de uma cooperação desejada e recíproca. É necessária, portanto, a homogeneidade de elemento subjetivo (não se admite participação dolosa em crime culposo e vice-versa);

Identidade de infração para todos – em regra, todos devem responder pelo mesmo crime, salvo as exceções pluralísticas.

Qual o conceito de autor?

Autor é quem executa o núcleo da conduta típica. Ex.: aquele que mata, que furta, que estupra: a doutrina, além desse conceito, entende ser o Autor o sujeito que, sem realizar a conduta descrita no Tipo Penal, tem o domínio do fato, ou seja, era capaz de impedir o resultado no momento de seu acontecimento, não o fazendo por concordar com a ação do outro sujeito.

Qual a teoria adotada pelo código penal em relação à autoria?

Teoria restritiva – em que o autor é só quem realiza a conduta principal contida no núcleo do tipo. Todo aquele que, sem realizar conduta típica, concorrer para a sua realização não será considerado autor, mas mero partícipe.

Essa teoria, adotada pelo CP, permite a punição do autor mediato ou intelectual?

Não, para isso é necessária a teoria do domínio do fato, para separar a figura do Autor e Partícipe.

De que maneira a doutrina resolve a questão da punição do autor mediato ou intelectual?

Através da teoria do domínio do fato, onde autoria intelectual o sujeito planeja a ação, sendo considerado Autor, já no autor mediato serve-se de outros para praticar o fato, nesse caso não há concurso de pessoas entre o Autor Mediato e o Executor do Crime (Autoria, Co-Autoria e Participação)

 É possível a co-autoria nos crimes culposos?

Sim, porém se funde apenas na colaboração da causa e não do resultado (involuntário).

 Quem pode ser considerado co-autor direto, co-autor-parcial ou funcional e partícipe?

Co-Autor Direto – todos os sujeitos realizam a conduta típica.

Co-Autor Parcial ou Funcional – divisão de tarefas executórias

Partícipe – é quem pratica uma ação através de um comportamento que não se adapta ao verbo do tipo e não tem poder de execução ou consumação do crime.

 Qual a natureza jurídica do concurso de pessoas?

São três teorias, sendo elas:

Teoria Unitária ou Monística – Todos os que contribuem para a prática do delito cometem o mesmo crime (é adotada pelo nosso CP).

Teoria Dualista – Há um só delito para os autores e outro para os partícipes.

Teoria Pluralística – Cada uma dos participantes responde por delito próprio.

 Qual a natureza jurídica da participação?

Teoria Causal – parte do princípio da equivalência do crime, não há como fazer distinção entre Autores e Partícipes. Não há distinção entre delinqüente principal e acessório.

Teoria da Acessoriedade – é uma conduta acessória à do autor, tida por principal, utilizada como critério para a punição do partícipe. Para se punir o partícipe, há necessidade de que o fato praticado pelo autor seja, no mínimo, típico e antijurídico (chamada de Acessoriedade Limitada).

 Ricardo, menor inimputável, com 14 anos de idade disse para Lúcio, maior de idade, que pretendia subtrair aparelhos de som do interior de um veículo. Para tanto, Lúcio emprestou-lhe uma chave falsa, plenamente apta a abrir a porta de qualquer automóvel. Utilizando a chave, Ricardo conseguiu seu intento. Na situação narrada, quem é partícipe de furto executado por menor de idade responde normalmente por este crime? Fundamente sua resposta de acordo com a teoria adotada pelo código penal quanto à natureza jurídica da participação.

Neste caso, o partícipe é quem cedeu a chave falsa para prática do delito, ou seja, o Ricardo, de acordo com a natureza jurídica da participação ela é uma conduta secundária, devendo o partícipe responder toda vez que o fato principal for típico e ilícito, ou seja, sempre que houver crime, sendo irrelevante se o autor é ou não inimputável (pune-se o partícipe pela Teoria da Acessoriedade Limitada).
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PONTO II - DA SANÇÃO PENAL E DAS PENAS

Origem

Tempos antigos ( civilizações antigas.
Penas mais aplicadas ( pena de morte, outras: mutilação, açoites, desterro etc..
Idéia de pena = castigo

Cristianismo ( grande influência na moderação dos antigos castigos.
Surge a pena de prisão como forma punitiva da igreja.
O apenado cumpria a pena em celas como forma de penitência. Daí o nome de “penitenciária”. Lugar onde se cumpria a pena.

No século XVIII, a obra de Beccaria “Dos Delitos e das Penas”, introduziu a mudança na finalidade da pena.
Além do caráter expiatório (castigo), passou a ter também um caráter utilitário (preparar o apenado para voltar à sociedade).

Hoje, acredita-se que a pena de prisão já não cumpre sua tarefa, que é reeducar e ressocializar o condenado. Ao invés de curar, corrompe.
Classificação das Penas

Corporais ( atingem a integridade física: açoites, mutilações e pena de morte.
Privativas de Liberdade ( o sentenciado fica privado de sua liberdade por certo tempo.
Restritivas de Liberdade ( limitam em parte o poder de locomoção do condenado, em que se recolhe à prisão. Ex.: Deportação, expulsão de estrangeiros (são na verdade, medidas de caráter administrativo).
Pena Pecuniária ( pagamento de determinada importância pelo autor da infração penal.
Pena Restritiva de Direitos ( substitui a pena de prisão, consistente em prestação de serviços à comunidade, limitação de fim de semana, interdição temporária de direitos.
Caracteres das Penas

Legalidade ( necessário previsão anterior em Lei - art. 1º - CP �.
Personalidade ( “nenhuma pena passará da pessoa do delinqüente”. A pena deve recair apenas sobre quem praticou o crime.
Proporcionalidade ( a cada crime, uma pena proporcional ao mal que causou (furto ≠ latrocínio).
Inderrogabilidade ( praticado o delito, a pena deve ser certa, ou seja, ao crime se segue à pena.
Humanidade ( a pena não deve violar a integridade física e moral do sentenciado. Por isso, é proibida a pena de caráter perpétuo; trabalho forçado e a de morte. Exceto no caso de guerra (art. 5º, XLVII – CF �).
Divisão das Penas

As penas no Código Penal classificam-se em: (art. 32 - CP)�
Privativas de liberdade.
Restritivas de direitos.
Multa

As penas privativas de liberdade são a reclusão e a detenção, para os crimes (art. 33 – CP e seguintes) �
As penas restritivas de direitos são: art. 43 – CP e seguintes �
Prestação Pecuniária;
Perda de bens e valores;
Prestação de serviços à comunidade;
Interdição temporária de direitos;
Limitação de fim de semana;
A pena de multa consiste no pagamento ao fundo previdenciário à quantia fixada na sentença e calculada em dias multa (art. 49 e seguintes – CP �).

A Lei da Execução Penal (LEP) - (Decreto Lei nº 3.688/41) - prevê as penas de prisão simples e multa.

A Pena de Morte é reservada a crimes militares em tempo de guerra (art. 5º, XLVII, “a” – CF 39).

Sistemas Penitenciários

Quanto a execução das penas privativas de liberdade, surgiram 3 (três) sistemas:
O da Filadélfia ou Belga – isolamento constante – sistema rigorosamente celular, sem trabalho ou visitas. Teve início em 1.790.
O de Auburn – permitia-se o trabalho ao preso, primeiro nas celas e depois em grupos, porém sempre em silêncio, por isso chamado de “silent system”. Teve origem nos Estados Unidos em 1.818.

Inglês ou Progressivo, ou ainda, Irlandês – Teve origem na Inglaterra, século XIX. O sistema Irlandês introduziu a fase do trabalho em colônia penal antes do Livramento Condicional.