Direito Penal - 2008-Bimestre - 3-4 Bimestres
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Direito Penal - 2008-Bimestre - 3-4 Bimestres

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Perda de Bens e Valores – §3º, Art. 45 – CP �
Qualquer espécie de bem.

Destino: Fundo Penitenciário Nacional.

Valor da Perda: corresponde ao montante do prejuízo causado ou do provento obtido pelo agente ou terceiro com a prática do crime.

Prestação de Serviços à Comunidade – §3º, Art. 45 – CP 103
Art. 46 – CP � e Arts. 49/50 – LEP �.

Forma gratuíta: §1º
Local prestação: §2º
Duração: Art. 46 – CP 104.
Fixação pelo Juiz? (Juiz da Execução).

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Interdição Temporária de Direitos – Art. 47 – CP � e Art. 154/155 – LEP �
Inciso I – Art. 47 – CP ( proibição do exercício de cargo, função ou atividade pública, bem como de mandato eletivo;

Inciso II – Art. 47 – CP ( proibição do exercício de profissão, atividade ou ofício que dependam de habilitação especial, de licença ou autorização do poder público;

Inciso III – Art. 47 – CP ( suspensão de autorização ou de habilitação para dirigir veículo;

Inciso IV – Art. 47 – CP ( proibição de freqüentar determinados lugares.

Limitação de Fim de Semana – Art. 48 �– CP e Art. 151/157 – LEP �
Art. 152, parágrafo único – LEP � – “Lei Maria da Penha”.

Praticamente não usada essa conversão, face a falta de casa de albergado.

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PONTO V - DA COMINAÇÃO E APLICAÇÃO DAS PENAS

Da Aplicação das Penas

1.1 - Direito Positivo é Direito Natural – “Jus Voluntarium” é “Jus Naturale”

Uma definição simplista obtida no pensamento medieval para distinguir entre os dois direitos:

“Direito Positivo” = é posto pelos homens.

“Direito Natural” = não é posto pelos homens, mas por algo (ou alguém) que está além desses, como a natureza ou o próprio Deus. Essa afirmação foi feita pelo filósofo Abelardo, em fins do século XI, portanto, na Idade medieval.

Nesta época, o Direito Natural se sobrepunha ao Direito Positivo. Com a formação do Estado Moderno, pelo fim do século XVIII, começo do século XIX, o Estado concentra em si todos os poderes e passa então a ditar as normas, ou seja, o Direito é posto e aprovado pelo Estado, passando a ser considerado como o único e verdadeiro Direito.

E quem passa a aplicar esse Direito Positivo?

Resposta: É o Juiz como representante do Estado.

Portanto, o Direito Positivo pode ser considerado como “O Direito posto pelo poder soberano do Estado, mediante normas gerais e abstratas, isto é, como Lei” �.

E a infração deste direito gera uma sanção. E como aplicá-la?

Resposta: Através da imposição da pena.

E como ele (Estado) aplica a pena?

Resposta: Através de regras legais. No CP brasileiro, encontram-se no art. 59 e seguintes.

O Art. 59 – CP � fala em circunstâncias do crime. O Art. 61 – CP �, também fala em circunstâncias do crime.

Portanto, precisamos saber de o que é circunstância e mais, quando a circunstância é elementar ou qualificadora (ou de privilégio).

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Das Circunstâncias

I – Conceito:
Circunstância deriva de “circum stare”, “estar em redor”, portanto, circunstância é todo fato ou dado que se encontra em redor do delito. A circunstância é tudo que modifica um fato em seu conceito sem alterar sua essência. Por exemplo: Furto, tem o elemento constitutivo no “Caput”, pode ser praticado com particularidades que lhe dão uma feição – subtrair coisa de valor mínimo (art. 155, §2º– CP �), e subtrair o objeto mediante escalada (art. 155, §4º, II – CP �). Portanto é possível afirmar que os elementos constitutivos apresentam o delito despido, e as circunstâncias o mostram vestido (Roberto Lyra, citando Esmeraldino Bandeira).

O art. 61 – CP � diz que há algumas circunstâncias que são elementares ou qualificadoras do delito: As elementares integram o tipo, constituem elemento seu; sem elas e o tipo e portanto o delito inexistiria, como exemplo que se dá com a circunstância da mulher, no crime de estupro (art. 213 - CP �). Portanto, a condição de mulher é circunstância elementar; se não for mulher, não há esse tipo de crime.

Exemplo de idade no crime de corrupção de menores (art. 218 – CP �). A idade, maior de 14 anos e menor de 18 anos, não é elementar, mas sim qualificadora no crime de posse sexual mediante fraude (art. 215, § único – CP �). Portanto, a menoridade da virgem não constitui tipo fundamental, mas sim qualificado.

Como distinguir uma elementar de uma circunstância?

Resposta: O critério é de exclusão.
Quando diante da figura típica, excluindo-se determinado elemento, o crime desaparece ou surge outro, estamos em face de uma elementar. Exemplo: no Crime de Prevaricação (art. 319 – CP �) – excluída a qualidade de funcionário publico do autor, desaparece o delito e não surge outra infração. Percebe?

Outro exemplo: Crime de Peculato (art. 312 - CP �) – excluída a qualidade de funcionário público do autor, desaparece o delito, surgindo outro crime – a apropriação indébita (art. 168 - CP �) – logo, a qualidade de funcionário público constitui elementar do crime de peculato.

Quando, excluindo certo dado, não desaparece o crime considerado, não surgindo outro, estamos em face de uma circunstância. O fato dessa circunstância ter a função de aumentar o diminuir a pena não exclui o delito. O crime permanece na sua forma fundamental. Exemplos: art. 121, §1º - CP �) – excluindo-se o motivo, o tipo permanece em sua forma fundamental – não desaparece o crime de homicídio.

O art. 158, §1º - 2ª figura - CP � (emprego de arma) – excluindo-se o emprego da arma, o delito não desaparece. Portanto, o emprego de arma não é elementar. É circunstância.

As circunstâncias colocam-se entre o crime e a pena. Elas permitem a graduação da pena. É uma ligação entre o crime e a pena.

As circunstâncias existem, ora na Parte Geral, ora na Especial, e funcionam como condições de maior ou menor punibilidade (são as causas “de aumento” e de “não aumento” ou “diminuição” de pena).

Na Parte Especial, podemos encontrar por exemplo no art. 168, §1º - 2ª figura – CP �.

Na Parte Geral, encontraremos as chamadas circunstâncias genéricas. Exemplo: art. 61, II, “e” � – e art. 65, I � e art. 59, “caput” - CP �. Embora neste caso, não se referem a causa de aumento ou diminuição de pena.

Portanto, às vezes a própria figura penal acrescida de algum dado qualifica a pena; outras o Juiz observa a possível incidência de uma circunstância genérica.

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II – Classificação:
Podem ser classificadas da seguinte forma:

Circunstâncias Judiciais

Estão previstas no art. 59, “caput” � - CP.

Circunstâncias Legais

a) Gerais, comuns ou genéricas, previstas na Parte Geral são:

	I – Agravantes: art. 61 � e art. 62 - CP �.

	II – Atenuantes: art. 65 � e 66 - CP �.

	III – Causas de Aumento e de Diminuição ou de Isenção da pena: Exemplos: art. 26, § único � e art. 60, §1º - CP �.

b) Especiais ou específicas previstas na Parte Especial, são:

	I – Qualificadoras: art. 121, §2º �, art. 155, §4º � e art. 157,§3º- CP �.

	II – Causas de Aumento e de Diminuição: Ex.: art. 129, §4º � e art. 141, III � CP.

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QUADRO SINÓTICO

	Cicunstâncias
	 a) Judiciais
	 art. 59, “caput” CP �.

	Objetivas – Reais – todos os meios de realização da Infração Penal (tempo, lugar etc.)
	

 b) Legais

 ou

Elementares
	 1) Genéricas

 (Parte Geral

 do código)
	a) Agravantes - art. 61 e art. 62 CP
b) Atenuantes - art. 65 e 66, CP

c) Causas de Aumento e de diminuição, ou de isenção da pena - art. 26, § único e art. 60, §1º CP

	Subjetivas – pessoais – se dizem respeito à pessoa do agente (qualidades, relação com o ofendido etc.)
	
	2) Especiais ou Específicas
	a) Qualificadoras - art. 121, §2º, art. 155, §4º e art. 157,§3º CP

b) Causas de Aumento e de Diminuição da Pena - art. 129, §4º e art. 141, III CP

III – Circunstâncias Judiciais:
Art. 59, “caput” – CP 125 ( Auxiliam o Juiz na verificação da culpabilidade do sujeito. Denominam-se Judiciais porque seu reconhecimento é deixado ao poder discricionário do Juiz.

No início do “caput” do art. 59 – CP 125, se refere à culpabilidade. É o primeiro critério diretivo de fixação da pena. Quanto mais reprovável a conduta do agente, maior deve ser a pena. Portanto, a culpabilidade é a medida da pena.

As demais circunstâncias não trazem