Direito Penal - 2008-Bimestre - 3-4 Bimestres
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Direito Penal - 2008-Bimestre - 3-4 Bimestres


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Direito Penal\ufffd\ufffdProf. Paulo Siquetto\ufffd\ufffd
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Professor: Paulo Siquetto\ufffd
PONTO I - CONCURSO DE PESSOAS \u2013 Arts 29 a 31 - CP\ufffd
Generalidades
A maioria dos delitos pode ser praticada por uma só pessoa. Em certos tipos penais, excepcionalmente, o legislador exige a existência de mais de uma pessoa para a sua realização. Ex: Art. 288 - CP; Lei de Tóxicos (associação para o tráfico).
Ex. 1: \u201cA\u201d desfecha tiros em \u201cB\u201d (uma só pessoa como autor). Pode, entretanto, ser praticado por mais de uma pessoa. Ex. 2: \u201cA\u201d e \u201cB\u201d ajustam a morte de \u201cC\u201d, realizando os atos e atingindo a consumação. Quando mais de uma pessoa comete um delito em comum acordo e voluntariamente ou envidam esforços na realização da conduta para o ilícito, diz-se que existe \u201cConcurso de Agentes, Concurso de Pessoas, co-Autoria ou co-delinqüência.\u201d O CP emprega a expressão \u201cConcurso de Pessoas\u201d (vide art. 29).
	Concurso de Pessoas ou de Agentes
	é o gênero
	Co-autoria/Co-deliqüência
	é espécie
	Concurso de Pessoas ou de Agentes:
	Co-autoria
Participação
Autoria mediata
Autoria colateral
	Requisitos do Concurso de Pessoas
	Pluralidade de agentes e de conduta
Comum acordo (liame subjetivo) (admite exceção)
Voluntariedade
União de esforços para cometer o delito
Identidade de infração para todos os participantes (admite exceção)
Concurso Necessário e Concurso Eventual
Crimes Monossubjetivos e Crimes Plurissubjetivos.
Crimes Monossubjetivos \u2013 que podem ser cometidos por um só sujeito
Crimes Plurissubjetivos \u2013 são os que exigem a pluralidade de agentes. Neste caso, nem sempre a norma estende a punibilidade a todos. Ex.: Corrupção de menores (art. 218 \u2013 CP \ufffd); arts 227 \ufffd e 228 \ufffd \u2013 CP.
Portanto:
Concurso Necessário \u2013 Crimes Plurissubjetivos. O Concurso de Pessoas é descrito pelo preceito primário da norma penal incriminadora. Cada concorrente responde pelo crime. Exemplos: Rixa (art. 137 \u2013 CP \ufffd), Quadrilha ou Bando (art. 288 \u2013 CP \ufffd), Bigamia (art. 235 \u2013 CP \ufffd); antes da Lei 11.106/2005, o Adultério (art. 240 \u2013 CP \ufffd).
O concurso é necessário, mas reafirmando, nem sempre todos os agentes são puníveis.
Concurso Eventual \u2013 Quando o delito podendo ser praticado por uma só pessoa, é cometido por duas ou mais pessoas. Não há previsão de mais de uma pessoa no tipo penal primário.
É neste caso que se aplica o princípio do Art. 29 \u2013 CP \u201cQuem, de qualquer modo, concorre para o crime incide nas penas a este cominadas na medida de sua culpabilidade.\u201d. 
Essa extensão de punibilidade não se faz necessária no concurso necessário. E por quê? Porque no Concurso Necessário estão todos cometendo o delito materialmente. São co-autores.
Concurso Necessário e Concurso Eventual
Pluralidade de condutas e de pessoas;
Liame subjetivo: comum acordo, voluntariedade;
Identidade de infração para todos os participantes
3.1 \u2013 Pluralidade de Condutas:
Para a realização do delito, há agente que pratica o núcleo do tipo e outros, que, não cometendo atos preparatórios ou executórios (em principio atípicos) contribuem para a consumação. Ex.: instigam; dão auxílio moral etc.. Respondem pelo crime pela regra de extensão (art.29 - CP) .
3.1.1 \u2013 Relevância da Conduta
Não basta o conhecimento da conduta criminosa, ou a vontade de aderir a ela, é preciso uma contribuição, uma atuação no desdobramento do fato criminoso. Ex.: Se \u201cA\u201d diz que vai ou quer concorrer para o homicídio de \u201cB\u201d, mas não exterioriza essa vontade em algum ato, não concorre para o crime.
3.2 \u2013 do Liame Subjetivo:
3.2.1 \u2013 da Autoria
Antes de falar (tratarmos) da ligação subjetiva entre as pessoas, temos que definir autoria.
Autor \u2013 em princípio, é o sujeito que executa a conduta expressa pelo verbo típico da conduta delitiva (matar, subtrair). É também autor quem realiza o fato por intermédio de outrem (autor mediato, ou comanda intelectualmente o fato (autor intelectual).
3.2.2 \u2013 Teoria do Domínio do Fato e Teoria Restritiva
Para tratar do tema da autoria, o CP adotou a Teoria Restritiva: Autor é quem realiza a figura típica (art. 29 \u2013 CP \ufffd).
Mas essa teoria não resolve a questão da autoria mediata e intelectual, e por essa razão a doutrina adota a Teoria do Domínio do Fato para separar a figura do Autor e do Partícipe.
3.2.3 \u2013 Formas de Autoria e de Concurso de Pessoas em face da Teoria do Domínio do Fato
Conceito: Na Teoria do Domínio do Fato, a autoria abrange:
I ) Autoria propriamente dita \u2013 autoria direta individual e imediata \u2013 o autor age sozinho. Tem o domínio da conduta.
II ) Autoria Intelectual \u2013 Conceito: Para esta teoria, Autor é quem tem o contrato final do fato; domina o decurso do crime. É utilizada para dar solução adequada às questões que se apresentam envolvendo autores materiais e intelectuais, chefes de quadrilha, motoristas, indutores etc..
O sujeito planeja a ação. O crime é produto de sua criatividade. Ex.: Chefe de quadrilha, que sem efetuar comportamento típico, planeja e decide ação conjunta. Tem a pena agravada (art. 62, I \u2013 CP \ufffd). É considerado autor pela aplicação da Teoria do Domínio do Fato (ou Domínio Funcional do Fato).
III ) Autoria Mediata \u2013 Chamado de \u201csujeito de trás\u201d- serve-se de outrem para praticar o fato. Possui o domínio da vontade de executar (chamado de instrumento). Ex. 1: Hipnotizador \u2013 sugere ao hipnotizado constranger alguém mediante violência, a assinar um documento falso. (Não há participação, uma vez que o autor mediato tem o domínio do comportamento mais o domínio da vontade de seu executor material. Ex. 2: \u201cA\u201d sugere a um doente mental a prática de um homicídio. Ex. 3: Caso de obediência hierárquica. 
Nestes casos não há Concurso de Pessoas entre o Autor Mediato e o Executor do crime. Aqui somente Autoria.
IV ) Co-Autoria (reunião de autorias):
a) Direta \u2013 todos os sujeitos realizam a conduta típica. Ex.: Várias pessoas invadem um supermercado e cometem furto
b) Parcial ou Funcional \u2013 Divisão de tarefas executórias. Os atos do \u201citer criminis\u201d são distribuídos, de modo que se um \u201cfalhar\u201d, o elo que leva ao crime estará rompido. Cada um mantém o domínio funcional do fato. Ex.: roubo: um se apodera do dinheiro, os outros mantêm a vítima sob vigilância com emprego de arma para ameaçá-la.
3.2.4 \u2013 Da Participação
Ocorre quando o sujeito não pratica atos executórios do crime, mas concorre, de qualquer modo, para a sua realização.
Partícipe na doutrina do Domínio do Fato: é quem pratica uma ação através de um comportamento que não se adapta ao verbo do tipo e não tem poder de decisão sobre a execução ou consumação do crime. Ex.: O empregado doméstico que passa as informações sobre os hábitos do dono da residência, para que o restante da quadrilha promova seu seqüestro.
Obs.: Quanto ao liame subjetivo: Mesmo que não ocorra um acordo de vontades para a prática do crime, pode haver participação. Se um dos sujeitos quer participar da conduta delitiva do outro, mesmo que o autor não aceite, pode ocorrer a participação. Ex.: \u201cA\u201d quer matar \u201cB\u201d. \u201cC\u201d, querendo ajudar \u201cA\u201d pede para participar. \u201cA\u201d nega a ajuda. \u201cB\u201d, não se conformando, sabendo que \u201cC\u201d, vai estar num local ermo em certo dia, liga anonimamente para \u201cA\u201d passando a afirmação. \u201cA\u201d, de posse dessa informação anônima, vai até o local e mata \u201cC\u201d. \u201cA\u201d será autor e \u201cB\u201d partícipe. Bastou a vontade de \u201cB\u201d para ocorrer a ligação subjetiva. 
4 -Natureza Jurídica do Concurso de Pessoas
Há 3 (três) teorias sobre a existência de um ou vários crimes no Concurso de Agentes:
4.1 \u2013 Teoria Unitária ou Monística: 
Unidade de crime e pluralidade de agentes, adotada pelo Código Penal.
4.2 \u2013 Teoria Dualista: 
Delito único entre os autores;
Outro crime único entre os partícipes.
\ufffd
4.3 \u2013 Teoria Pluralística: 
Pluralidade de agentes e pluralidade de crimes.
4.4 \u2013 Exceções Pluralísticas da Teoria Unitária: 
Teoria Unitária: um só crime. O evento é único, é indivisível \u2013 adotada pelo nosso Código Penal. 
Há hipóteses em que o legislador acatou a Teoria Pluralística: um crime do autor e outro do partícipe. Exemplos: Art 124 \u2013 CP, 2ª parte \ufffd e art. 126 \u2013 CP \ufffd
Art. 235, CAPUT e §