Direito Penal - 2008-Bimestre - 3-4 Bimestres
53 pág.

Direito Penal - 2008-Bimestre - 3-4 Bimestres


DisciplinaDireito Penal I56.806 materiais958.154 seguidores
Pré-visualização24 páginas
crime de aborto.
Na situação em que ambos sabiam do estado gravídico da mulher, teríamos:
\u201cA\u201d: responderia pelo crime de aborto com a agravante do art. 61, II, \u201ce\u201d, última figura \ufffd, do CP (crime praticado contra o cônjuge).
\u201cB\u201d: responderia pelo crime de aborto em co-autoria , sem a agravante imputada ao sujeito \u201cA\u201d.
Não confundir com a agravante do Art. 61, II, \u201ch\u201d, última figura (mulher grávida). No crime de aborto, \u201cmulher grávida\u201d é elementar do crime (não existe crime de aborto sem mulher grávida), e, portanto, não pode ser causa de aumento, sob pena de o sujeito responder duas vezes pelo mesmo fato \u201cNE BIS IN IDEM\u201d. Ninguém pode ser punido duas vezes pelo mesmo fato. A agravante de mulher grávida serve para outros crimes, como por exemplo, caso de crime de Lesão Corporal (Art. 129 \u2013 CP) provocada em mulher grávida.
Elementares, sejam de caráter objetivo ou pessoal, comunicam-se entre os fatos cometidos pelos participantes desde que tenham ingressado na esfera de seu conhecimento: Qualquer elemento que integra o fato típico fundamental comunica-se a todos os concorrentes.
Ex. 1: Funcionário público que comete o crime de peculato (art. 312 \u2013 CP \ufffd), com a participação de um outro elemento não funcionário público. A elementar de natureza pessoal (funcionário público) comunica-se com o partícipe, desde que este saiba da qualidade de funcionário público do autor.
Ex. 2: \u201cA\u201d, solteiro, induz o sujeito \u201cB\u201d, casado, a praticar crime de bigamia (art. 235 \u2013 CP \ufffd). Ambos respondem por bigamia, embora o sujeito \u201cA\u201d não seja casado. Lembrando é necesário o conhecimento por parte de \u201cA\u201d, que \u201cB\u201d era casado. Caso contrário ocorreria a punição por responsabilidade penal objetiva, o que não é aceito por nossa doutrina.
7 \u2013 Casos de Impunibilidade (art. 31 \u2013 CP \ufffd) 
Participação Impunível: A ressalva \u201csalvo disposição em contrário\u201d, diz respeito aos casos em que o ajuste, a determinação são puníveis como delitos autônomos. Ex.: Art. 286 \ufffd e 288 \ufffd, CP.
\ufffd
Da Co-Autoria \u2013 Exposição de Motivos do Código Penal/1942
O Código Penal de 1940 adotou, indisfarçavelmente, a teoria extensiva (subjetiva causal), como corolário da teoria da equivalência das causas: 
22 \u2013 O projeto aboliu a distinção entre autores e cúmplices: todos os que tomam parte no crime são autores. Já não haverá mais diferença entre participação principal e participação acessória, entre auxílio necessário e auxílio secundário, ente a "societas criminis" e a "societas in crimine". Quem emprega qualquer atividade para a realização do evento criminoso é considerado responsável pela totalidade dele, no pressuposto de que também as outras forças concorrentes entraram no âmbito de sua consciência e vontade. Não há nesse critério de decisão do projeto senão um corolário da teoria da equivalência das causas, adotada no art. 11. O evento, por sua natureza, é indivisível, e todas as condições que cooperam para a sua produção se equivalem. Tudo quanto foi praticado para que o evento se produzisse é causa indivisível dele. Há, na participação criminosa, uma associação de causas conscientes, uma convergência de atividades que são, no seu incindível conjunto, a causa única do evento e, portanto, a cada uma das forças concorrentes deve ser atribuída, solidariamente, a responsabilidade pelo todo.
Ficou, assim, repudiada, a ilógica e insuficiente ficção segundo o qual, no sistema tradicional, o cúmplice \u201cacede\u201d à criminalidade do autor principal. Perde a sua utilidade a famosa teoria do autor imediato, excogitada para não deixar impune o cúmplice, quando o autor principal é um irresponsável. Por outro lado, os juizes não ficarão em perplexidade, como atualmente para distinguir entre auxiliar necessário e auxiliar dispensável.
23 \u2013 Para substituição da antiga fórmula do \u201cconcursus deliquentium\u201d por outra mais racional, mais lógica e menos complexa, surgiram em doutrina três teorias diversas: a pluralística, a dualística e a monística. Segundo a teoria pluralística (Getz Massari), no concurso criminoso não se dá somente a pluralidade de agentes, mas a cada um destes corresponde uma ação própria, um elemento subjetivo próprio, um evento próprio, devendo-se, pois concluir que \u201cquot personae agentes tot crimina\u201d.
Para a teoria dualística (Manzini), há um crime único entre os chamado autores principais e outro crime único entre os co-partícipes secundários \u201ccúmplices strictu sensu\u201d.
Para a teoria monística, finalmente, o crime é sempre único e indivisível, tanto no caso de unidade de autoria, quanto no de co-participação. É o sistema do Código italiano. Os vários atos convergem para uma operação única. Se o crime é incindível do ponto de vista material ou técnico, também o é do ponto de vista jurídico. Foi esta a teoria adotada pelo projeto. A preferência por ela já vinha do projeto Galdino Siqueira. É a teoria que fica a meio caminho entre a teoria pluralística e a teoria tradicional. Assim dispõe, peremptoriamente, o art. 25 do projeto: \u201cQuem de qualquer modo, concorre para o crime incide nas penas a este cominadas\u201d.
Para que se identifique o concurso, não é indispensável um \u201cprévio acordo\u201d das vontades: basta que haja em cada um dos com-correntes conhecimento de concorrer à ação de outrem. Fica, destarte, resolvida a \u201cvexata quastio\u201d da chamada autoria incerta, quando não tenha ocorrido ajuste entre os concorrentes. Igualmente, fica solucionada, no sentido afirmativo, a questão sobre o concurso em crime culposo, pois neste tanto é possível a cooperação material, quanto a cooperação psicológica, isto é, no caso de pluralidade de agentes, cada um destes, embora não querendo o evento final, tem consciência de cooperar na ação.
As diferenças subjetivas ou objetivas das ações convergentes, na co-delinqüência, podem ser levadas em conta, não para atribuir a qualquer delas uma diversa importância causal, mas apenas para um diagnóstico de maior ou menor periculosidade (Rocco).
O art. 26 preceitua que, na co-delinqüência, \u201cnão se comunicam as circunstancias de caráter pessoal, salvo quando elementares do crime\u201d. A circunstancias de caráter pessoal incomunicáveis são apenas as que representam no caso concreto, simples \u201caccidentalia delicti\u201d. As circunstâncias subjetivas que influem sobre o \u201cnomem júris\u201d da infração penal, ainda que inerentes a um só dos partícipes, estendem-se, necessariamente, aos co-partícipes.
A cumplicidade \u201cpost factum\u201d, da lei vigente, é inteiramente desconhecida do projeto, que passou a considerá-la como crime autônomo, sob os \u201cnomina júris\u201d de receptação e favorecimento.
Salvo disposição especial em contrário, não constituem crime o ajuste e a determinação ou instigação, bem como o auxílio para o crime, se este não for, pelo menos, tentado (art. 27 \u2013 CP); mas se se tratar de indivíduo, perigoso, será aplicada uma medida de segurança ou, mais precisamente, a liberdade vigiada (arts. 92, parágrafo único e 94 nº III).
\ufffd
QUESTIONÁRIO
Qual o conceito formal de crime?
Crime formal é aquele em que o tipo não exige a produção do resultado para a consumação do crime, embora seja possível a sua ocorrência, ou seja, é a conduta proibida por lei, sob imposição de pena criminal.
Correção: A pergunta não é o conceito de crime formal, mas sim o Conceito Formal de Crime.
R.: O crime, sob o aspecto formal é um fato típico e antijurídico, ou um fato típico e ilícito. 
O que é um fato típico?
É o comportamento humano, positivo ou negativo, que provoca um resultado e é previsto na lei penal como infração. É aquele que se enquadra perfeitamente nos elementos contidos no tipo penal.
É possível afirmar que um fato antijurídico é também um fato ilícito?
Sim, uma vez que, antijuridicidade é sinônimo de ilicitude.
Todo agente que pratica uma ação descrita na lei penal, e não acobertada por uma excludente, sofrerá uma sanção penal?
Correção: A excludente de ilicitude afasta um dos requisitos do crime. Uma ação não acobertada por uma excludente de ilicitude, nem sempre será passível de sofrer uma sanção. Ex.: O §1° do art. 28 \ufffd\u2013 CP. O sujeito fica isento