Direito Penal - 2008-Bimestre - 3-4 Bimestres
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Direito Penal - 2008-Bimestre - 3-4 Bimestres


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maiores dificuldades, exceto ao comportamento da vítima. Há casos ou crimes, como de natureza patrimonial e sexual, a conduta do sujeito passivo pode provocar ou facilitar a prática delituosa. E essa circunstância há de ser considerada pelo Juiz na dosagem concreta da pena.
\ufffd
IV \u2013 Circunstâncias Agravantes:
Art. 61 \ufffd e 62, \ufffd CP ( São de aplicação restrita. Não se admite ampliação por analogia.
No art. 61, \u201ccaput\u201d \u2013 CP 126, o código emprega o advérbio \u201csempre\u201d. Portanto, em regra, a aplicação é obrigatória. O art. 62 \u2013 CP 127, não emprega a expressão \u201csempre\u201d, porém, incidente uma das agravantes, o Juiz, em regra, não pode deixar de considerá-la.
Mas há um caso em que as circunstâncias agravantes não têm incidência: Quando a pena base foi fixada no máximo. Elas não podem agravar a pena além do máximo abstrato. Portanto, a expressão \u201csempre agravam\u201d não tem aplicação absoluta.
Outra questão ( As circunstâncias \u201csempre agravam\u201d a pena quando não constituem ou qualificam o crime. Portanto, quando uma das circunstâncias agravantes do art. 61 \u2013 CP 125, funciona como elementar ou como circunstância qualificadora, não se aplica esta agravação, pois haveria \u201cbis in idem\u201d. Exemplo: Crime de Bigamia, art. 235 \u2013 CP \ufffd, um dos sujeitos passivos desse crime é o cônjuge do primeiro casamento. Assim, a circunstância do art. 61, II, \u201ce\u201d 126, última figura, constitui o Crime de Bigamia. Portanto, não tem aplicação.
Homicídio por motivo fútil (art. 121, §2º, II \u2013 CP \ufffd), não incide a agravante do art. 61, II, \u201ca\u201d, 1ª figura \u2013 CP 126. A circunstância específica funciona como \u201cqualificadora\u201d do homicídio. Ela já qualifica o delito, ou seja, já agrava o crime.
Outra situação em que o art. 61 \u2013 CP 126, não funciona como circunstância agravante \u2013 ocorre nas chamadas escusas absolutórias \u2013 ocorre por exemplo, no caso do art. 61, II, \u201ce\u201d \u2013 CP 126 = relação de parentesco. Se o sujeito pratica um dos delitos inscritos no Título II do CP \u2013 dos crimes contra o patrimônio, e a sua ação foi em prejuízo de uma das figuras do art. 181, I e II \u2013 CP \ufffd. 
Outra questão sobre as circunstâncias agravantes do art. 61, II - CP 126.
O nosso código não consagra o princípio da responsabilidade penal objetiva. Para nós somente quando o agente conhece ou prevê o fato constitutivo da agravante é que ela tem incidência. Exemplo: supondo que o agente lesione a integridade física de alguém (art. 129\u2013CP \ufffd), desconhecendo de que tratava-se de um enfermo. Não pode incidir a agravante genérica do art. 61, II, \u201ch\u201d, última figura \u2013 CP 126.
Examinar circunstâncias qualificativas dos incisos I e II do art. 61 \u2013 CP \ufffd \u2013 elas ficam à volta do tipo \u2013 não integram o modelo penal.
Reincidência (arts. 63 \ufffd e 64 - CP \ufffd) \u2013 pressuposto \u2013 sentença condenatória transitada em julgado por prática de crime.
Prazo para ocorrer a reincidência \u2013 prazo prescricional = 5 anos. 
Termo inicial do prazo é a data: 
do cumprimento da pena;
de sua extinção por outra causa;
do início do período de prova do sursis ou do Livramento Condicional (a partir da audiência admonitória), sem revogação. Por interpretação analógica que vale o preceito mais benéfico para o réu. Deve-se aplicar o mesmo quando da aplicação da pena restritiva de direito e a multa (posição Miguel Reale Jr.).
Hipóteses de Reincidência: 
Crime \u2013 condenação irrecorrível \u2013 outro delito \u2013 reincidente (art. 63 \u2013 CP 133);
Crime \u2013 condenação irrecorrível \u2013 contravenção \u2013 reincidente (art. 7º - LCP \ufffd);
Contravenção \u2013 condenação irrecorrível \u2013 outra contravenção \u2013 reincidente (art. 7º \u2013 LCP 135);
Contravenção \u2013 condenação irrecorrível \u2013 crime \u2013 não é reincidente (art. 63 \u2013 CP 133);
Exemplo: 13/10/2000 \u2013 transitado em julgado \u2013 começa o período de reincidência \u2013 fim da pena \u2013 20/11/2001 \u2013 começa a contagem regressiva.
Lembrete: Reincidência é a circunstância agravante da pena.
\ufffd
Tem o agente cometido o crime:
Fútil \u2013 é motivo destituído de importância em visível desproporção com o delito. É a ação desproporcionada. Exemplo do Damásio: marido agride a mulher porque esta deixou queimar alimento. 
O ciúme não é considerado motivo fútil. O estado de embriaguez e violenta emoção também são incompatíveis com o motivo fútil.
Torpe ( é motivo que causa repugnância às pessoas comuns no crime xxx. O Código Penal prevê essas circunstâncias como qualificadoras (art. 121, §2º I e II \u2013 CP \ufffd).
Vale lembrar que nos crimes contra os costumes não incide a agravante, pois ele integra o próprio tipo.
Não é necessário que o crime-fim chegue, efetivamente, a ser cometido; basta que o crime-meio tenha sido praticado com aquela finalidade. Caso o crime-meio e o crime-fim sejam cometidos, haverá concurso de infrações, mas a agravante incide somente sobre o delito-meio, e não no delito-fim. Exemplo: um funcionário público para eliminar os vestígios de seu peculato, incendeia o prédio da repartição, elevando a pena do incêndio (art. 250 \u2013 CP \ufffd).
 Auto explicável a letra da lei.
Insidioso ou cruel. Insidioso = traiçoeiro. Exemplo: A asfixia: se for por esganadura/ sufocamento é cruel. Se for produzida sorrateiramente com intoxicação por gás, é insidioso.
Relação de parentesco: há a questão do cônjuge. Damásio e Basileu Garcia entendem que persiste o delito ainda que tenha havido separação judicial, pois ela não retira a qualidade pessoal (o casamento não se extinguiu). Celso Delmanto afirma que a agravante já se aplica durante a constância do casamento, assim como Mirabete. Em relação à sociedade conjugal, Damásio e Mirabete afirmam que não incide a agravante quando se trata de concubinato. Paulo José da Costa Júnior, entende que o parentesco pode ser ilegítimo e assim reconhece a incidência da agravante quando houver concubinato.
Para efeito de aplicação da agravante, exige-se prova documental (certidão) de casamento ou parentesco para fim de reconhecimento (art. 155 \u2013 CPP \ufffd).
Abuso de autoridade: diz respeito às relações privadas (tutela, curatela etc.) \u2013 não às funções públicas.
O cargo ou ofício devem ser públicos: Ministério refere-se a quem exerce atividades religiosas e profissão é a atividade habitualmente exercida por alguém como seu meio de devida (advogado, médico etc.).
Lembre-se: a agravante do cargo ou profissão não se aplica quando elementar do tipo. Exemplo: Art. 302 \u2013 CP \ufffd. \u2013 se a violação for atestado falso, não incide agravante.
\ufffd
Criança?: O Estatuto da Criança e do Adolescente considera criança a pessoa até 12 anos de idade incompletos (art. 2º \u201ccaput\u201d da Lei 8.069/90 \ufffd). Aqui também só incide a agravante quando não elementar do tipo a circunstância (arts. 135\ufffd, 244 \ufffd, 123 \ufffd \u2013 CP).
Idoso? A lei não traz indicação da idade em que a pessoa deve ser considerada idosa, embora art. 115 \u2013 CP \ufffd que trata da redução nos prazos de prescrição, e 65, I \u2013 CP \ufffd, que estipula a circunstância atenuante, se refira a 70 (setenta) anos, a doutrina e a jurisprudência majoritária tem entendido que não se deve fixar o limite cronológico, mas ter em conta o conceito biológico. A condição do idoso deve apresentar a forma da senilidade.
Mulher grávida? Há que saber quando se inicia o ciclo gravídico: o ciclo gravídico inicia-se quando recebido o ovo pela parede uterina e termina normalmente com a expulsão do feto e dos anexos\ufffd. Para configuração desta agravante é necessário que o sujeito ativo saiba que a vítima está grávida. É inadmissível a responsabilidade penal objetiva (assim como o enfermo, é necessário saber existir esta qualidade).
Embriaguez: é necessário que se prove ter o agente se embriagado de propósito, para cometer o delito .
(art. 62 \u2013 CP \ufffd). Sem maiores indagações nesta agravante.
\ufffd
V \u2013 Circunstâncias Atenuantes:
As circunstâncias atenuantes são em regra, de aplicação obrigatória \u2013 o \u201ccaput\u201d do art. 65 \u2013 CP \ufffd é taxativo. Assim como nas circunstâncias agravantes, incidem sobre a pena base já fixada (art. 59 \u2013 CP \ufffd) na segunda etapa do cálculo final da pena.
O quantum da atenuação fica a critério do Juiz. Diz-se que em regra são de aplicação obrigatória porque em dois casos não há como aplicá-las:
Quando