Sociologia J. - Anotação (16)
10 pág.

Sociologia J. - Anotação (16)


DisciplinaSociologia Jurídica5.374 materiais47.192 seguidores
Pré-visualização3 páginas
PREPARATÓRIO PARA OAB
Professora: Dra. Claudia Tristão
DISCIPLINA: DIREITO CIVIL
Capítulo 9 Aula 5
DOS ALIMENTOS
Coordenação: Dr. Flávio Tartuce
01
Dos Alimentos
"Proibida a reprodução total ou parcial, por qualquer meio ou processo, assim como a inclusão em qualquer sistema de processamento de dados. A 
violação do direito autoral é crime punido com prisão e multa (art. 184 do Código Penal), sem prejuízo da busca e apreensão do
material e indenizações patrimoniais e morais cabíveis (arts. 101 a 110 da lei 9.610/98 - Lei dos Direitos Autorais).\u201d
www.r2direito.com.br
O dever de prestar socorro aos necessitados é do Estado, competindo ao Poder Público desenvolver a 
assistência e seguro sociais para manutenção dos desprotegidos. Mas, no intuito de aliviar-se desse 
encargo, ou mesmo na impossibilidade de cumpri-lo, o Estado transfere esse dever, por meio de 
determinação legal, aos parentes, cônjuges ou companheiros.
O dever de prestar alimentos é imposto por lei para que se possam garantir as necessidades vitais do 
alimentado. O direito aos alimentos é personalíssimo, não pode ser cedido a outrem, também é 
impenhorável e imprescritível e irrenunciável.
Em razão destas características é norma de ordem pública, cogente e imperativa, ou seja, as regras que 
regulam o instituto dos ALIMENTOS não podem ser alteradas pela convenção dos particulares. Não há 
poder de disposição como ocorre no mundo dos negócios da autonomia privada.
1. CONCEITO
Ao que dispõe o artigo 1.694, do Código Civil, entende-se por alimentos necessários ou naturais os 
destinados ao sustento, à cura, ao vestuário e à habitação, incluem-se também as necessidades com 
educação, se o alimentado for menor, além daqueles destinados a preservar a subsistência de modo 
compatível com a condição social do alimentado, também chamados de alimentos civis ou côngruos.
No Código Civil de 1916, o artigo 396 vinculava os alimentos à necessidade do alimentado para subsistir, e 
no novo Código, no artigo 1.694, afirmam que os alimentos devem atender às necessidades do credor para 
viver de modo compatível com sua condição social.
Quanto ao aspecto causal podem ser legítimos: quando devidos por força de lei, testamentários: se 
instituídos por disposição de última vontade, convencionais: 
se originados em estipulação negocial intervivos, ressarcitórios: quando destinados a indenizar vítima de ato 
ilícito, e judiciais: se estabelecidos por provimento judicial, é obrigação de alimentar com origem em outros 
departamentos do Direito Civil, decorrentes de testamento, contrato ou ato ilícito, fora do Direito de Família. 
É um dever mútuo e recíproco entre descendentes e ascendentes e entre irmãos, quem tem recursos deve 
fornecer alimentos em natureza ou dinheiro, para sustento dos parentes que não tenham bens e que não 
podem prover pelo seu trabalho a própria mantença. 
O dever de prestar alimentos tem caráter assistencial; entretanto, a partir do momento em que o legislador 
deu meios ao alimentado para acionar o alimentante e exigir socorro, surgiu uma obrigação de caráter 
jurídico e não apenas moral.
Capítulo 5
02
2. PRESSUPOSTOS ESSENCIAIS À OBRIGAÇÃO DE PRESTAR ALIMENTOS
Como explica José Ferreira Muniz, da junção dos artigos 1.694 e 1.695, ambos do Código Civil, temos que 
o pedido de alimentos está destinado a suprir uma situação de necessidade do alimentando que não tem 
condições de atender às exigências de sua vida mediante seu trabalho ou com a alienação de seus bens, 
sendo irrelevante a causa do estado da necessidade, seja ela decorrente da menoridade, do desperdício, da 
enfermidade, do desemprego, da prodigalidade. 
Mas os alimentos não são devidos às pessoas que têm condições de trabalhar e não o faz por comodidade. 
Também é preciso que a pessoa de quem se reclame alimentos possa fornecê-los, sem desfalque do 
necessário para seu sustento, pois ninguém é obrigado ao impossível (ad impossibilia nemo tenetur), 
cumprindo ao alimentando reclamar de outro parente a complementação. A obrigação de alimentar deve 
obedecer a uma proporcionalidade, relacionando as necessidades do alimentando e os recursos da pessoa 
obrigada, como, inclusive determina o § 1º, do artigo 1.694, do Código Civil.
A obrigação alimentar entre parentes é recíproca, no sentido de que, na mesma relação jurídico familiar, o 
parente que em princípio seja devedor, poderá reclamá-lo se vier a necessitar deles. A reciprocidade de 
prestar alimentos entre pais e filhos está estabelecida no artigo 229, da Constituição Federal de 1988 e no 
artigo 1.696, do Código Civil.
Daí extraímos que os pressupostos essenciais são:
a) o vínculo de parentesco, seja ela decorrente do casamento ou da união estável;
b) a possibilidade econômica do alimentante, principalmente nos critérios de proporcionalidade na fixação 
do quantum;
c) a necessidade do alimentando;
d) reciprocidade.
3. NATUREZA JURÍDICA
Apesar de um pouco controvertida a questão da natureza jurídica dos alimentos, Orlando Gomes, com 
grande propriedade, a vislumbra como um direito, com caráter especial, com conteúdo patrimonial e 
finalidade pessoal, intimamente ligada a um interesse familiar superior, apresentando-se como uma relação 
patrimonial de crédito e débito, feita pelo alimentando ao alimentante.
4. CARACTERÍSTICAS
Uma vez atendidos os requisitos, os alimentos constituem um dever para o alimentante, e pela sua natureza 
jurídica, são insuscetíveis de cessão, compensação ou penhora, como estabelece o artigo 1.707, do Código 
Civil. Dessa regra, permite a lei que o alimentando deixe de requerer os alimentos, mas lhe é proibido 
renunciar ao respectivo direito por ser norma de ordem pública.
"Proibida a reprodução total ou parcial, por qualquer meio ou processo, assim como a inclusão em qualquer sistema de processamento de dados. A 
violação do direito autoral é crime punido com prisão e multa (art. 184 do Código Penal), sem prejuízo da busca e apreensão do
material e indenizações patrimoniais e morais cabíveis (arts. 101 a 110 da lei 9.610/98 - Lei dos Direitos Autorais).\u201d
www.r2direito.com.br
03
Podemos entender então, que a prestação alimentícia se apresenta com as seguintes características:
a) o direito a alimentos é personalíssimo, pois visa proporcionar ao alimentando condições mínimas de 
sobrevivência;
b) é transmissível por sucessão, visto que, como estabelece o artigo 1.700, do Código Civil, os alimentos 
poderão ser reclamados não só do devedor, mas também dos seus herdeiros;
c) é crédito incessível, por ser inseparável da pessoa do credor, se realizada a transferência, mesmo com 
anuência do credor, esta cessão será considerada inválida entre cedido e cessionário. No entanto, as 
prestações vencidas, como constituem dívida comum, poderão ser cedidas, como permite o artigo 286 do 
novo Código Civil;
d) são irrenunciáveis, pois o necessitado pode deixar de exercer o direito de exigir alimentos, mas a eles não 
pode renunciar;
e) são impenhoráveis, uma vez que se destinam a prover a mantença do necessitado, não pode responder 
pelas suas dívidas;
f) são indisponíveis, pela sua natureza personalíssima;
g) o direito a alimentos é imprescritível, pois, como declara o artigo 23, da Lei nº 5.478/68, a prescrição "só 
alcança as prestações mensais e não o direito aos alimentos", todavia, as prestações vencidas prescrevem no 
prazo de dois anos, como estabelece o artigo 206, § 2º, do Código Civil;
h) é incompensável, pois a compensação do crédito do alimentante, privaria o alimentando dos meios de 
sobrevivência.
i) é intransacionável, não pode ser objeto de transação o direito de pedir alimentos, como prescreve o artigo 
841, do Código Civil, mas o quantum das prestações vencidas ou vincendas é transacionável.