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As Batalhas Espirituais Finais Parte 10

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 Alves, Silvio Dutra
 As Batalhas Espirituais Finais – Parte 10 / Silvio Dutra Alves.
 - 1ª edição - Fundamentado no tratado de William Gurnall
 Rio de Janeiro, 2021.
 75p; 14,8 x 21 cm 
 1. Teologia. 2. Vida Cristã. I. Título
 CDD 230
 
Deus nunca deixa de ser amoroso, longânimo,
compassivo, perdoador, misericordioso e
bondoso quando ele é justo, santo e verdadeiro,
pois se não tivesse estes dois grupos de atributos
divinos em perfeito equilíbrio, ele seria
possivelmente alguém impotente moralmente
caso tivesse apenas os do primeiro grupo; ou
então cruel e tirano caso tivesse somente os do
segundo.
Hoje se ouve muito falar apenas de justiça e de
verdade entre as lideranças de todos os
segmentos, inclusive de religiosos, e não é de se
admirar que vivamos em mundo em que a
crueldade e a tirania se multipliquem como
nunca dantes. Em dias passados se ouvia falar
muito em caridade, em humildade, em amor, em
sinceridade, em perdão, em compreensão e
tolerância, e portanto, não se via tanto ódio e
amargura na humanidade.
Acrescente-se a isto, como fator agravante, que a
verdade e a justiça do pecador nada têm a ver com
a justiça do reino de Deus, e muito menos com o
teor do evangelho que está no centro dessa justiça
oferecendo perdão gratuito a todo aquele que se
arrepender. A justiça e a verdade iradas do
homem nunca produzirão a justiça e a verdade
amorosa de Deus, senão pensamentos e atos de
crueldade. 
Mas se o homem mudou, Deus nunca muda.
Quando Deus nos salvou para sermos à imagem e
semelhança de nosso Senhor Jesus Cristo, ele o
fez sobretudo para que fôssemos santos assim
como ele é santo. 
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Foi para o propósito de sermos santificados que
Jesus realizou toda a obra de salvação em nosso
favor, removendo a nossa culpa e nos dando um
novo nascimento do Espírito Santo, e fez uma
aliança com Deus Pai de responder por todas as
coisas referentes à nossa redenção, santificação e
glorificação. Nesta aliança Deus ficou acordado
que seríamos salvos nas condições do evangelho,
segundo a justiça que se revela no evangelho, de
fé em fé, de maneira que jamais fôssemos
rejeitados por Deus uma vez tendo sido tornados
seus filhos amados, por qualquer transgressão
que viéssemos ainda a cometer depois da nossa
conversão. Daí serem tão claros e diretos os
termos da nova aliança:
“Pois perdoarei as suas iniquidades e dos seus
pecados jamais me lembrarei.” (Jer 31.34).
“18 Quem, ó Deus, é semelhante a ti, que perdoas
a iniquidade e te esqueces da transgressão do
restante da tua herança? O SENHOR não retém a
sua ira para sempre, porque tem prazer na
misericórdia.
19 Tornará a ter compaixão de nós; pisará aos pés
as nossas iniquidades e lançará todos os nossos
pecados nas profundezas do mar.” (Miqueias
7.18,19)
É por Deus ter-se determinado ser misericordioso
para com nossas faltas, e por perdoá-las por causa
do sacrifício e sacerdócio de Jesus, que podemos
nos aproximar dele para sermos continuamente
santificados, sem deixarmos de ser aceitos por
causa da justiça da lei, uma vez que não é pela
justiça da lei que somos salvos, mas pela justiça da
graça ou da fé. Não somos aceitos na base das
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obras da lei, nem mesmo das obras da fé, mas por
causa justiça de Jesus que nos foi imputada, para
que se abrisse para nós a porta pela qual entramos
para seguir em novidade de vida, pelo caminho da
santificação, que consiste na justiça de Cristo que
é aplica em nosso viver pela operação do Espírito
Santo, realizando a obra que se refere tanto à
mortificação dos nossos pecados, quanto ao
amadurecimento de todas as graças que existem
na nova criatura, como fé, amor, paz, bondade,
alegria, mansidão, longanimidade, etc.
Agora, este perdão e esquecimento de nossas
iniquidades nos termos do evangelho não
significa que temos recebido da parte de Deus um
salvo conduto para continuarmos pecando, em
face do referido perdão, uma vez que a Palavra é
bastante clara quanto ao fato de que uma vez
tendo sido reconciliados com Deus, os crentes o
foram para um andar no Espírito, em novidade e
santidade de vida, de modo que ainda que livrados
da culpa e condenação eterna, todavia, serão
corrigidos se não atenderem às condições da
aliança de andarem humildemente diante do
Senhor, confessando e abandonando os seus
pecados. O sangue do sacrifício sempre se
mostrará eficaz para aqueles que se arrependem e
caminham em temor diante de Deus, de forma
que somos alertados devidamente quanto a isto
nas seguintes palavras de Hebreus 10.16-31:
“16 Esta é a aliança que farei com eles, depois
daqueles dias, diz o Senhor: Porei no seu coração
as minhas leis e sobre a sua mente as inscreverei,
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17 acrescenta: Também de nenhum modo me
lembrarei dos seus pecados e das suas iniquidades,
para sempre.
18 Ora, onde há remissão destes, já não há oferta pelo
pecado.
19 Tendo, pois, irmãos, intrepidez para entrar no Santo
dos Santos, pelo sangue de Jesus,
20 pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou
pelo véu, isto é, pela sua carne,
21 e tendo grande sacerdote sobre a casa de Deus,
22 aproximemo-nos, com sincero coração, em plena
certeza de fé, tendo o coração purificado de má
consciência e lavado o corpo com água pura.
23 Guardemos firme a confissão da esperança, sem
vacilar, pois quem fez a promessa é fiel.
24 Consideremo-nos também uns aos outros, para nos
estimularmos ao amor e às boas obras.
25 Não deixemos de congregar-nos, como é costume
de alguns; antes, façamos admoestações e tanto mais
quanto vedes que o Dia se aproxima.
26 Porque, se vivermos deliberadamente em pecado,
depois de termos recebido o pleno conhecimento da
verdade, já não resta sacrifício pelos pecados;
27 pelo contrário, certa expectação horrível de juízo e
fogo vingador prestes a consumir os adversários.
28 Sem misericórdia morre pelo depoimento de duas
ou três testemunhas quem tiver rejeitado a lei de
Moisés.
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29 De quanto mais severo castigo julgais vós será
considerado digno aquele que calcou aos pés o Filho
de Deus, e profanou o sangue da aliança com o qual foi
santificado, e ultrajou o Espírito da graça?
30 Ora, nós conhecemos aquele que disse: A mim
pertence a vingança; eu retribuirei. E outra vez: O
Senhor julgará o seu povo.
31 Horrível coisa é cair nas mãos do Deus vivo.”
Aqui pois está o grande ponto para reflexão: o que
tem a ver a justiça de Deus, que se revela no
evangelho, com a justiça deste mundo? Enganam-
se portanto, aqueles que lutam por justiça social
nos termos do mundo, pensando estarem com
isso promovendo a justiça de Deus.
A Bíblia é muito clara quanto a isto e nos mostra
de capa a capa que Deus é santo e somos
chamados a sermos santos assim como ele é
santo. 
O amor real a Deus sempre nos moverá a
buscarmos a santificação, sabendo que esta passa
primeiro pela mortificação do pecado, e depois
por nosso empenho em seu serviço, buscando o
seu reino em primeiro lugar.
É com o contrito e abatido de espírito que Deus
tem prometido habitar, de modo que é dito por
Cristo que os que choram e não os que se alegram
segundo a carne, que são os que são bem-
aventurados.
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Há muito valor então na tristeza que é segundo
Deus para arrependimento porque é somente esta
que nos conduz à vida eterna. E quanto isto vai na
contra-mão do muito que tem sido ensinado pela
teologia atual de que o propósito da vida cristã é o
de eliminar toda forma de sofrimento, dor e
tristeza da vida do crente, pelo que chamam de
uso da fé orientada para resultados. Mas a Palavra
de Deus nos apresenta o único caminho que