CCJ0006-WL-PA-07-Direito Civil I-Antigo-15840
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CCJ0006-WL-PA-07-Direito Civil I-Antigo-15840

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O Código Civil fracionou os bens na dicotomia de:

a) bens públicos; e

b) bens particulares. Consideraram-se públicos os bens do domínio nacional pertencentes às pessoas jurídicas de direito público interno; particulares, todos os outros.

Se pertencer à pessoa jurídica de direito público interno - a União, os Estados, o Distrito Federal, os Municípios, os Territórios , as autarquias e as demais entidades de caráter público criadas por lei - reputa-se o bem público; fora daí, diz-se que o bem é particular, seja qual for a pessoa a que pertencerem.

Define-se, pois, a natureza jurídica do bem pela qualidade da personalização do seu titular, opção legislativa que induz à constatação de que os bens das pessoas jurídicas de direito público externo, localizados no território geográfico do Brasil, são considerados bens particulares , haja vista que pertencem a pessoa jurídica que, por óbvio, não se enquadra na categoria de direito público interno.

Portanto, não há bens públicos fora do domínio das pessoas jurídicas de direito público interno.

a) Bens públicos - 

Pelo critério da titularidade, os bens públicos classificam-se em bens pertencentes à União , aos Estados , ao Distrito Federal e aos Municípios. (art. 98, 1ª parte, e art. 99, ambos do CC.)

Daí a denominação de bens públicos federais, estaduais, distritais federais e municipais.

Pelo critério da utilização, sublinhe-se que os bens públicos estão divididos em:

a) bens de uso comum do povo;

b) bens de uso especial; e

c) bens dominicais.

 

Os bens de uso comum do povo são aqueles cujo uso, por característica natural ou jurídica, franqueia-se ao público, sem qualquer discriminação, entre os quais se incluem: os rios, mares, estradas, ruas e praças.

Os bens de uso especial são aqueles cujo uso ocorre com certas e determinadas restrições legais e regulamentares, haja vista que se destinam a satisfazer uma utilidade ou necessidade pública especial, nos quais se destacam: edifícios ou terrenos destinados a serviço (teatros, universidades, museus ou estabelecimento da administração pública, inclusive de autarquia, navios e aeronaves de guerra, veículos oficiais.

Os bens dominicais são aqueles que constituem o patrimônio das pessoas jurídicas de direito público, como objeto de direito pessoal, ou real, de cada uma delas.

a.1. Afetação e desafetação - Consoante se abordou, os bens públicos, considerando a destinação ou utilização, classificam-se em bens de uso comum, bens de uso especial e bens dominicais.

A utilização do bem público, por conseguinte, modela a categoria jurídica a que pertence, situação em conformidade com a qual se extrai o conceito jurídico da afetação, como fenômeno jurídico que impõe o fim a que ele se destina, definindo, ainda, os limites que se estabelecem para o seu uso.

A afetação é o ato jurídico mediante o qual se impõe a um bem uma destinação, gravando-o com característica diferente daquela que o identificava e determinando-lhe outra finalidade de acordo com a qual será utilizado.

Em decorrência da afetação, transmudam-se a natureza e a destinação do bem, a qual pode alcançar bens particulares ou bens públicos (bens de uso comum, bens de uso especial e bens dominicais ).

A afetação - e a desafetação, também - processa-se verticalmente por grau, conforme a natureza e a extensão do uso do bem.

Um bem particular, defectado, pode se transformar em bem público de uso especial, que, a seu turno, pode, também, ser transpassado para bem público de uso comum, a mais nobre afetação.

A desafetação é o fenômeno jurídico por força do qual se processa a regressão ou eliminação da categoria do bem público, com mudança na sua destinação.

Em situações excepcionais, desde que inspiradas na vontade da lei, é possível um bem público de uso comum sofrer desafetação, com alteração de sua destinação.

 

a.2. Regime jurídico - Existem critérios para a classificação dos bens públicos, pelo enfoque da titularidade e da utilização, conforme os mais técnicos.

Os bens públicos sujeitam-se a regime jurídico especial, sob cujos princípios acomodam-se regras jurídicas que lhes impõem rígida disciplina legal que os diferencia dos bens particulares.

Desfrutam os bens públicos de regime jurídico próprio e excepcional, privilégio que se justifica pela razão de que pertencem ao patrimônio do povo, para quem geram riquezas materiais e espirituais.

Como pertencem à Nação, diz-se que os bens públicos compõem o domínio público, tutorado pelo princípio da indisponibilidade, que se expressa nos predicativos da:

a.2.1 inalienabilidade;

a.2.2 imprescritibilidade; e

a.2.3 impenhorabilidade.

O princípio da indisponibilidade, primaz na questão da dominialidade pública, afirma a natureza jurídica dos bens públicos, fazendo borda com o princípio da disponibilidade dos bens privados ou particulares.

Trata-se de qualidade jurídica que exprime a compreensão natural de que o bem público, não se vende, não se dá, não se cede e não se adquire, a não ser em condições especiais, previstas em lei.

Para o bem público e o bem do público, solenizam-se e substancializam-se as condições segundo as quais se lhe disponibiliza, sempre em condições e em situações extraordinárias, que se agigantam em face à realidade ordinária que envolve o poder particular sobre o bem que compreende o seu domínio.

a.2.1 inalienabilidade - A inalienabilidade consiste no predicativo que persegue o bem, impedindo-lhe a alienação ou a transferência de domínio, haja vista que, como se lhe veda o alheamento, não pode ser adquirido.

Em regra, os bens privados ou particulares, salvo os bloqueios jurídicos que se lhes entranham em situações especialíssimas, granjeiam a liberdade da alienação, da transferência de domínio, com ou contra a vontade de seu titular - como no caso da usucapião -; os bens públicos, não.

No entanto, a regra da inalienabilidade não se aplica, indiferentemente, a todos os bens públicos, porquanto se fraciona em:

a) vedação absoluta; e

b) vedação relativa.

Há vedação absoluta à alienação quanto aos:

a) bens públicos de uso comum ; e

b) bens públicos de uso especial.

Há vedação relativa à alienação quanto aos bens dominicais, haja vista que podem ser alienados, observadas as exigência da lei.

Faz-se necessário destacar que os bens de uso comum e os bens de uso especial, enquanto conservarem a sua natureza jurídica, são inalienáveis.

Em ocorrendo a desafetação - fenômeno por força do qual se transmuda a natureza da destinação ou da categoria do bem público -, os bens de uso comum e de bens de uso especial, anilhados à nova realidade, agora na condição de bens dominicais, podem ser alienados.

No entanto, insta realçar que a desafetação, por si só, não basta como justificativa que credencia a alienação dos bens, antes de uso comum do povo ou de uso especial, agora dominicais, porquanto se exige a confecção de um ato legal que a autorize.

Em se tratando de bens dominicais, que compõem o patrimônio de pessoa jurídica de direito público , mostra-se extravagante se exigir que a alienação subordine-se à expressa autorização da lei, razão por que basta a produção de ato legal com força para aliená-lo.

Portanto, quando a norma fala que os bens dominicais podem ser alienados, observadas as exigências da lei, não significa dizer que toda e qualquer alienação dessa categoria de bens públicos somente ocorre em havendo expressa autorização da lei.

Cumpre ressaltar, contudo, que a alienação dos bens públicos dominicais, bens desafetados, sujeitam-se a regime especial de alienação, haja vista que a transferência de domínio depende de licitação.

a.2.2 imprescritibilidade - Trata-se a imprescritibilidade de outro predicativo decorrente da