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9a. Aula

Continuação da ADI Genérica

12. ADI E PRAZO DECADENCIAL

O ajuizamento da ADI nao se sujeita à observância de qualquer prazo de natureza prescricional ou decadencial, pois os atos inconstitucionais jamais se convalidam pelo decurso de tempo.

13. ADVOGADO-GERAL DA UNIAO

Compete a AGU, em ADI, a defesa da norma legal ou ato normativo impugnado, seja federal ou estadual, pois atua como curador especial do principio da presunção da constitucionalidade das leis e atos normativos.

O AGU está impedido de manifestar-se contrariamente as leis, sob pena de descumprimento frontal de sua função constitucional.

O STF prevê a excepcionalmente, a possibilidade de o AGU deixar de exercer esta função de curador, quando houver precedente da Corte pela inconstitucionalidade da matéria impugnada.

14. PROCEDIMENTO

A Lei 9.868/99 estabelece o procedimento da ADI Genérica, devendo ser aplicada com respeito às normas constitucionais, bem com as normas do Regimento Interno do STF.

Petição Inicial: (art. 3o.) deverá indicar: (2 copias)

o dispositivo de lei ou do ato normativo impugnado e os fundamentos jurídicos do pedido em relação a cada uma das impugnações;

o pedido, com suas especificações.

PU.: instrumento de procuração; copia da lei ou ato normativo impugnado e dos documentos necessários para comprovação da impugnação.

Petição Inepta: aquela nao fundamentada ou manifestamente improcedente, estas serão liminarmente indeferidas pelo relator. Cabe agravo de decisão que indeferir a petição inicial ao Plenário – art. 4o.

 Recebida a petição inicial – o relator pedirá informações aos órgãos ou às autoridades das quais emanou o lei ou ato normativo impugnado – art. 6o.

Prazo para prestar informações – 30 dias do recebimento do pedido.

As informações podem ser dispensadas, em caso de urgência pelo relator do Tribunal.

Decorrido o prazo de 30 dias, recebidas ou nao as informações, deverá ser citado o AGU para defender o ato impugnado.

Ao mesmo tempo também é aberto vistas ao Procurador-Geral da Republica.

OBS: O Procurador-Geral da Republica art. 103, p. 1o., CF, será ouvido em todos os processos de competência do STF. Este em ADI poderá manifestar-se pela improcedência ou procedência da ação, o que nao vincula a decisão do STF.

Ambos deverão se manifestar em 15 dias sucessivos (art. 8o.).

Art. 9o.: Vencidos os prazos, o relator lançará relatório, com copias a todos os ministros, e pedirá dia para julgamento.

P.U.: O relator ficou autorizado por lei, em caso de necessidade de esclarecimentos sobre a matéria ou em caso de insuficiência de informações existentes nos autos, poderá requisitar informações adicionais, designar pericia e ate fixar audiência publica a fim de ouvir opiniões de pessoas com notório conhecimento na área.

Em qualquer hipótese, o prazo será de 30 dias da solicitação do relator.

Do Julgamento

O julgamento da ADI será realizado pelo Plenário do STF, em respeito ao art. 97, CF, exigindo-se quorum mínimo de 8 ministros para instalação da sessão.

Entendendo tratar-se de lei ou ato normativo constitucional, fará essa declaração expressamente, julgando improcedente a ADI; ficando vedada a possibilidade de ação rescisória.

Por outro lado, se a maioria absoluta dos membros do Plenário julgar procedente a ADI, o STF declarará a inconstitucionalidade da lei ou ato normativo; e consequentemente, estará retirando-o do ordenamento jurídico.

OBS: o STF fica condicionado aos pedidos, mas nao à causa de pedir, ou seja, analisará a constitucionalidade dos dispositivos legais apontados pelo autor, porem, poderá declara-los inconstitucionais por fundamentos diversos dos apontados na inicial.

Medida Cautelar (pedido de liminar) – procedimento mais célere.

Entendendo o relator existir os requisitos da liminar (fumus bonis iuris e o periculum in mora) poderá, apos as prestações de informações (10 dias) e apos a manifestação da AGU e do Procurador-Geral da Republica (5 dias sucessivos), submeter o processo diretamente ao tribunal, o qual poderá somente julgar a liminar ou já julgar definitivamente a ação.

A medida cautelar tem efeitos ex nunc, salvo entendimento contrario da Corte.

15. EFEITOS

Declarada a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal ou estadual, a decisão terá efeitos:

Ex tunc –

desfazendo-se desde sua origem o ato inconstitucional, juntamente com todas as conseqüências dele derivadas, uma vez que os atos inconstitucionais são nulos, e portanto, destituídos de qualquer carga de eficácia jurídica.

OBS: a declaração de inconstitucionalidade com efeitos ex tunc alcança inclusive sentenças judiciais com transito em julgado, uma vez, conforme decidiu o STF “a rescindibilidade do acórdão conflitante decorre do principio da máxima efetividade das normas constitucionais e da prevalência da orientação fixada pelo STF”.

Assim, a declaração de inconstitucionalidade “decreta a total nulidade dos atos emanados do Poder Publico, desampara as situações constituídas sob a égide e inibe – ante a sua inaptidão de produzir efeitos jurídicos validos – a possibilidade de invocação de qualquer direito”.

Com a declaração de inconstitucionalidade no controle concentrado, a lei ou ato normativo saem do ordenamento jurídico imediatamente com a decisão definitiva do STF.

Exceções:

A lei permite ao STF limitar os efeitos da decisão que declara a inconstitucionalidade do ato normativo:

Art. 27, da lei: tendo em vista razoes de segurança jurídica ou de excepcional interesse social, poderá o STF, por maioria de 2/3 de seus membros, restringir os efeitos daquela declaração ou decidir que ela só tenha eficácia a partir de seu transito em julgado ou de outro momento que venha a ser fixado.

1a. Exceção: EFEITOS EX NUNC: nao retroage, só a partir do transito em julgado da decisão em sede da ADI – desde que, fixados por 2/3 do ministros do STF.

2a. Exceção: efeitos desde o momento escolhido pelo STF – deve ser entre a edição da norma e a publicação oficial da decisão. Porque posterior nao é permitido, uma vez que com a declaração de inconstitucionalidade publicada, a norma é retirada do ordenamento jurídico.

Para ser restringidos os efeitos da declaração, devem estar visíveis:

Requisitos formais: decisão por 2/3 dos membros;

Requisitos materiais: razoes de segurança jurídica ou de excepcional interesse social.

Efeitos erga omnes: são para todos.

Efeitos vinculantes: com relação aos órgãos do Poder Judiciário e à Administração Publica federal, estadual ou municipal (art. 28, p.u.).

Por fim, entende-se que, uma vez interpretada a norma constitucional abstratamente, em sede de ADI, a Corte Suprema define seu alcance e significado, que deverá ser respeitado por todos os demais órgãos estatais, sob pena de desrespeito à sua função constitucional.