Captulo 4 parcial
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Captulo 4 parcial

Disciplina:Contabilidade Social e Balanço de Pagamentos119 materiais1.338 seguidores
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4. O formato atual das Contas Nacionais do Brasil (SNA 93)

4.1 Os elementos integrantes do novo sistema

A partir de 1997, mais uma vez seguindo orientação da Organização das Nações Unidas, a Fundação IBGE modificou a forma de apresentação do Sistema de Contas Nacionais do Brasil para adaptá-lo às recomendações do SNA 1993. Divulgado ao final desse ano, a nova série de contas apresenta dados que são retroagidos inicialmente até o ano de 1995 e mais à frente até o ano de 1990. O formato anterior alcançou as contas até 1996. O novo desenho do sistema foi elaborado sob a responsabilidade conjunta de cinco organizações: as Nações Unidas (ONU), o Fundo Monetário Internacional (FMI), a Comissão das Comunidades Européias, a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e o Banco Mundial. Apesar das enormes diferenças entre este sistema e o anteriormente vigente, seus fundamentos, como reconhece a própria ONU,� permanecem os mesmos e os princípios contábeis anteriormente apresentados continuam a ser válidos.

Segundo a própria ONU, a nova proposta visa “apresentar um sistema de contas que, embora mantendo os fundamentos dos anteriores, seja atualizado, flexível e harmônico. Atualizado, para acompanhar a evolução das economias nas quais inflação, mudanças no papel do governo, desenvolvimento das comunicações e da informática, maior complexidade das instituições e dos mercados financeiros e a crescente preocupação com o meio ambiente direcionassem a adaptação dos conceitos e das mudanças metodológicas. Flexível, para viabilizar sua aplicação tanto em economias que estão se tornando mais complexas quanto naquelas que estão experimentando outros tipos de mudança como a passagem para a economia de mercado. Finalmente, a harmonização do SNA 1993 com outros sistemas internacionais de estatísticas, a exemplo do Manual​ de Balanço de Pagamentos do Fundo Monetário Internacional, foi bem mais significativa do que nos SNA anteriores”.
Como deixa claro o texto acima, as mudanças implementadas pelo SNA 1993 não são mudanças de fundamento, mas de forma. Do ponto de vista conceitual, portanto, continuam a ter validade todas as considerações apresentadas nos capítulos anteriores. Além disso, apesar de nos referirmos agora não mais a créditos e débitos, mas sim a recursos e usos, continuam a ser válidos os princípios contábeis que nortearam todos os sistemas de contabilidade nacional até hoje desenhados.

O novo sistema é bem mais complexo e rico em informações do que o sistema consolidado que vigorou até 1996. Além disso, ele é constituído pela integração de instrumentos de mensuração dos agregados econômicos que têm natureza distinta. De um lado, temos as tabelas de recursos e usos (TRU), que têm sua estrutura básica assentada na matriz insumo-produto (cujos fundamentos estão apresentados no anexo 2.1 do capítulo 2). De outro temos as contas econômicas integradas (CEI), um conjunto integrado de peças contábeis que se aproxima muito das quatro contas do sistema anteriormente vigente (SNA 68). Finalmente, é preciso considerar que as CEI são, na realidade, o resultado da análise do desempenho da economia por setores institucionais, de modo que as contas econômicas integradas por setores institucionais são também elementos fundamentais para a compreensão da dinâmica de funcionamento do novo sistema. Como as contas econômicas integradas (CEI) dependem das informações das tabelas de recursos e usos (TRU), investigaremos inicialmente o desenho desse instrumento para posteriormente nos determos no sistema CEI.

4.2 As Tabelas de Recursos e Usos (TRU)

As Tabelas de Recursos e Usos do sistema brasileiro de contas nacionais conformam um conjunto constituído por 6 matrizes, as quais contêm os seguintes conteúdos e estão dispostas tal como no diagrama abaixo:

A – matriz de Oferta

A1 – matriz de Produção

A2 – matriz de Importação

B1 – matriz de Consumo Intemediário

B2 – matriz de Demanda Final

C – matriz de Componentes do Valor Adicionado
	Tabelas de Recursos e Usos (TRU)

	Tabelas de RECURSOS de Bens e Serviços

	A
	A1
	A2

	Tabelas de USOS de Bens e Serviços

	
	B1
	B2

	
	C
	

 Entre essas matrizes estabelecem-se as seguintes relações:

	A = A1 + A2 (I)

A = B1 + B2 (II)

C = A1 – B1 (III)

A relação (I) indica que, para cada tipo de atividade econômica existente, a oferta total da economia é igual à produção interna mais a importação. Essa oferta total, porém deve igualar-se à demanda total, o que é demonstrado pela relação (II). Essa mesma relação mostra também que a demanda total é constituída pela demanda para consumo intermediário e pela demanda por bens finais. Como são constituídas setor a setor, a soma das matrizes B1 e B2 e C conforma uma matriz insumo-produto, tal como mostrado anteriormente, sendo que a demanda final aparece discriminada por seus componentes (consumo das famílias e consumo das administrações públicas, formação bruta de capital fixo, variação de estoques e demanda externa). Finalmente a relação (III) mostra que se chega ao valor adicionado de cada setor e ao valor adicionado total da economia (PIB), deduzindo, do valor da produção, o consumo intermediário.
Para entender a estrutura da TRU vamos proceder a algumas simplificações, usando um exemplo hipotético de economia aberta e com governo. Se bem compreendido o funcionamento da TRU por meio desse exemplo, o leitor não terá dificuldade de acompanhar as TRU do Brasil, que se encontram no Apêndice Estatístico ao final do livro. A tabela 3.2, a seguir, mostra esse exemplo.
�
	Tabela 3.2 - Tabela de Recursos e Usos (TRU) para uma economia hipotética H no período t

	
Tabela de RECURSOS de Bens e Serviços
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	

	
	Oferta de Bens e Serviços
	Produção das Atividades
	Total da Econ
	Im

por

ta

ção
	
	
	
	
	
	

	Descrição do produto
	Oferta Total p. consum.
	Marg Com. e Transp.
	Imp. s/ produ-tos e import.
	Oferta Total p. básicos
	Setor A
	Setor I
	Setor S
	Setor F
	Setor C+T
	Setor G
	Total da Ativ.
	
	
	
	
	
	
	
	

	Setor A
	600
	60
	24
	516
	468
	24
	0
	0
	0
	12
	504
	
	12
	
	
	
	
	
	

	Setor I
	3.600
	360
	360
	2.880
	48
	2.520
	36
	0
	12
	24
	2.640
	
	240
	
	
	
	
	
	

	Setor S
	2.400
	240
	240
	1.920
	0
	0
	1.920
	0
	0
	0
	1.920
	
	0
	
	
	
	
	
	

	Setor F
	480
	0
	24
	456
	0
	0
	0
	444
	0
	0
	444
	
	12
	
	
	
	
	
	

	Setor C+T
	240
	-660
	12
	888
	0
	12
	0
	0
	840
	0
	852
	
	36
	
	
	
	
	
	

	Setor G
	840
	0
	0
	840
	0
	0
	0
	0
	0
	840
	840
	
	0
	
	
	
	
	
	

	TOTAL
	8.160
	0
	660
	7.500
	516
	2.556
	1.956
	444
	852
	876
	7.200
	
	300
	
	
	
	
	
	

	Tabela de USOS de Bens e Serviços
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	
	

	
	
	
	
	
	Consumo Intermediário das Atividades
	
	
	
	
	
	
	
	

	Descrição do produto
	Oferta Total p. consum.
	
	
	
	Setor A
	Setor I
	Setor S
	Setor F
	Setor C+T
	Setor G
	Total da Ativ.
	
	Ex

Por

ta

ção
	Cons

de

AP
	Cons

das

Famil.
	FBKF
	Var.

Esto-ques
	Dem

Final
	Dem

Total

	Setor A
	600
	
	84
	300
	18
	0
	0
	18
	420
	
	36
	0
	126
	12
	6
	180
	600

	Setor I
	3.600
	
	120
	1.260
	372
	18
	240
	114
	2.124
	
	168
	0
	804
	480
	24
	1.476
	3.600

	Setor S
	2.400
	
	6
	24
	60
	6
	60
	144
	300
	
	36
	0
	2040
	24
	0
	2.100
	2.400

	Setor F
	480
	
	18
	156
	42
	48
	54
	30
	348
	
	24
	0
	108
	0
	0
	132
	480

	Setor C+T
	240
	
	6
	72
	24
	6
	60
	6
	174
	
	18
	0
	48
	0
	0
	66
	240

	Setor G
	840
	
	0
	0
	0
	54
	0
	0
	54
	
	0
	786
	0
	0
	0
	786
	840

	TOTAL
	8.160
	
	234
	1.812
	516
	132
	414
	312
	3.420
	
	282
	786
	3.126
	516
	30
	4.740
	8.160

	
	
	
	
	
	Componentes do Valor Adicionado
	
	
	
	
	
	
	
	

	Valor Adicionado Bruto (PIB)
	
	
	282
	744
	1.440
	312
	438
	564
	3.780

(VAB)
	4.440
	= PIB
	
	
	
	
	

	Remuner. (a+b)
	
	
	60
	420
	792
	150
	240
	564
	2.226
	2.226
	
	
	
	
	
	
	

	a) Salários
	
	
	48
	336
	660
	120
	192
	420
	1.776
	1.776
	
	
	
	
	
	
	

	b) Contrib. Soc
	
	
	12
	84
	132
	30
	48
	144
	450
	450
	
	
	
	
	
	
	

	EOB
	
	
	192
	276
	492
	132
	144
	0
	1.236
	1.236
	
	
	
	
	
	
	

	Rend. Auton.
	
	
	30
	42
	132
	30
	54
	0
	288
	288