Captulo 4 parcial
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Captulo 4 parcial

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Antes de analisarmos o exemplo, cabe lembrar que no âmbito do sistema brasileiro de contas nacionais, os setores que aparecem nas tabelas de recursos e usos são os seguintes: Agropecuária (A), Indústria (I), que engloba indústria de transformação, indústria extrativa mineral, construção civil e serviços industriais de utilidade pública, Comércio (C), Transportes (T), que envolve também Correio e Armazenagem, Intermediação Financeira (F), que envolve também seguros e previdência complementar, Serviços (S), que envolve também atividades imobiliárias, aluguel e serviços de informação e administração pública (G), que envolve também saúde e educação públicas. De forma condensada, nosso exemplo traz todos esses setores.

A primeira matriz de nosso exemplo mostra que:
	preços ao consumidor = preços básicos + impostos sobre produtos e importação líquidos de subsídios + margens de comércio e transporte

O conceito de preços ao consumidor é correlato ao anteriormente visto como preços de mercado. Já o conceito de preços básicos aplica-se mais adequadamente aos setores e não corresponde, por isso, ao conceito anterior de custo de fatores, visto que, neste último, estavam implicitamente consideradas, para cada setor, as margens de transporte e comércio. Todavia, no agregado, essa correspondência é válida, já que as margens de comércio e transporte desaparecem na medida em que o comércio e o transporte constituem-se, eles mesmos, em setores de produção. As linhas da matriz A, bem como de suas componentes A1 e A2 correspondem aos seis grandes setores anteriormente apresentados. Assim, esse quadrante nos indica, por exemplo, que a oferta total do setor I alcançou, no ano em questão, o valor de $ 3.600 avaliada a preços de consumidor, montante esse resultante de $ 2.880, quando avaliada a preços básicos, mais $ 360 de impostos sobre produtos e importação,� mais $ 360 referentes à margem de comércio e transporte.

Cabe explicar ainda o sinal de menos colocado à frente do valor referente à margem de comércio e transporte do setor C + T. Como já adiantamos, quando consideramos a produção no agregado, não faz sentido falar em margem de comércio e transportes, visto que o comércio e o transporte constituem, também eles, setores de produção. Assim, torna-se necessário apresentar o valor dessa margem para cada um dos setores da economia, mas zerar o valor da coluna (que indica o valor total da oferta), já que, no agregado, a margem é zero. De outro lado, no que diz respeito à soma da linha, é o valor negativo para a margem de comércio e transporte que produz, unicamente para esse setor, um valor da oferta a preços básicos maior do que seu valor a preços de consumidor.

Passemos então à matriz A1, que, como vimos, informa os valores alcançados pela produção doméstica. Nesta matriz, cada linha indica em quais atividades os produtos são produzidos, enquanto as colunas mostram a composição dos produtos produzidos pelas atividades. Assim, por exemplo, ficamos sabendo que, no ano em questão, o país produziu $ 504 em produtos agropecuários (que são os produtos característicos do setor A), tendo sido $ 468 desse valor produzido pela própria atividade agropecuária, enquanto a atividade industrial (setor I) produziu mais $ 24, e o governo (setor G) produziu os $ 12 restantes (por exemplo, por meio de programas de hortas comunitárias ou de instituições como a Embrapa). Da mesma maneira, ficamos sabendo que, o setor industrial (setor I), produziu uma oferta total no valor de $ 2.556, sendo $ 2.520 em produtos industriais, mais $ 24 em produtos do setor agropecuário, mais $ 12 em serviços de comércio e transporte. O aparecimento de valores fora das caselas onde se esperaria que eles aparecessem deve-se ao fato de que os setores não são puros, ou seja, dentro, por exemplo, da atividade industrial, encontramos também produção de bens agrícolas e de serviços de transporte. O mesmo ocorre com as demais atividades.

A matriz A2, como vimos, traz os valores, em moeda local, alcançados pelas importações de bens e serviços realizadas pelo país. Por meio dele ficamos sabendo que o país importou $ 12 em produtos agropecuários, $ 240 em produtos industriais e assim por diante. Respeitando as equações básicas anteriormente apresentadas, o somatório dos valores dessa matriz com aqueles da produção doméstica (coluna “total da atividade” da matriz A1), chegamos à oferta total a preços básicos de cada tipo de produto tal como apresentado pela matriz A. Por exemplo, a oferta total a preços básicos de $ 2.880 em bens industriais (bens típicos do setor I) resultou da produção de $ 2.640 realizada domesticamente mais $ 240 em importações. A mesma relação vale evidentemente para os demais produtos bem como para a linha final que agrega a totalidade da oferta.

Vejamos agora a matriz B1. Como já adiantamos, essa matriz constitui parte importante da matriz insumo-produto (matriz IXP), já que mostra as compras intermediárias que os setores e unidades empresariais efetuam entre si para obter os insumos necessários à produção de seus bens. Assim, a matriz B1 vai nos mostrar quanto cada um dos seis setores comprou em insumos aos demais setores. Ficamos sabendo, então, que, no período em questão, para produzir seus $ 2.556 em valor (sendo $ 2.520 em produtos industriais, mais $ 24 em produtos agropecuários, mais $ 12 em serviços de comércio e transporte), o setor I precisou de $ 300 em insumos vindos do setor A, mais $ 1.260 em insumos vindos do próprio setor I, mais $ 24 em insumos do setor S, mais $ 156 em insumos vindo do setor F, e mais $ 72 em insumos dos setores C + T, totalizando, em compras intermediárias, ou consumo intermediário, o valor de $ 1.812.

Daí já se obtém imediatamente o valor adicionado ou produto do setor I. Temos, de um lado, na matriz A1, o valor total da produção das atividades desenvolvidas por esse setor no período t, que foi de $ 2.556; de outro, a partir da matriz B1, sabemos que o valor do consumo intermediário desse setor no mesmo período foi de $ 1.812. Assim, deduzindo o segundo valor do primeiro, temos o valor adicionado por esse setor no período em questão. Esse mesmo cálculo pode ser feito para todos os demais setores. Por isso, a primeira linha da matriz C é precisamente aquela que aponta o valor adicionado de cada setor. Desnecessário dizer que a soma dos valores que compõem a linha do valor adicionado bruto produz o valor do PIB a preços básicos (ou a custo de fatores), ou seja, $ 3.780, valor esse que, somado ao valor dos impostos líquidos de subsídios sobre produtos e importação, produz o valor do PIB a preços de consumidor (ou a preços de mercado), que é de $ 4.440 e encontra-se destacado na tabela.

Cabe aqui uma observação sobre o consumo dos serviços de intermediação financeira pelos demais setores. Como esses serviços (que constituem um dos insumos produzidos pelo setor F) só podem ser indiretamente mensurados, e como não havia critério para sua distribuição dentre os demais setores, optou-se, até há poucos anos, pela criação de um setor artificial denominado dummy financeira, de produção nula e consumo intermediário igual ao valor total dos serviços de dívida pagos (portanto de valor adicionado negativo). Ocorre que esse valor faz parte no agregado do valor bruto da produção da economia (pois faz parte do valor da produção do setor F),mas não cria valor, não adiciona valor, uma vez que, em sua maior parte, o setor F apenas intermedeia o pagamento de juros de devedores a credores. Com esse artifício, apesar de não aparecer absorvido pelos diversos setores, esse valor aparecia como um valor intermediariamente consumido (por esse setor artificial), sem inflar, portanto, o valor adicionado da economia. Recentemente, o tratamento dado a essa questão se alterou, pois o SIFIM (Serviços de Intermediação Financeira Indiretamente