Captulo 4 parcial
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Captulo 4 parcial

Disciplina:Contabilidade Social e Balanço de Pagamentos119 materiais1.338 seguidores
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Mensurados) passou a ser distribuído entre os setores utilizando-se como critério a participação de cada um no valor adicionado total. Com isso desapareceu o setor artificial dummy.

Consideremos agora a matriz B2, que discrimina a demanda final em seus componentes básicos e cujos valores totais, somados, no agregado e setorialmente, àqueles apresentados na matriz B1, recuperam o valor da oferta total de bens e serviços (coluna demanda total), tal como indica a equação básica da tabela de usos de bens e serviços das TRU. De maneira idêntica à estrutura do lado do crédito da conta de produção (ou conta PIB) do sistema anterior, temos nesse quadrante a decomposição da demanda agregada (ou demanda final) em demanda externa (exportações), consumo das famílias e do governo, formação bruta de capital fixo e variação de estoques. Cada um desses elementos constitui uma coluna, e nas linhas encontramos as contribuições de cada um dos setores para a constituição dessa demanda final.

Finalmente, resta comentar o quadrante C, que decompõe o valor adicionado de cada um dos setores nas categorias de renda e impostos sobre a produção. Como já mencionamos, a primeira linha indica o valor adicionado gerado em cada um dos setores e seus valores são obtidos deduzindo-se, do valor total de cada setor (última linha da matriz A1), o valor de seu respectivo consumo intermediário (última linha da matriz B1). As linhas seguintes dessa matriz C mostram a decomposição do valor adicionado de cada setor, indicado na primeira linha do quadrante, nas seguintes categorias: i) remunerações, que se subdivide em salários e contribuições sociais; ii) excedente operacional bruto; iii) rendimento de autônomos; iv) impostos líquidos de subsídios sobre produtos e importação; v) outros impostos sobre a produção; e vi) outros subsídios​ sobre a produção. Por meio da análise das informações desse quadrante podemos saber, por exemplo, que dos $ 744 de valor adicionado gerados pelo setor I, $ 420 tomaram a forma de remunerações, sendo $ 336 em salários e $ 84 em contribuições sociais; $ 276 constituíram o excedente operacional bruto do setor, $ 42 constituíram rendimento de autônomos, enquanto $ 6 tomaram a forma de outros impostos sobre a produção líquidos de outros subsídios sobre a produção. A mesma análise pode ser feita para todos os demais setores.

O leitor certamente está se perguntando o que é que diferencia o item (iv) dos itens (v) e (vi) e por que razão o primeiro aparece assinalado apenas pelo seu valor total, enquanto os demais aparecem decompostos por setor. Essa diferença na forma de tratamento explica-se pela natureza do imposto. Os impostos que estão englobados no item (iv) incidem diretamente sobre os produtos, alterando seus preços (como o IPI, o ICMS e o ISS). Já os impostos englobados no item (v) também têm como fato gerador a produção, mas não alteram diretamente o preço dos produtos, ocupando, por isso, uma parcela do valor adicionado de cada setor (como se fosse uma espécie de “renda do governo”). Um exemplo desse tipo de imposto encontra-se naqueles tributos que incidem sobre a folha de pagamentos (como, por exemplo, a contribuição social sobre o lucro líquido – CSLL). Esses valores estão, portanto, obviamente deduzidos dos subsídios correspondentes, estão incluídos nos valores adicionados setoriais apresentados nas linhas acima. Daí porque o valor do PIB é encontrado somando-se ao valor adicionado bruto total (VAB), no nosso exemplo $ 3.780, apenas o valor dos impostos sobre produtos $ 660. No que concerne à terminologia do sistema, quando falamos em “impostos sobre produtos” estamos nos referindo apenas a estes últimos, ou seja, aqueles que alteram o valor do produto (no nosso exemplo $ 660), enquanto que, quando falamos em “impostos sobre produção”, estamos nos referindo à totalidade desses impostos, ou seja, “impostos sobre produtos” e “outros impostos sobre a produção” (no nosso exemplo, $ 660 + $30 = $ 690).

3.3 As Contas Econômicas Integradas (CEI)

As Contas Econômicas Integradas (CEI) são preparadas a partir das informações constantes das TRU e são inicialmente elaboradas por setores institucionais, ou seja, com seus valores discriminados em: 1) empresas não financeiras; 2) empresas financeiras; 3) administrações públicas; 4) instituições sem fins lucrativos a serviço das famílias (ISFSF); e 5) famílias. Além disso, também fazem parte das CEI institucionais, funcionando como uma espécie de 6º setor institucional, o resto do mundo. As CEI que agora veremos, e que, apesar do formato diferente que têm, pois trabalham com recursos e usos e não mais com créditos e débitos, se aproximam do sistema de 4 contas que vigorou no Brasil até 1996, constituem, na realidade, o resultado agregado das estimativas elaboradas nesses 6 diferentes setores institucionais.
Por apresentarem apenas os resultados agregados as CEI são de compreensão mais simples e intuitiva do que as CEI institucionais e por isso elas serão analisadas em primeiro lugar.	As CEI são constituídas por 5 contas (contas 0 a 4) e 7 subcontas (2.1.1, 2.1.2, 2.2, 2.3, 4.1, 4.2 e 4.3) divididas em 3 grupos (A, B e C), assim estruturados:

	Estrutura das contas Econômicas Integradas (CEI)

	Grupo A Conta de Bens e Serviços

	
	Conta 0 Conta de Bens e Serviços

	Grupo B Contas de Produção, Renda e Capital

	
	Conta 1 Conta de Produção

	
	Conta 2 Conta de Renda

	
	
	Conta 2.1 Conta de Distribuição Primária da Renda

	
	
	
	Conta 2.1.1 Conta de Geração de Renda

	
	
	
	Conta 2.1.2 Conta de Alocação de Renda

	
	
	Conta 2.2 Conta de Distribuição Secundária da Renda

	
	
	Conta 2.3 Conta de Uso da Renda

	
	Conta 3 Conta de Acumulação

	Grupo C
	Conta das Operações correntes com o Resto do Mundo

	
	Conta 4 Conta de Operações Correntes com o Resto do Mundo

	
	
	Conta 4.1 Conta de Bens e Serviços do RM com a econ. Nacional

	
	
	Conta 4.2 Conta de Distribuição Primária da Renda e Transferências
 Correntes do RM com a econ. nacional

	
	
	Conta 4.3 Conta de Acumulação do RM com a econ. nacional

Essas contas, como já adiantado, não seguem o tradicional formato débito/crédito, mas tal como as TRU, utilizam a nomenclatura usos e recursos. Outra inovação é que as rubricas aparecem no centro da conta e os valores lançados como usos ou recursos, à esquerda e à direita respectivamente dessas rubricas. Segue-se, dessa forma, a convenção contábil de colocar o débito (uso) do lado esquerdo e o crédito (recurso) do lado direito da peça contábil. A única conta que escapa dessa convenção, por razões que ficarão logo claras, é justamente a Conta 0, ou Conta de Bens e Serviços que veremos em seguida. Para facilitar a compreensão continuaremos com o mesmo exemplo numérico já utilizado no estudo das TRU.

	 Grupo A - Contas de Bens e Serviços (período t)
 Conta 0 - Conta de Bens e Serviços

	Recursos
	Operações e Saldos
	Usos

	7.200
	Produção (VBP)
	

	300
	Importação de Bens e Serviços (M)
	

	660
	Impostos líquidos de subsídios sobre

produtos e importação (IpM - Sub.pM)
	

	110
	Imposto de importação (IM)
	

	550
	Demais impostos sobre produtos (Ipd)
	

	
	Consumo Intermediário (CI)
	3.420

	
	Consumo final (administ. públicas e famílias) (CF)
	3.912

	
	Formação Bruta de Capital Fixo (FBKF)
	516

	
	Variação de Estoques (VarE)
	30

	
	Exportação de Bens e Serviços (X)
	282

	8.160
	TOTAL
	8.160

 Como é fácil perceber, a conta 0 procura demonstrar a igualdade entre oferta total e demanda total da economia, mas o faz no nível da produção total (não no nível do produto ou PIB), pois do lado dos recursos (oferta) insere-se o valor bruto da produção (VBP) e, no lado dos usos (demanda) acrescenta-se, ao lado dos componentes da demanda agregada (consumo final, FBKF, variação de estoques e exportações), também o consumo intermediário (CI). Esta conta, na realidade, não faz parte do sistema (quando as