Captulo 4 parcial
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Captulo 4 parcial

Disciplina:Contabilidade Social e Balanço de Pagamentos119 materiais1.338 seguidores
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na conta anterior), como pode também ocorrer a situação contrária, ou seja, não residentes pagando a residentes remunerações por trabalhos prestados. Ora esse tipo de renda tem de ser incorporada ao agregado RNB, assim como devem ser incorporados os recebimentos decorrentes de rendas de propriedade. Daí o aparecimento nesta conta da rubrica Wrn.
Este seria, portanto, o montante de renda à disposição dos residentes para consumir ou poupar. Contudo este valor ainda não está correto. Até aqui temos a renda nacional que se obtém considerada apenas a distribuição primária da renda, vale dizer aquela que de imediato se aloca entre os vários setores institucionais (empresas financeiras e não financeiras, administrações públicas, ISFSF, famílias e resto do mundo). Mas esta distribuição primária não é aquela que efetivamente permanece. Dadas as transferências existentes entre esses setores (como, por exemplo, a que vai das administrações públicas às famílias), o quinhão final de renda que cabe a cada setor fica bastante alterado. Se essas transferências se dessem exclusivamente entre setores domésticos, isto não faria a menor diferença no plano agregado, pois o que um setor recebe, o outro deixa de ter. Tais operações apareceriam, portanto, apenas no nível desagregado das CEI, ou seja, nas CEI institucionais. Contudo, dentre os setores que compõem a economia, acima listados, encontramos também o próprio resto do mundo, e também entre este e os setores domésticos ocorrem transferências. Portanto, é preciso considerar esses valores para que se chegue ao efetivo montante de renda à disposição dos residentes para consumir ou poupar, ou seja, ao agregado Renda Nacional Disponível Bruta (RDB). A conta seguinte, (Conta 2.2 Conta de Distribuição Secundária da Renda) ao trazer para as CEI o resultado agregado da distribuição secundária da renda, mostra justamente essas operações.
	 Grupo B - Contas de Produção, Renda e Capital

 Conta 2 - de Renda

 Conta 2.2 - de Distribuição Secundária da Renda

	Usos
	Operações e Saldos
	Recursos

	
	Renda Nacional Bruta (RNB)
	4.104

	30
	Outras receitas correntes enviadas (Te)

e recebidas do resto do mundo (Tr)
	60

	4.134
	Renda Nacional Disponível Bruta (RDB)
	

Das operações até aqui apresentadas pelas contas, temos, portanto, a seguinte seqüência de operações:

	VBP - CI + (IpM-Sub.pM) = PIB (Conta 1 - de Produção)

PIB - (W + Wnr) - (Ipç-Sub.pç) = EOB (Conta 2.1.1 - de Distrib. Primária da Renda - Geração)
EOB + (W + Wrn) + (Ipç-Sub.pç) + (Rppr - Rppe) = RNB (Conta 2.1.2 - de Distrib. Primária da Renda - Alocação)
RNB + (Tr - Te) = RDB (Conta 2.2 - de Distrib. Secundária da Renda)

Tendo chegado no agregado RDB, o que temos agora que saber é como essa renda foi alocada pelos residentes entre Consumo e Poupança. A próxima conta (Conta 2.3 – Conta de Uso da Renda) demonstra qual a participação de cada um desses dois diferentes usos na RDB, ou seja, mostra como essa renda disponível foi afinal alocada entre consumo e poupança. Ela mostra, portanto, a Poupança Bruta ou Poupança Doméstica (SD) efetuada pela economia num dado período de tempo.
	 Grupo B - Contas de Produção, Renda e Capital

 Conta 2 - de Renda

 Conta 2.3 - de Uso da Renda

	Usos
	Operações e Saldos
	Recursos

	
	Renda Nacional Disponível Bruta (RDB)
	4.134

	3.912
	Despesa de Consumo Final (CF)
	

	222
	Poupança Bruta (SD)
	

A conta nos mostra que, de seus $ 4.134 de RDB, a economia H utilizou, no período t, $3.912 para Consumo, poupando $222.� Essa poupança deve ser agora cotejada com o investimento feito no período por essa economia, ou seja, com o dispêndio em FBKF e em variação de estoques para que se possa saber se, no período, a economia em questão teve necessidade de financiamento (externo), ou se, ao contrário, foi capaz de financiar o resto do mundo. A Conta 3 - Conta de Capital apresenta esse cotejo.

		 Grupo B Contas de Produção, Renda e Capital (período t)
 Conta 3 - Conta de Acumulação (Conta de Capital)

	Usos
	Operações e Saldos
	Recursos

	
	Poupança Bruta (SD)
	222

	516
	Formação Bruta de Capital Fixo (FBKF)
	

	30
	Variação de Estoques (Var.E)
	

	36
	Transferências de Capital enviadas (Tce) e recebidas (Tcr) do Resto do Mundo
	100

	(-) 260
	Capacidade (+) ou Necessidade (-) de financiamento externo (+ ou - S.ext)
	

 Como nos mostra a conta 3, no período t, nossa economia H teve uma poupança doméstica bruta insuficiente para sustentar seus investimentos e foi financiada pelo resto do mundo. Os valores Tce e Tcr referem-se a transferências ocorridas nesse período do resto do mundo para a economia H e vice-versa, mas transferências de natureza distinta daquelas que aparecem nos itens Te e Tr da conta 2.2. O que distingue esses itens é a natureza da transferência, pois no primeiro caso trata-se de transferências correntes, ou seja, que alteram os fluxos de renda, enquanto que no segundo trata-se de transferências que envolvem estoques de capital. Em função disso, essas transferências de capital não aparecem nas contas anteriores, mas apenas nesta conta de acumulação, visto que sua finalidade é justamente mostrar a formação de capital, ou seja, o aumento do estoque de riqueza da economia no período em questão. Exemplos
Assim, se o país, além de despender renda com formação bruta de capital fixo e acumular estoques, resolve ainda transferir capital para o resto do mundo (no nosso caso, Tce = 36), então essa transferência tem de entrar no cotejo entre investimento e poupança que a conta justamente demonstra. De outro lado, para se saber qual o resultado final disso (ou seja, se o país vai financiar o exterior ou ser financiado por ele), é preciso também acrescentar à poupança doméstica (SD) as transferências de capital recebidas no período (no nosso caso Tcr = 100). Analisando a conta de capital acima, ficamos então sabendo que, no período t, a economia H para efetivar os investimentos que fez, recebeu financiamento do resto do mundo no valor de $ 260.

Como o leitor já deve ter percebido, esta conta equivale à conta de capital do modelo anterior de contas nacionais (SNA 68) que vigorou no Brasil até 1996. Mas havia ainda ali a conta de transações correntes com o resto do mundo que, no novo sistema equivale ao grupo C das CEI. Por limitações de espaço não vamos apresentar aqui todo esse conjunto de contas. Contudo, para fechar o conjunto de contas da economia H até aqui apresentado, vamos apresentar uma conta síntese de transações com o resto do mundo, a qual demonstrará o resultado obtido na conta de capital.

		4.2.2.2	 Grupo C Conta das Operações Correntes com o Resto do Mundo

	Usos
	Operações e Saldos
	Recursos

	282
	Exportação de bens e serviços (X)
	

	
	Importação de bens e serviços (M)
	300

	150
	Rendas de Propriedades enviadas (Rppe)

e recebidas do resto do mundo (Rppr)
	500

	40
	Remunerações pagas (Wnr) e recebidas (Wrn) do Resto do mundo
	26

	60
	Outras receitas correntes enviadas (Te)

e recebidas do resto do mundo (Tr)
	30

	100
	Transferências de Capital enviadas (Tce) e recebidas (Tcr) do Resto do Mundo
	36

	
	Capacidade (+) ou Necessidade (-) de financiamento externo (+ ou - S.ext)
	(-) 260

Lembrando que a conta de operações com o Resto do Mundo é sempre feita do ponto de vista do Resto do Mundo, percebemos pela conta acima que, no período t, o Resto do Mundo realizou operações com essa economia que lhes deram recursos totais de $ 892, para uma utilização de apenas $ 632. Assim os restantes $ 260 contaram como poupança externa a complementar a poupança doméstica da economia H, frente aos investimentos realizados.

Antes de encerrar este capítulo,