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10a. Aula

AÇAO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE INTERVENTIVA

ADIN INTERVENTIVA

1. Previsão: art. 34, VII, CF.

Art. 34: A União nao intervirá nos Estados nem no Distrito Federal, exceto para:

VII – assegurar a observância dos seguintes princípios constitucionais:

forma republicana, sistema representativo e regime democrático;

direitos da pessoa humana;

autonomia municipal;

prestação de contas da administração publica, direta e indireta;

aplicação do mínimo exigido da receita resultante de impostos estaduais, compreendida a proveniente de transferências, na manutenção e desenvolvimento do ensino e nas ações de serviços públicos de saúde.

Vejamos, a regra de nossa federação é preservar a autonomia entre os entes federativos, porem, excepcionalmente, a constituição permite a intervenção, nos casos taxativos previstos no art. 34, CF.

Uma das hipóteses de decretação da intervenção federal está no art. 34, VII, fundamentando-se na violação dos princípios sensíveis.

São denominados princípios sensíveis constitucionais, pois sua inobservância pelos Estados-membros ou DF no exercício de suas competências legislativas, administrativas ou tributarias poder acarretar a sanção política mais grave – intervenção federal.

 Assim, qualquer lei ou ato normativo do Poder Publico, no exercício de sua competência constitucionalmente deferida que venha violar um dos princípios sensíveis, será passível de controle concentrado de constitucionalidade, pela via ADIN Interventiva.

Exemplos: se o Estado edita emenda à CE que viola principio constitucional sensível, esse ato pode ser objeto de ADIN Interventiva. (ex.: uma norma que tornasse os deputados vitalícios – viola o sistema representativo).

2. Legitimidade:

Art. 36, III, CF – PGR.

A ADIN Interventiva será proposta pelo PGR, este detém legitimidade exclusiva.

OBS: no caso de violação de princípios sensíveis constitucionais por ato estadual é caso de ADIN interventiva.

O PGR, no exercício de suas funções, e com base na independência do MP, nao está obrigado a ajuizar ação perante o STF; é perfeitamente aceitável o arquivamento de qualquer representação que lhe tenha sido encaminhada (discricionariedade).

3. Finalidade da ADIN Interventiva:

a) pretende a declaração de inconstitucionalidade formal ou material da lei ou ato normativo estadual (jurídica);

b) a decretação de intervenção federal no estado-membro ou DF (política).

4. Procedimento:

* O PGR ingressa com a ADIN pedindo ao STF que requisite a intervenção federal ao Presidente pelo reconhecimento da inconstitucionalidade de uma norma estadual em face dos princípios sensíveis da CF;

* julgada procedente a ADIN interventiva e apos seu transito em julgado, o STF comunicará a autoridade interessada, bem como ao Presidente da Republica.

* O presidente baixará um decreto que intervém no plano normativo, é uma intervenção normativa. Por meio do decreto, o Presidente suspende a execução do ato impugnado (ato estadual). Pode ser que a intervenção normativa baste para restabelecer a normalidade.

* Caso nao seja suficiente, será decretada a intervenção, rompendo-se momentaneamente com a autonomia do Estado-membro.

ADIN POR OMISSAO

1. Objetivo: foi conceder plena eficácia às normas constitucionais que dependessem de complementação infraconstitucional.

1.1. Cabimento: assim terá cabimento a ADIN por Omissão – quando o Poder Publico se abstém de um dever que a CF lhe atribuiu.

2. Objeto: a hipótese de ajuizamento decorre de omissão do Poder Publico com relação às normas constitucionais de eficácia limitada, em que a Constituição investe o legislador na obrigação de expedir comandos normativos.

Exs.: art. 128, p. 5o., CF: que estabelece a necessidade de edição de lei complementar para estabelecer a organização, as atribuições e o estatuto de cada MP.

Art. 7o., XI: prevê a participação dos empregados nos lucros, ou resultados da empresa, conforme definido em lei.

3. Inconstitucionalidade por Omissão: na conduta negativa consiste a inconstitucionalidade.

A CF determinou que o Poder Publico tivesse conduta positiva, com a finalidade de garantir a aplicabilidade e eficácia da norma constitucional.

A incompatibilidade entre a conduta positiva exigida pela CF e a conduta negativa do Poder Publico configura a inconstitucionalidade por omissão.

O que se pretende é preencher lacunas inconstitucionais para que todas as normas constitucionais tenham plena eficácia.

4. Legitimidade Ativa – art. 103, CF.

4.1. Legitimidade Passiva: órgão responsável pela inércia de legislar.

5. Procedimento: é o mesmo da ADIN genérica.

* Importante mencionar que, nao existe prazo para a propositura da ação, havendo porem, necessidade de verificar se houve tempo suficiente para o Poder Publico editar norma faltante.

* Nao é obrigatória a oitiva do AGU, uma vez que inexiste ato impugnado a ser defendido.

* O MP, deverá se manifestar, ante a analise do Plenário sobre a ação proposta.

6. Competência: STF.

7. Decisão do STF

Declarando o STF a inconstitucionalidade por omissão, por ausência de medida legal que torne a norma constitucional efetiva, deverá dar ciência ao Poder ou órgão competente para:

a) Órgão Administrativo: adoção das medidas necessárias no prazo de 30 dias. A fixação de prazo permite a futura responsabilização do Poder Publico administrativo, caso a omissão permaneça (é nítido o caráter mandamental da decisão do STF).

b) Poder Legislativo: ciência para adoção das providencias necessárias, sem prazo estabelecido.

Nesse caso, o Poder Legislativo tem a oportunidade e a conveniência de legislar. Nao podendo ser forçado pelo Judiciário a exercer seu múnus, sob pena de afronta a separação dos poderes.

Sem fixação de prazo, nao ha que se falar em responsabilização dos órgãos legiferantes.

7. Liminar: é incompatível. Se nem mesmo o provimento judicial ultimo pode implicar o afastamento da omissão, o que se dará quanto ao exame preliminar?