Aulas 14 e 15_Educação
8 pág.

Aulas 14 e 15_Educação

Disciplina:Economia do Setor Público379 materiais11.743 seguidores
Pré-visualização3 páginas
Aulas 14 e 15: A reforma na educação

	Em termos sociais, 2 características distinguem o Brasil no contexto internacional: elevada desigualdade de renda e baixa escolaridade média da força de trabalho, mesmo comparando com países em desenvolvimento. Essa situação se verifica tanto em períodos de crescimento, como 1950 e 1980, como em períodos de lenta expansão. Nem a desigiualdade nem o déficit educacional desaparecerão nas próximas décadas sem que se adotem políticas orientadas especificamente para melhorar a qualidade e expandir a provisão de educação, principalmente para os mais pobres.

A experiência recente: avanços e defasagens em relação a outros países.

Comparação com outros países:
No Brasil, a taxa de analfabetismo da população com 15 anos ou mais era de 13,6% em 2000, valor elevado mesmo em comparação com países emergentes. Dos países que cresceram rapidamente nas últimas décadas, só a Índia apresenta uma taxa maior que a brasileira. Embora essa taxa deja um indicador importante da escolarização básica, não descreve perfeitamente o grau de qualificação da população ou da força de trabalho. Dois indicadores mais informativos são a escolaridade média da população e a composição educacional da população em termos dos diferentes níveis de ensino (tabela 10.1 da página 252).
Temos uma baixa cobertura universitária, o que não atrai novos investimentos uma vez que um país com um grande número de pessoas com algum ensino superior tem uma maior capacidade de absorver novas tecnologias. A escolaridade média no Brasil é muito baixa para o nosso nível de renda per capta (ver gráfico 10.1 da página 254).
Para termos uma idéia das perspectivas educacionais no Brasil é necessário analisarmos o que vem ocorrendo com o fluxo educacional. Um indicador de fluxo que fornece uma medida de investimento em educação é a taxa de matrícula em diferentes níveis de ensino (tabela 10.2 da página 255). O Brasil possui uma elevada taxa de matrícula no ensino fundamental, no entanto, esta é muito baixa no ensino médio e superior. Isso sugere que não estamso em vias de virar o jogo na educação, mas também que o sistema educacional no Brasil não tem sido eficaz em assegurar o acesso universal ao ensino médio e superior.

Evolução educacional no Brasil
Brasil apresenta indicadores educacionais inferiores inclusive em comparação com países de renda per capta similar. Para analisarmos se o país vem tendo progresso nesse terreno, a tabela 10.3 da página 256 mostra a evolução da escolaridade média da população com 15 anos ou mais no Brasil entre 1960 e 2000, contrastando-a com aquela observada em alguns países selecionados. Mesmo que o Brasil mantenha o ritmo forte de crescimento educacional da década de 1990, levaremos 7 décadas para atingir a escolaridade média da Coréia. A elevação da escolaridade de Brasil reflete em grande medida a significativa expansão do ensino fundamental nas décadas de 1970 e 1980 (tabela 10.4 da página 257). A partir da década de 1990 houve uma expansão nos diversos níveis de ensino, entretanto a distorção série-idade, a elevada evasão escolar na idade de 15 a 18 ans e a baixa qualidade de ensino permanecem como desafios a serem superados.
A elevada distorção série-idade é refletida na diferença entre a taxa de matrícula líquida no ensino fundamental (maior) e a bruta. Essa diferença ocorre pois existem alunos fora da faixa etária apropriada cursando o ensino fundamental. No ensino médio a bruta é mais alta que a líquida pois há muitos alunos com mais de 17 anos matriculados nesse nível de ensino. A evasão escolar de 15 a 18 anos é evidenciada pela redução da frequência escolar nessa idade.

O que nos informam as pesquisas?

A importância da educação para a desigualdade de renda e de oportunidades.
O Brasil é um dos países mais desiguais do mundo. Estudos mostram que a educação explica entre 30% e 50% da desigualdade de renda salarial no Brasil. A educação afeta a distribuição de renda por 2 motivos: a elevada desigualdade educacional da força de trabalho e a alta taxa de retorno à educação do país (aumento do salário resultante de um ano adicional de estudo – prêmio à escolaridade). Esse prêmio é muito alto no Brasil, mas vem caindo desde 1976, exceto para o ensino superior. Isso ocorre devido à escassez relativa de trabalhadores qualificados, tanto pela escassez de oferta quanto pelo aumento da demanda, que se intensificou na década de 1990 com a abertura da economia.
A desigualdade no Brasil é alta e persistente no tempo. Uma causa importante disso é a baixa mobilidade educacional (chance de um filho de pai analfabeto ser analfabeto é muito grande, chance de alguém com pai analfabeto terminar o ensino superior é muito pequena). Embora baixa, a mobilidade tem aumentado como resultado da tendência da universalização do ensino fundamental.

Educação e crescimento ecnoômico
O nível educacional pode afetar o crescimento econômico de diversas formas. A mais imediata é aumentando a qualificação dos trabalhadores e aumentando sua produtividade. Elevação da escolaridade pode também ter efeito positivo sobre produtividade de seus colegas, e também facilita a absorção de novas tecnologias.
Alguns estudos indicam que os países onde a educação teve um impacto maior no crescimento foram aqueles que criaram os incentivos corretos para que as qualificações dos trabalhadores fossem empregadas de forma socialmente eficiente.

Outros efeitos da educação
Um indivíduo com maior educação exerce com mais plenitude sua cidadania, participa mais politicamente. Um alto nível escolar reduz criminalidade

Política educacional: a experiência dos EUA e da Coréia do Sul

O caso dos EUA
A meta inicial do sistema americano foi oferecer educação universal de modo a igualar as oportunidades. Entre 1910 e 1940 a taxa de matrícula líquida no ensino médio deu um salto muito grande, e uma das principais características nesse período foi o caráter a berto, principalmente do ensino médio, ou seja, extremamente tolerante com estudantes com pior desempenho. Nos EUA, os distritos tem autonomia financeira para tomar decisões, e como dependem dos seus próprios recursos para se financiarem, são induzidos, por efeito de competição, a se adequarem às demandas por ensino de suas localidades.
Há uma preocupação de que virtudes do sistema podem estar se tornando fraquezas. Um exemplo é a tolerância com alunos com baixo desempenho, o que pode os induzir a não se esforçar para melhorar sua performace. O esquema de financiamento descentralizado gera heterogeneidade na qualidade da educação pública entre distritos pobres e ricos. Novas medidas implementadas como vale-educação (vouchers) e charter-schools possuem uma idéia básica de fazer com que escolas públicas enfrentem maior competição por parte de escolas privadas. Também expandiram programas voltados à pré-escola, para garantir oportunidades iguais a todas as criançase jovens.

O caso da Coréia do Sul
Nas últimas décadas foi uma das economias que mais cresceuno mundo. Sua grande expansão educacional teve efeito direto no crescimento. As principais características do sistema educacional coreano são expansão acelerada, caráter igualitário, sequenciamento conservador (grande ampliação do ensino médio só foi feita quando taxas de matrícula do ensino fundamental já eram elevadas, e a do ensino superior quando o ensino médio já estava praticamento universalizado). Uma diferença é que o sistema coreano é bem mais centralizado que o americano.

A política educacional
Uma das principais inovações do governo FHC na política educacional foi a fundação da Fundef (fundo nacional para o desenvolvimento do ensino fundamental e valorização do magistério). Teve como resultado um aumento das despesas com educação nas regiões mais carentesm com expansão do ensino fundamental nessas áreas e aumento da qualidade da provisão de educação.
A constituição de 1988 aumentou a destinação de recursos para governos subnacionais, o que não implicou uma efetiva repartição de responsabilidade na provisão de bens públicos,