Jurisprudência Nascituro (3)
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Jurisprudência Nascituro (3)


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o PCR (do inglês Polimerase Chain Reaction), que permite a replicação de uma 
seqüência de DNA para análise, e o FISH (do inglês Fluorescence in situ 
Hibridization), no qual os cromossomos são marcados com reagentes luminescentes. 
É claro que a adoção dessa técnica não deixa margem a ilusão. Se os 
ADI 3.510 / DF 
embriões cujo diagnóstico é negativo são implantados e nascerão com a certeza de 
que não sofrerão das anomalias pesquisadas, é certo que aqueles cujo diagnóstico é 
positivo não serão escolhidos para implantação. Pior, serão, na grande maioria dos 
casos, simplesmente descartados. É a realidade da seleção genética, um grande 
fantasma da manipulação de embriões. 
As técnicas de manipulação de gametas e embriões desenvolvidas nas 
clínicas de reprodução assistida permitem atualmente a realização de diversos 
procedimentos de intervenção no processo de reprodução e desenvolvimento 
humanos, dos quais a seleção genética possibilitada pelo diagnóstico pré-implantação 
é apenas um dos mais simples. 
É hoje possível, por exemplo, a clonagem por divisão artificialmente 
provocada de embriões, a clonagem por intermédio da transferência do núcleo de uma 
célula somática humana para um óvulo humano, a clonagem por meio da transferência 
do núcleo de uma célula somática humana para um óvulo animal (sendo os dois 
últimos processos variações do procedimento chamado SCNT (somatic cell nuclear 
transfer), o transplante pro nuclear (transferência do pronúcleo de um óvulo fertilizado 
para um óvulo de terceiro cujo núcleo foi retirado), a partenogênese de um óvulo 
humano, a criação artificial de quimeras (através da conjugação de blastômeros obtidos 
de diferentes embriões), a ginogênese (transplante pronuclear utilizando apenas o 
núcleo da mãe) e a androgênese (transplante pronuclear utilizando apenas o núcleo do 
pai) (cf. AUSTRALIAN GOVERNMENT NATIONAL HEALTH AND RESEARCH 
COUNCIL. Human Embryo - A Biological Definition, 2005. págs.16 a 19). 
O estudo de Fukuyama e Furger reporta o caso de um casal que 
concebeu três filhos com a técnica da co-cultura, pela qual o óvulo fertilizado in vitro 
foi cultivado por vários dias em tecido animal, o que provavelmente terá transferido 
material genético animal para as crianças. Outro experimento envolveu a produção 
artificial de uma quimera humana através da fusão de blastômeros de dois embriões, 
um masculino e outro feminino. O teste, segundo o autor do estudo, visava demonstrar 
a possibilidade de uma correção genética, mas foi considerado um engodo (op.cit., 
pág. 87). 
ADI 3.510/DF 
Tudo isso mostra que a experimentação científica parece não se conter 
em limites auto-impostos. As repercussões do uso prático dessas técnicas transbordam 
do plano jurídico e das dificuldades de identificação parental para atingir o marco 
definidor da espécie humana, com conseqüências sequer imaginadas. 
É claro que para o cientista, no recôndito de sua curiosidade intelectual, 
aberto a experiências de toda ordem, o ideal é a ausência de qualquer tipo de limitação 
para o desenvolvimento de suas pesquisas. Mas é preciso não esquecer que ao lado 
da ciência biológica e das demais ciências exatas outras ciências interagem no existir 
do homem. É o que ocorre com a filosofia, a ética, o direito. A interação dessas 
ciências é que enseja a plenitude da vida humana. Por essa razão é que muitos 
estudos são dedicados hoje à bioética, considerando-se necessariamente que a 
descoberta de hoje será ultrapassada no futuro, se nós admitirmos, ao contrário de 
muitos filósofos, a divisão do tempo fora da existência do tempo presente. Ademais, as 
limitações éticas ou filosóficas não significam redução da liberdade de pesquisar. Ao 
reverso, podem significar confiança ilimitada na capacidade dos cientistas de alcançar 
resultados com menor risco, relevando que a redução do risco é imperativa quando se 
trata de vida humana a partir da união dos cromossomos ou, se assim preferirmos, a 
partir da necessidade de assegurar a dignidade humana. 
Quando o decreto regulamentar da lei sob exame menciona, por 
exemplo, a qualificação da inviabilidade do embrião com alterações genéticas ou 
alterações morfológicas, abre campo minado para a eugenia, que sob nenhum aspecto 
pode ser tolerada. Admitir que as clínicas de reprodução assistida sejam as 
responsáveis pela identificação das alterações genéticas e morfológicas para descartar 
os embriões, equivale a investi-las de poder absoluto sobre o que pode, ou não, 
desenvolver-se autonomamente até o nascimento com vida. Esse poder, certamente, 
não nos pertence. 
O conceito de células-tronco não é objeto de controvérsias na 
comunidade científica, podendo ser adotada a definição dada pelo National Institute 
of Health, órgão governamental americano responsável pelas políticas federais de 
saúde: são células não especializadas, que têm a faculdade de se renovar mediante 
ADI 3.510/DF 
um processo autônomo de divisão e se caracterizam pela possibilidade de, sob certas 
condições fisiológicas ou experimentais, transformarem-se em células de função 
especializada, como células cardíacas ou produtoras de insulina (Stem cell basics. 
Disponível em: <http://stemcells.nih.gov/info/basics/basics1.asp>. Acesso em 6mar.2008). 
O conceito é fundamentalmente o mesmo do Glossário da International 
Society for Stem Cell Research - ISSCR: 
&quot;Células que têm a dupla capacidade de se auto-renovar 
(produzir mais células-tronco por divisão celular) e de se transformarem 
em células maduras e especializadas&quot; (Disponível em: 
<http://www.isscr.org/public/glossary.htm#stem>. Acesso em 
7mar.2008). 
E também da European Molecular Biology Organisation - EMBO: 
&quot;Célula-Tronco - Célula que pode produzir continuamente 
células-fílhas idênticas e tem a capacidade de produzir células-fílhas 
com diferentes e mais específicas propriedades&quot; (cf. SMITH, Austin. A 
glossary for stem cell biology, in Stem Cell Research - Status, 
Prospects, Prerequisites. EMBO, 2006. pág. 75). 
Dois são os tipos de células-tronco de acordo com sua origem, ou fonte: 
as células-tronco embrionarias e as células-tronco adultas. Estas, é importante que se 
diga, são extraídas de tecidos já desenvolvidos, como a pele, sangue, intestinos e 
músculos e também do cordão umbilical. Têm sido assim chamadas exatamente para 
diferenciá-las das células-tronco embrionárias, obtidas de embriões. Quanto às últimas, 
vale anotar que são obtidas de embriões oriundos de processos de fertilização 
assistida e não de fertilização natural. 
Vale transcrever a definição do NIH no já citado Stem Cell Basics 
mostrando que as células-tronco embrionárias &quot;são derivadas de embriões. Mais 
precisamente, células-tronco embrionárias são derivadas de embriões que se 
desenvolveram de óvulos fertilizados in vitro - em uma clínica de fertilização in vitro - e 
posteriormente doados para fins de pesquisa com o consentimento informado dos 
doadores. Elas não são derivadas de óvulos fertilizados no corpo de uma, mulher. Os 
ADI 3.510/DF 
embriões dos quais derivam as células-tronco embrionárias têm, em regra, cinco ou 
seis dias de existência e são uma microscópica bola de células chamada blastocisto&quot; 
(Disponível em: < http://stemcells.nih.gov/info/basics/basics3.asp>. Acesso em 
7mar.2008). Na Enciclopédia Eletrônica Medline Plus, as células-tronco embrionárias 
&quot;são obtidas tanto de fetos abortados quanto de óvulos fertilizados decorrentes da 
fertilização in vitro (FIV). Elas são úteis para finalidades médicas e de pesquisa pois 
são capazes de produzir células para quase todos os tecidos do corpo&quot;. As células-
tronco adultas, por sua vez, &quot;não são tão versáteis para fins de pesquisa por serem 
específicas de certos tipos de célula, como as sanguíneas, intestinais, epidérmicas e as 
musculares (Disponível em: <http://www.nlm.nih.gov/medlineplus/ency/article/007120.htm>. 
Acesso em 7mar.2008). E no Glossário do ISSCR, as células-tronco adultas são 
&quot;encontradas em diferentes tecidos do organismo