Jurisprudência Nascituro (3)
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Jurisprudência Nascituro (3)


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adulto desenvolvido e que 
permanecem em um estado de não especialização. Essas células podem gerar células 
especializadas do tecido do qual foram obtidas, ou seja, uma célula-tronco cardíaca 
pode gerar uma célula de função muscular cardíaca, mas ainda não está claro se 
podem gerar todos os tipos de célula do corpo". As células-tronco embrionárias, 
segundo o Glossário, "são células derivadas do aglomerado interior de células do 
blastocisto. Uma célula-tronco embrionária é auto-renovável (pode se auto-replicar), 
pluripotente (pode formar todos os tipos de célula encontrados no corpo) e, em tese, 
imortal' (Disponível em: <http://www.isscr.org/public/glossary.htm#stem>. Acesso em 
7mar. 2008). 
A obtenção da primeira linhagem de células-tronco de embrião humano, 
em 1998, é atribuída a James Thomson e sua equipe (THOMSOM et al. Embryonic 
stem cell lines derived from human blastocysts. in Science, v. 282, 1998). A fonte 
das células das quais derivaram as linhagens obtidas é o embrião na fase de 
blastocisto, quatro ou cinco dias após a fertilização. 
O método para obtenção é derivado daquele utilizado em camundongos 
desde 1981 e é descrito com detalhes no requerimento da patente ao Registro de 
Patentes dos Estados Unidos da América, envolvendo a extração de parte da massa 
central celular (ICM - inner cell mass) do blastocisto (Claim. Item 9. United States 
ADI 3.510/DF 
Patents Office, appl. n° 09/106390, 26/6/1998). Com isso, o trofectoderma é removido e 
o embrião é desagregado, destruído. 
Esse é o método comumente utilizado para a obtenção de células-tronco 
embrionárias. Pode-se dizer que é o método padrão e através dele é que foi obtida a 
grande maioria das linhagens atualmente disponíveis. Por isso é que a obtenção de 
células-tronco embrionárias é associada à destruição do embrião. 
Como se vê, a principal diferença apontada entre as células-tronco 
embrionárias e as adultas, no que se refere a sua capacidade terapêutica, reside na 
flexibilidade ou plasticidade. O art. 3o da Lei n° 11.105/2005, sob exame, indica essa 
característica ao conceituar as células-tronco embrionárias como &quot;células de embrião 
que apresentam a capacidade de se transformar em células de qualquer organismo&quot; 
Sem sombra de dúvida, há praticamente um consenso quanto às 
expectativas despertadas pelas células-tronco embrionárias, mas é bom deixar claro 
que a promessa a elas atribuída não tem, pelo menos ainda, garantia de concretização. 
Nesse sentido, o respeitado cientista Stevens Rehen, em entrevista concedida ao 
Instituto Virtual de Células-Tronco, acredita &quot;ser precoce qualquer sugestão de 
aplicação terapêutica de células-tronco embrionárias humanas&quot; (Disponível em: 
<http://www.ivct.org/index.php?option=com_content&task=view&id=38&Itemid=2>. Acesso 
em 26mai. 2008). 
São pertinentes as palavras do Deputado da Assembléia Nacional 
francesa, Pierre-Louis Fagniez, ao assinalar que as &quot;células-tronco adultas, as 
células-tronco embrionárias e a clonagem terapêutica são incontestavelmente os 
grandes personagens da pesquisa atual. Eles cativam a sociedade e alimentam um 
imaginário que fascina os homens desde a Antigüidade: o da regeneração, caminho 
para a imortalidade. Um grande prêmio literário não foi atribuído a um romance que 
versava justamente sobre o tema da clonagem? As pesquisas nesse domínio bastante 
sensível suscitam reações passionais, constituídas de esperança e de angústias. 
Chamadas a revolucionar a medicina regenerativa, elas poderiam levar a terapias de 
um novo século. Mas predições não são antevisões: ainda que verossimilhantes, é 
bem difícil de antecipar seus resultados. A razão e a emoção se misturam sempre, 
ADI 3.510 / DF 
confundindo os argumentos que derivam de verdades científicas ou meras convicções&quot; 
(Cellules souches et choix éthiques - rapport au premier ministre. pág. 5, grifou-
se). 
É importante afirmar e reafirmar que a qualidade das pesquisas com 
células-tronco embrionárias para a investigação científica não pode ser 
desconsiderada. Nem nos cabe fazer, sob nenhum ângulo, avaliações científicas sobre 
o assunto. Isso quer dizer, no meu entender, que a comparação entre as duas fontes 
de células-tronco não é argumento a ser considerado para o julgamento da presente 
ação. Muito menos a tentativa de desqualificação da pesquisa com células-tronco 
embrionárias, considerando que os cientistas trabalham com a perspectiva de melhores 
resultados com esse tipo celular. 
O que se examina, repita-se, é se o método de obtenção dessas células 
através da destruição do embrião pode ser admitido. A menção comparativa das 
células-tronco diante do estado atual das pesquisas com cada um de seus tipos releva 
apenas para o cumprimento do dever de esclarecimento que entendo necessário no 
desenvolvimento do meu raciocínio. 
Um levantamento das últimas notícias publicadas em páginas 
especializadas da internet, como Publimed, Nature, New Scientist e Bio-Medicine, 
mostra que algumas pesquisas com células-tronco adultas já resultam em 
determinadas terapias, enquanto que as pesquisas com células-tronco embrionárias 
humanas, mesmo que bastante promissoras, ainda se encontram, até mesmo pelo 
curto tempo de existência, em fase inicial. 
No caso de células-tronco adultas, além do transplante de medula 
óssea, que serve para combater a leucemia e os linfomas, já se noticiam resultados, 
ainda que modestos, no tratamento de algumas doenças cardíacas, foi o que constatou 
o Dr. Richard K. Burt, da Faculdade Feinberg de Medicina da Northwestern University, 
ao analisar centenas de estudos realizados entre janeiro de 1997 e dezembro de 2007, 
dos quais 323 avaliaram viabilidade e toxicidade e 69 avaliaram resultados em 
pacientes. Em 17 estudos envolvendo 1.002 pacientes que sofreram ataques 
cardíacos, 16 deles, com 493 pacientes, mostraram evidências sugerindo que o 
ADI 3.510/DF 
transplante de células-tronco adultas levou a modestas melhoras na função cardíaca 
(Disponível em: <http://www.bio-medicine.org/medicine-news-1/Adult-Stem-Cells-Help-
Those-With-lmmune-Disorders--Heart-Disease-12798-1/>; v. tb. The Journal of 
American Medical Association. v. 299. n° 8, de 27 de fevereiro de 2008). 
No Brasil, o Dr. Julio César Voltarelli, defensor das pesquisas com 
células-tronco embrionárias, avança no tratamento do diabetes mellitus, como ele 
mesmo teve a oportunidade de registrar na audiência pública de 20/4/2007. Além dele, 
e dentre outros: (a) o Dr. Adalberto Luiz Rosa, na Universidade de São Paulo, unidade 
de Ribeirão Preto, investiga a utilização de células-tronco derivadas de medula óssea 
na reparação de tecidos ósseos; (b) o Dr. Alfredo de Miranda Góes, na Universidade 
Federal de Minas Gerais - UFMG, tenta promover a Osteogênese usando células-
tronco mesenquimais humanas; (c) no Centro de Pesquisa Gonçalo Muniz, da 
FIOCRUZ, busca-se a terapia com células-tronco de medula óssea em indivíduos 
portadores de mielopatia associada à infecção por HTLV-1 e de traumatismo agudo; (d) 
na Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN, o Dr. Clodomiro Alves Júnior 
tenta a diferenciação, a adesão e a proliferação de células-tronco de cordão umbilical 
em biomateriais com superfícies modificadas; (e) o Dr. Hans Jurgen Fernando 
Dohmann pesquisa, no PROCEP (Centra de Ensino e Pesquisa do Pró-Cardíaco), o 
transplante autólogo de células mononuclears da medula óssea - angiogênese na 
cardiopatia isquêmica; (f) o Dr. Ibsen Bellini Coimbra tenta a indução de condrogênese 
a partir de células-tronco de cordão umbilical; (g) na PUC do Rio Grande do Sul, o Dr. 
Jaderson Costa Dacosta busca o transplante de células-tronco da medula óssea para 
tratamento do processo neurodegenerativo induzido por epilepsia, enquanto o Dr. 
Jefferson Luis Braga da Silva tenta a utilização de células-tronco adultas no tratamento 
de cicatrizes queloidianas e de lesões nervosas periféricas; (h) o Dr. Ricardo Ribeiro 
dos Santos, da FIOCRUZ, trabalha com células-tronco adultas do fígado com