Jurisprudência Nascituro (3)
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Jurisprudência Nascituro (3)


DisciplinaTeoria Geral do Direito Privado I28 materiais137 seguidores
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a serem praticados não pode ser deixada a cargo 
de usuários interessados apenas na eficácia e no custo-benefício. Isso é que 
compatibiliza o método com a disciplina constitucional. Assim, os métodos Lanza e 
Landry-Zucker, tal qual o de Yamanaka e qualquer outro que não acarrete a morte do 
embrião, podem ser admitidos pela Constituição brasileira por cumprirem o objetivo de 
estimular a pesquisa em área sensível para o desenvolvimento da humanidade sem o 
sacrifício da vida, valor que deve ser respeitado e preservado. 
Nessa direção apontou o Dr. Rao Mahendra, renomado pesquisador 
americano, em recente estudo sobre as fontes alternativas de células-tronco 
embrionárias ou pluripotentes: 
"Concluímos com um pensamento que para alguns pode 
parecer herético: talvez as restrições impostas pela administração Bush 
tenham servido a um resultado positivo, intencional ou não, por levar a 
um desenvolvimento de alternativas inovadoras. Mais ainda, talvez tanto 
cidadãos quanto cientistas estejam mais preparados para essas 
inovações. A ciência ofereceu mais de uma possível solução para o 
dilema ético que envolve as pesquisas com células-tronco. Agora é hora 
ADI 3.510/DF 
de incentivar os criativos desenvolvimentos nas pesquisas que se 
verificaram em diversas frentes e de receber aqueles dentre nossos 
colegas que conseguiram, sozinhos e com reduzidos recursos, esses 
avanços (. .)". 
Por outro lado, torna-se relevante assinalar que não é possível manter 
nessa área uma autorização independente de qualquer controle estatal centralizado 
seja no que diz com a fiscalização das clínicas de reprodução assistida, seja no 
desenvolvimento das pesquisas com relação às células-tronco. Não foram tomados 
nem mesmo os mais óbvios cuidados no trato de um procedimento tão delicado, cujos 
desvios éticos oferecem gravíssimos riscos de manipulação da espécie humana e de 
utilização indevida do mais importante objeto da pesquisa científica na atualidade. É 
fácil perceber que o art. 5º foi inserido em lei que originariamente não se destinava a 
cuidar das pesquisas com células-tronco embrionárias. 
Tudo isso enseja a sua disciplina através da interpretação constitucional 
em suas diversas modalidades. De nada adianta a existência de comitês éticos nas 
universidades se não existir um sistema único nacional capaz de concentrar os dados e 
estabelecer registros apropriados para fiscalização, autorização e controle do que está 
sendo feito, a exemplo do que ocorre na grande maioria dos países que já estão 
desenvolvendo essas pesquisas. E isso quer dizer, também, impedir a mercantilização 
que pode, como em qualquer setor, dominar essa área crítica para o próprio 
fortalecimento da humanidade. Como todos sabem, a disputa por patentes nesse 
segmento é assustadora e os recursos financeiros envolvidos são enormes. 
Não se pode, na minha compreensão, pôr essa complexa questão em 
termos tão simplistas como aqueles que opõem radicais de toda posição. E não é fácil 
reconhecer esse fato. É necessário evitar qualquer tipo de fundamentalismo. Seria, por 
exemplo, o dizer da Antigüidade em que a garantia do solo fértil ou da colheita 
abundante exigia a oferta de presentes aos deuses. E o maior deles era o sacrifício de 
uma vida humana, que abriria as portas petas quais adentraria a abundância 
(BLAINEY, Geoffrey, Uma breve história do mundo, Fundamento, 2a ed., 2007, pág. 
38). Esse simplismo, que a história da humanidade conhece, repete-se exaustivamente 
de tempos em tempos e serve de alerta para que o crescimento humano do mundo não 
ADI 3.510 /DF 
se faça com preço que sacrifique a natureza humana. 
Em nosso caso, a perspectiva do uso de células-tronco embrionárias a 
partir dos embriões ditos inviáveis ou daqueles congelados nas clínicas de reprodução 
assistida não pode, sob nenhum pretexto, resvalar para o absoluto sem a preservação 
da vida. Impõe-se estabelecer padrão ético que nem deixe de considerar a bem-
aventurança da pesquisa, seja para fins puramente científicos, seja para fins 
terapêuticos, nem deixe de privilegiar a importância do destino desejado pelos 
genitores ao procurar a continuidade biológica por meio da fertilização in vitro. O que 
se há de buscar é a preservação da vida e da dignidade do homem, assim, a 
integridade da vida que nascerá se não sofrer interrupção natural ou provocada e a 
possibilidade de avançar na descoberta do próprio mistério da vida. 
De tudo o que foi exposto até aqui, são duas as conclusões a que 
forçosamente se chega: (i) há uma urgente necessidade de controle da atividade das 
clínicas de reprodução assistida, especialmente no que se refere aos procedimentos de 
fertilização in vitro em geral e aos diagnósticos pré-implantacionais; e (ii) as pesquisas 
com células-tronco embrionárias são importantes e não merecem ser obstadas, 
observados limites e controles e desde que não causem a destruição do embrião, vida 
humana protegida pela Constituição Federal. 
O que causa perplexidade e, mais do que perplexidade, representa fonte 
de grande preocupação é que a origem das pesquisas com células-tronco 
embrionárias, nos termos da lei brasileira, está nas clínicas de fertilização in vitro que 
operam, independentemente da seriedade de seus respeitáveis profissionais, sem 
nenhuma fiscalização ou controle. Veja-se que a ANVISA - Agência Nacional de 
Vigilância Sanitária não fiscaliza nem controla as clínicas, salvo quanto aos aspectos 
físicos, das instalações. Mas não há nenhum sistema organizado de supervisão do 
processo, com cadastro de embriões e registros adequados, incluída a identificação 
genética, assim, por exemplo, nos diversos casos em que são realizados os 
diagnósticos pré-implantação. 
De fato, com a Resolução n° 33, de 2006, da Diretoria Colegiada da 
ANVISA, os chamados Bancos de Células e Tecidos Germinativos (BCTG), assim 
ADI 3.510 / DF 
entendidos como todos os estabelecimentos que possuam em seu poder gametas e 
embriões, neles incluídas as clínicas que guardam os embriões congelados, devem 
informar semestralmente dados como (i) quantidades de sêmen, oócitos e embriões 
congelados; (ii) tempo de congelamento; (iii) taxa de fertilização; (iv) taxa de 
clivagem; (v) procedimentos adotados; e (vi) processos de classificação de embriões 
(ou pré-embriões), o que já é alguma coisa. No entanto, segundo informação da própria 
agência, através de sua Gerência Geral de Sangue, Outros Tecidos, Células e Órgãos 
- GGSTO, ainda não foi possível, até o dia 10/4/2008, obter informações consolidadas 
sobre os serviços dessas clínicas, até porque as vigilâncias sanitárias estaduais e 
municipais ainda estão sendo capacitadas para a fiscalização. Apenas no dia 12 de 
maio deste ano é que a Agência baixou a Resolução n° 29, pretendendo organizar um 
banco de dados sobre os embriões em poder dos Bancos de Células e Tecidos 
Germinativos a ser alimentado pelos próprios bancos, com obrigatoriedade somente 
após o prazo de 60 (sessenta) dias. Vê-se, portanto, que atualmente não há nenhum 
controle. 
Tampouco há norma legal que proíba ou impeça a realização de 
procedimentos inadmitidos em diversos ordenamentos, como a fertilização para fins 
não reprodutivos, o uso do diagnóstico pré-implantação para seleção de sexo, a 
destruição de embriões considerados inviáveis, a geração de grande número de 
zigotos, a redução embrionária etc. 
Muito menos se vê algum tipo de controle e reprimenda a procedimentos 
que põem em risco os limites da própria espécie humana, como a clonagem 
reprodutiva, a transferência nuclear, o transplante pronuclear, a fabricação de 
quimeras, a conjugação de tecidos humanos e animais, tudo isso com conseqüências 
ainda não vislumbradas. 
A já citada Resolução n° 1.358/1992 do Conselho Federal de Medicina 
serve como uma boa orientação ao estabelecer para a comunidade médica "Normas 
Éticas Para a Utilização das Técnicas de Reprodução Assistida". Mas é pouco. A 
realidade mostra que o Conselho, por suas limitações materiais e por suas