Jurisprudência Nascituro (3)
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Jurisprudência Nascituro (3)


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próprias 
atribuições, tem agido reativamente, por meio de sanções de ordem profissional. E o 
ADI 3.510 /DF 
que é preciso é uma ação preventiva, fiscalizadora. 
Tramita no Congresso Nacional o Projeto de Lei do Senado nº 90, de 
autoria do Senador Lúcio Alcântara. Apensados a ele, estão os Projetos de Lei nºs 
2.855/1997; 4.664/2001; 6.296/2002; 120/2003; 2.061/2003; 4.889/2005; 5.624/2005; e 
3.067/2008, este último de autoria do Deputado José Aristodemo Pinotti, que também 
estabelece algumas condições para a pesquisa com células-tronco ao propor a 
alteração do próprio art. 5o da Lei n° 11.105/2005. O Projeto de Lei n° 90, contudo, é de 
1999 e recebeu parecer desfavorável do Relator na Câmara dos Deputados (PL nº 
1.184/2003), Deputado Colbert Martins. Aguarda-se sua apreciação na Câmara para 
que seja novamente submetido ao Senado Federal. 
A existência de um grande número de proposições legislativas sobre o 
tema da reprodução assistida é indicio mais que suficiente para demonstrar a 
necessidade de regulamentação desse setor da atividade médica. As inúmeras 
possibilidades propiciadas pela fertilização in vitro e os grandes riscos daí decorrentes 
exigem que o Estado se faça presente. Impõe-se, por isso, fixar limites que, ao mesmo 
tempo em que ensejem o desenvolvimento científico nesse tema e a manutenção de 
terapias eficazes para a infertilidade do casal, estabeleçam um nível de segurança 
adequado para as futuras gerações e um grau mais elevado de respeito ao ser 
humano, em todas as suas fases. 
Entende-se que esse nível e esse grau seriam alcançados através de 
um procedimento de fertilização in vitro que, mesmo não obrigando a transferência de 
todos os embriões produzidos, observasse as seguintes regras: (i) emprego apenas 
para fins reprodutivos; (ii) emprego somente na ausência de outras técnicas aptas para 
solucionar o problema da infertilidade; (iii) proibição de seleção de sexo; (iv) emprego 
de ICSI apenas quando ineficaz a fertilização através da aproximação dos gametas; (v) 
limitação do número de óvulos a serem fertilizados; (vi) limitação do uso do diagnóstico 
pré-implantação, restringindo-o para investigação de determinadas anomalias com 
vistas à cura; (vii) limitação do número de embriões a serem transferidos; (viii) proibição 
de redução embrionária; (ix) proibição de descarte de embriões, independentemente de 
sua viabilidade, morfologia ou qualquer outro critério de classificação; (x) proibição de 
ADI 3.510 /DF 
comercialização de embriões; e (xi) proibição de doação de embriões, salvo daqueles 
estagnados e registrados em registro único constituído para esse fim, com abrangência 
nacional, e somente para pesquisa básica voltada para o estudo dos processos de 
diferenciação celular e pesquisa com fins terapêuticos que tenham sido aprovadas por 
órgão com abrangência nacional, sempre com o consentimento livre e informado dos 
genitores, de acordo com as normas de deontologia médica adotadas mundialmente, e 
a supervisão de médico especializado. 
Se a autorização para utilização de células-tronco embrionárias deve 
alcançar apenas aquelas que preservem a vida do embrião, não será admitida a 
obtenção de células-tronco de embriões congelados, de embriões com alterações 
genéticas ou de embriões com alterações morfológicas, quer comprometam ou não o 
seu desenvolvimento, pelo método Thomson, ou seja, pela aspiração de células da 
massa central interna do blastocisto. 
Pelo uso desse método, somente poderia ser admitida a obtenção de 
células-tronco de embriões estagnados, assim entendidos aqueles que tiveram seu 
desenvolvimento interrompido por ausência espontânea de clivagem após período de 
observação que permita caracterizar a irreversibilidade da estagnação, de acordo com 
normas especiais estabelecidas pelo Ministério da Saúde. Neste caso, não se agride a 
vida do embrião, porque esses embriões são insubsistentes por si mesmos, já não 
vivem. 
Em qualquer hipótese, sempre com o prévio e expresso consentimento 
informado por escrito dos genitores, poderão ser utilizadas para pesquisa e terapia, nas 
condições adiante definidas para estas e desde que não ameaçada a sobrevivência do 
embrião, células-tronco obtidas de blastômeros, assegurada a restituição do embrião 
ao meio de conservação em que se encontrava anteriormente para fins de reprodução 
assistida. 
O crime previsto no art. 24 da Lei n° 11.105/05 inclui a autorização para 
utilização de embriões humanos em desacordo com as condições estabelecidas na lei, 
alcançando, na minha compreensão, os responsáveis pela autorização e pela 
fiscalização. 
ADI 3.510/DF 
As investigações com células-tronco embrionárias, repita-se, devem se 
limitar à pesquisa básica voltada para o estudo dos processos de diferenciação celular 
e à pesquisa com fins terapêuticos; devem ser autorizadas por órgão federal, integrado 
por equipe multidisciplinar, composta por membros com larga experiência, inclusive em 
pesquisa, nos ramos da medicina, da biologia e da química, além de outras áreas do 
saber, como o direito, a sociologia, a teologia, a ética e a matemática; devem ser 
supervisionadas por especialistas com comprovada experiência nos métodos de 
manipulação dessas células; e devem ser devidamente registradas e autorizadas pelo 
mencionado órgão federal. 
Anote-se que a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança -
CTNBio, por sua composição e competência, foi constituida com vistas à regulação, ao 
acompanhamento e à autorização das atividades relacionadas a organismos 
geneticamente modificados - OGM e seus derivados, dentre os quais não se incluem 
os embriões humanos e as células-tronco embrionárias humanas (art. 3o, § 1o, Lei n° 
11.105/2005). 
Destaco que até a presente data apenas o grupo da Doutora Lygia 
Pereira, séria, respeitada e destacada professora da Universidade de São Paulo, 
tentou a derivação de linhagens de células-tronco embrionárias no Brasil. 
Destarte, com as razões acima deduzidas, julgo procedente, em parte, a 
ação direta de inconstitucionalidade para, nos termos que se seguem: 
1. no caput do art. 5o, declarar parcialmente a inconstitucionalidade, 
sem redução de texto, para que seja entendido que as células-tronco embrionárias 
sejam obtidas sem a destruição do embrião, e as pesquisas devidamente aprovadas e 
fiscalizadas peio Ministério da Saúde, com a participação de especialistas de diversas 
áreas do conhecimento, entendendo-se as expressões "pesquisa e terapia" como 
pesquisa básica voltada para o estudo dos processos de diferenciação celular e 
pesquisa com fins terapêuticos; 
2. ainda no caput do art. 5º, declarar parcialmente a 
inconstitucionalidade, sem redução de texto, para que a fertilização in vitro seja 
entendida como modalidade terapêutica para cura da infertilidade do casal, devendo 
ADI 3.510/DF 
ser empregada para fins reprodutivos na ausência de outras técnicas, proibida a 
seleção de sexo ou de características genéticas, realizada a fertilização de um máximo 
de quatro óvulos por cicio e igual limite na transferência, com proibição de redução 
embrionária, vedado o descarte de embriões, independentemente de sua viabilidade, 
morfologia ou qualquer outro critério de classificação, tudo devidamente submetido ao 
controle e à fiscalização do Ministério da Saúde; 
3. no inciso I, declarar parcialmente a inconstitucionalidade, sem 
redução de texto, para que a expressão "embriões inviáveis" seja considerada como 
referente àqueles insubsistentes por si mesmos, assim, os que comprovadamente, de 
acordo com as normas técnicas estabelecidas pelo Ministério da Saúde, com a 
participação de especialistas em diversas áreas do conhecimento, tiveram seu 
desenvolvimento interrompido por ausência espontânea de clivagem após período no 
mínimo superior a vinte e quatro horas, não havendo, com relação a estes, restrição 
quanto ao método de obtenção das células-tronco; 
4. no inciso II, declarar a inconstitucionalidade, sem redução de texto, 
para que sejam