Jurisprudência Nascituro (3)
526 pág.

Jurisprudência Nascituro (3)


DisciplinaTeoria Geral do Direito Privado I28 materiais137 seguidores
Pré-visualização50 páginas
considerados os embriões congelados há 3 (três) anos ou mais, na 
data da publicação da Lei n° 11.105/2005, ou que, já congelados na data de publicação 
da Lei n° 11.105/2005, depois de completarem 3 (três) anos de congelamento, dos 
quais, com consentimento, informado prévio e expresso dos genitores, por escrito, 
somente poderão ser retiradas células-tronco por método que não cause a sua 
destruição; 
5. no § 1o, declarar parcialmente a inconstitucionalidade, sem redução 
de texto, para que seja entendido que o consentimento é um consentimento informado 
prévio e expresso, por escrito, dos genitores; e 
6. no § 2°, declarar a inconstitucionalidade, sem redução de texto, para 
que seja entendido que as instituições de pesquisa e serviços de saúde que realizem 
pesquisa ou terapia com células-tronco embrionárias humanas deverão submeter 
previamente seus projetos também à aprovação do Ministério da Saúde, presente o 
crime do art. 24 da Lei n° 11.105/05 na autorização para a utilização de embriões em 
desacordo com o que estabelece a lei, nos termos da interpretação acolhida neste 
ADI 3.510/DF 
voto. 
Por fim, torna-se necessário examinar a aplicação do art. 27 da Lei n° 
9.868/1999, que autoriza a modulação dos efeitos da declaração de 
inconstitucionalidade. É que já estão em curso diversas pesquisas com células-tronco 
já obtidas por pesquisadores brasileiros. Para preservar o andamento dessas 
pesquisas, entendo necessário modular os efeitos da declaração parcial de 
inconstitucionalidade a partir da data deste julgamento. 
 
28/05/2008 TRIBUNAL PLENO 
 
AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 3.510 DISTRITO FEDERAL 
 
O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO - Presidente, uma 
explicitação apenas quanto ao alcance do voto de Sua Excelência. 
Pelo que percebi, haveria, no bojo, a própria criação de um tipo 
penal, pela decisão do Tribunal? 
 
O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO \u2013 Ministro Celso de 
Mello (inserido ante o cancelamento do aparte por Sua Excelência), 
foi. 
 
O SENHOR MINISTRO GILMAR MENDES (PRESIDENTE) \u2013 Está se 
estendendo ao artigo 27? 
 
O EXCELENTÍSSIMO SENHOR MINISTRO MENEZES DIREITO: 
Não. Talvez tenha me explicitado mal. O que eu estou 
dizendo é que o artigo 24, que tem essa tipificação, deve considerar 
também, para os efeitos do que está previsto no próprio artigo 5º, 
que esses autores da autorização e fiscalização sejam alcançados. 
Foi só isso que eu disse. 
 
O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO \u2013 Na verdade, Sua 
Excelência está propondo, mediante interpretação \u2013 que não é objeto 
da ação - do artigo 27, uma modalidade de controle da interpretação 
Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001, que institui a Infra-estrutura de Chaves Públicas Brasileira - ICP-Brasil.O
documento pode ser acessado no endereço eletrônico http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/ sob o número 522121
Jacqueline.Sousa
Texto digitado
Jacqueline.Sousa
Texto digitado
307
 
 
ADI 3.510 / DF 
 
 
 
2 
de constitucionalidade do artigo 5º. Noutras palavras, ele está 
recorrendo à interpretação de outro artigo para assegurar uma 
limitação inerente ao alcance da declaração de inconstitucionalidade 
que reconhece. Não está julgando o artigo 27, mas o artigo 5º! 
 
O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO \u2013 Mas com conseqüências 
penais? Porque, pelo que percebi, o artigo 5º somente contempla um 
tipo penal, se houver a comercialização. Quer dizer, passaríamos a 
ter o tipo penal pelo não-respeito à decisão do Tribunal quanto à 
interpretação conforme. Poderíamos chegar a esse ponto? 
 
O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO \u2013 Ministro Celso de 
Mello (inserido ante o cancelamento do aparte por Sua Excelência), e 
não é uma cláusula em branco. 
 
O SENHOR MINISTRO CARLOS BRITTO (RELATOR) \u2013 E o artigo 
25 também, porque apenas a prática de engenharia genética em célula 
germinal humana, zigoto humano ou embrião humano. Aqui sim. 
 
O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO - Ministro, eu 
ponderaria à Corte \u2013 e não apenas porque o voto de Sua Excelência 
foi, além de erudito e brilhante, alentado \u2013 que deixássemos todas 
essas considerações para depois de todos terminarem os votos, 
Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001, que institui a Infra-estrutura de Chaves Públicas Brasileira - ICP-Brasil.O
documento pode ser acessado no endereço eletrônico http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/ sob o número 522121
Jacqueline.Sousa
Texto digitado
308
 
 
ADI 3.510 / DF 
 
 
 
3 
porque, se avançarmos intervenções e pedidos de esclarecimentos a 
cada voto, não vamos sair daqui antes de uma semana. 
 
 
Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001, que institui a Infra-estrutura de Chaves Públicas Brasileira - ICP-Brasil.O
documento pode ser acessado no endereço eletrônico http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/ sob o número 522121
Jacqueline.Sousa
Texto digitado
309
28/05/2008 TRIBUNAL PLENO 
AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 3.510 DISTRITO FEDERAL 
CONFIRMAÇÃO DE VOTO 
O SENHOR MINISTRO CARLOS BRITTO (RELATOR) - Senhor 
Presidente, a lei agora impugnada autoriza o uso de células-tronco 
embrionárias produzidas in vitro, ou seja, em vidro, para fins de 
pesquisa científica e tratamento médico. Relembro, ela porta as 
seguintes condições para as pesquisas: 
Primeira: o não aproveitamento para fim reprodutivo do 
embrião congelado in vitro (não aproveitamento por livre decisão do 
casal). 
Segunda: que o embrião se caracterize pela sua 
inviabilidade reprodutiva, ou seja, ele já não detenha a capacidade 
de clivagem ou de reprodução celular numa progressão verdadeiramente 
geométrica. 
Terceira: que esteja congelado o embrião há pelo menos 
três anos da data da publicação da lei, ou que, já efetivamente 
congelado nessa data, venha a completar três anos. No particular, a 
lei é de eficácia exaurida, porque os três anos de congelamento já 
decorreram em qualquer das duas situações do inciso II. 
ADI 3.510 / DF 
E, finalmente, quarta condição: o consentimento do 
casal-doador do material genético, biológico (é preciso o 
consentimento expresso do casal-doador). 
Além disso, a lei estabelece a obrigatoriedade de 
encaminhamento de todos os projetos de pesquisas com células-tronco 
aos comitês de ética e pesquisa respectivos, que funcionam 
basicamente nas universidades federais; e veda, tipificando como 
crime, a comercialização do material biológico. 
No art. 6º, a lei toma outras cautelas ou 
sobrecautelas, como, por exemplo, proibir a prática de engenharia 
genética em organismo vivo ou o manejo in vitro de ADN/ARN natural 
ou recombinante. 
A engenharia genética é proibida, também, no inciso 
III do art. 6º, com célula germinal humana, zigoto humano e embrião 
humano. 
Vai além a lei. A lei proíbe, no inciso IV do art. 6a, 
a clonagem humana. 
Senhor Presidente, eu disse em meu voto e repito, a 
Constituição Federal não faz de qualquer estádio da vida humana um 
autonomizado bem jurídico, mas da vida que já é própria de uma 
concreta pessoa, a vida de alguém, de um indivíduo já adornado da 
personalidade civil. Vale dizer, nessa perspectiva que tenho como 
rigorosamente constitucional, a vida humana ou a pessoa humana se 
ADI 3,510 / DF 
define como o fenômeno que transcorre entre o nascimento com vida e 
a morte cerebral. 
Fui muito criticado por essa definição, mas as pessoas 
que criticavam invariavelmente mutilavam o meu conceito. Em todas as 
críticas a esse conceito, eu pude verificar isso. A pessoa humana, o 
individuo biográfico, o ser humano adornado de personalidade civil é 
o fenômeno que transcorre do nascimento com vida à morte cerebral. 
Muito bem, eu disse isso porque eu tentei fugir de uma 
perspectiva analítica teológica ou filosófica, ou mesmo científica 
mais aprofundada, uma vez que esse terreno nos leva a uma discussão 
interminável. Nós vamos nos perder no infinito, dado que há 
correntes