Jurisprudência Nascituro (3)
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Jurisprudência Nascituro (3)


DisciplinaTeoria Geral do Direito Privado I28 materiais132 seguidores
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A alegação, portanto, de que haveria desnecessidade de continuação 
das pesquisas com células-tronco embrionárias, para se dar cumprimento aos 
princípios e regras constitucionais relativas ao direito à saúde e à 
dignidade da vida humana, não tem embasamento científico. 
De resto, cumpre realçar que a lei em causa não está excluindo a 
utilização das células-tronco adultas em pesquisa e, nesse caso, até mesmo 
nas terapias já conhecidas e em outras novas, que possam vir a sê-lo. Não 
se cuidam de linhas de pesquisa e utilização em tratamento excludentes as 
que se referem às células-tronco adultas e às células-tronco embrionárias. 
Antes, elas devem ser auxiliares para o benefício de quem necessite do 
tratamento com que pode ser acudido o doente conforme o seu caso e a sua 
necessidade. 
11. Tem-se, na peça inicial da ação, que \u201ca vida humana acontece na, 
e a partir da, fecundação ... a vida humana é contínuo desenvolver-
se...estabelecidas tais premissas, o artigo 5º e parágrafos, da Lei n. 
11.105, de 24 de março de 2005, por certo inobserva a inviolabilidade do 
direito à vida, porque o embrião é vida humana e faz ruir o fundamento 
maior do Estado democrático de direito, que radica na preservação da 
dignidade da pessoa humana...\u201d. 
12. Quanto a ser a utilização de células-tronco embrionárias uma 
forma de violação do direito à vida, talvez conviesse se partir do que 
significa a violabilidade e o seu contrário, vedado constitucionalmente em 
relação ao direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à 
propriedade (art. 5º, caput, da Constituição brasileira1). 
Violar tem o sentido de infringir com violência, transgredir ou 
ofender o que posto pelo direito. A inviolabilidade do direito à vida, que 
o Procurador-Geral da República põe como estando descumprido pelo art. 5º 
e parágrafos da Lei n. 11.105/2005, não pode ser interpretada a partir da 
idéia de direito absoluto. 
Todo princípio de direito haverá de ser interpretado e aplicado de 
forma ponderada segundo os termos postos nos sistema. Como acentuado pelo 
Supremo Tribunal Federal
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Procurador-Geral da República em sua petição, dignidade humana é 
princípio, e esse se aplica na ponderação necessária para que o sistema 
possa ser integralmente acatado. Mesmo o direito à vida haverá de ser 
interpretado e aplicado com a observação da sua ponderação em relação a 
outros que igualmente se põem para a perfeita sincronia e dinâmica do 
sistema constitucional. Tanto é assim que o ordenamento jurídico 
brasileiro comporta, desde 1940, a figura lícita do aborto nos casos em 
que seja necessário o procedimento para garantir a sobrevivência da 
gestante e quando decorrer de estupro (art. 128, incs. I e II, do Código 
Penal). 
Comentando aquelas normas penais (referentes ao aborto terapêutico e 
ao aborto necessário), acentuava Nelson Hungria que \u201co aborto terapêutico 
foi resolvido pelo nosso legislador penal com critérios de política 
criminal, e não com princípios da religião católica. Trata-se de um caso 
especialmente destacado de \u2018estado de necessidade\u2019. ... Muito antes da 
Reforma, quando a religião católica era a religião do Estado e não sofria 
contrastes, já o direito secular não vacilava em admitir a impunidade do 
aborto terapêutico. A palavra de Santo Tomás de Aquino, de que innocentes 
nullo pacto occidere licet, não teve repercussão na lei social, que é 
editada para o plano terreno, e não para a Civitas Dei. Do ponto de vista 
humano-social, é despropósito sacrificar a gestante e o feto, quando 
aquela pode ser salva com sacrifício deste. Semelhante absurdo não passou 
despercebido ao padre Agostinho Gemelli, o maior sábio que a Igreja possui 
na atualidade, e no Congresso Obstétrico reunido em Milão, no ano de 1931, 
explicou ele, interpretando a encíclica Casti Connubit, que era permitido 
o aborto indireto, isto é, conseqüente à ministração de meios terapêuticos 
sem intenção positiva de eliminar o feto, ainda que este venha a morrer ou 
ser expulso prematuramente. Ora, esse apelo ao aborto indireto é apenas 
uma acomodação com o céu, um expediente ardilosamente excogitado para 
conciliar escrúpulos religiosos com a imperativa necessidade prática. 
Tanto vale querer um resultado quanto assumir o risco de produzi-lo\u201d 
(Comentários ao Código Penal. Rio de Janeiro: Forense, 1958, v. V, p. 
307/8). 
Supremo Tribunal Federal
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De pronto se registre que o presente caso nada tem a ver com o 
aborto, que é interrupção da gravidez. Na hipótese prevista na lei em 
foco, não há gravidez, logo não se há cogitar, sequer longiquamente, da 
questão do aborto. A citação aproveitada acima, portanto, tem o condão 
exclusivo de demarcar o estatuto jurídico-constitucional do direito à vida 
e sua aplicação a situações diferentes. 
A inviolabilidade do direito à vida constitucionalmente positivada 
é, nos termos precisos de José Afonso da Silva \u201cuma determinante 
normativa, como objeto da garantia, em que o artigo definido revela o 
conteúdo intrínseco dos direitos enunciados, valendo dizer que eles contêm 
em si a qualidade essencial de serem invioláveis. Não é a Constituição que 
lhes confere a inviolabilidade; ela reconhece essa qualificação conceitual 
pré-constitucional, e, por isso, preordena disposições e mecanismos que a 
assegurem...\u201d(Comentário contextual à Constituição. São Paulo: Malheiros, 
2007, p. 65). 
Ao reconhecer a Constituição ser inviolável o direito à vida, 
expressa ela, em todo o seu texto e no contexto traçado em torno dos 
direitos fundamentais, outros direitos, como o da liberdade e o da saúde, 
que tornam possível a efetivação daquele primeiro. Há de se interpretarem 
todos eles para se concluir sobre a validade constitucional, ou não, do 
art. 5º e seus parágrafos, da Lei n. 11.105/2005. 
O art. 5º, inc. IX, e art. 218, da Constituição brasileira e o art. 5º, da 
Lei n. 11.105/2005 
13. Ao fixar a liberdade de pesquisar cientificamente, de informar e 
de ser informado sobre as pesquisas científicas e seus resultados, sobre 
usufruir deles quando positivos, segundo padrões éticos que se afinem com 
os princípios democráticos, a Constituição garante a efetivação do direto 
à vida digna, propiciando que vivam melhor aqueles que, por qualquer 
adversidade, não podem contar com a plena condição de saúde física, 
psíquica e mental. Põem-se na esteira destes princípios as normas contidas 
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no art. 5º e parágrafos, da Lei n. 11.105, pelo que não há discordância 
entre o que neles contido e o que afirmado constitucionalmente. 
A Constituição garante não apenas o direito à vida, mas assegura a 
liberdade para que o ser humano dela disponha; liberdade