Jurisprudência Nascituro (3)
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Jurisprudência Nascituro (3)

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partir de embriões oriundos de FIV para fins de procriação, que não sejam mais
objeto de um projeto parental; (ii) devem se destinar a projetos terapêuticos
significativos; (iii) não podem ser substituíveis por métodos alternativos de eficácia
comparável; e (iv) devem ser autorizadas pela ABM - Agence de la Biomédecine após
ouvido o conselho de orientação (Cellules souches et choix éthiques. págs. 174/175;
Agence de la Biomédecine - página na Internet: <http://www.agence-
biomedecine.fr/fr/index.aspx>).

Dentre os países que autorizam a pesquisa, destacam-se, na Europa, a
Grã-Bretanha, a Bélgica e a Suécia.

A Grã-Bretanha regula as pesquisas com células-tronco embrionárias
desde 1990, com a edição do "Human Fertilisation and Embriology Act" - HFE (§
11(1)c e Anexo 2, §3), sobressaindo-se por já não proibir sequer a clonagem
terapéutica e a criação de embriões para fins de pesquisa.

Exerce papel fundamental no sistema britânico a autoridade criada pelo
HFE (Human Fertilisation and Embriology Authority - HFEA). Suas principais

ADI 3.510/DF
atribuições são: (i) conceder licenças para fiscalizar as clínicas de reprodução assistida
que utilizem de processos de fertlização in vitro (FIV); (ii) conceder licenças para
funcionamento dos centros de pesquisa com embriões humanos e fiscalizá-los; (iii)
conceder licenças e fiscalizar os bancos de estocagem de gametas e embriões; (iv)
manter um registro de doadores de gametas, tratamentos de fertilização e crianças
nascidas desses tratamentos; e (v) elaborar um código de conduta a ser observado
pelas clínicas de reprodução assistida e centros de pesquisa.

Existem rigorosos controles de acompanhamento (relatórios periódicos
devem ser enviados às autoridades de seis em seis meses), de necessidade (as
pesquisas não serão autorizadas, por exemplo, se podem ser substituídas por aquelas
com células-tronco de animais ou adultas) e de objetivos (as pesquisas devem buscar
a implementação de técnicas de tratamento de esterilidade ou de diagnóstico de
doenças hereditárias, o conhecimento relativo a abortos espontâneos, o
desenvolvimento de técnicas de contracepção mais eficazes e de detecção de
anomalias cromossômicas hereditárias, o conhecimento do desenvolvimento dos
embriões e o tratamento de doenças graves - Anexo 2, §3(2)).

A despeito da liberalidade do legislador, que admite até mesmo a
fertilização de óvulo animal com esperma humano (Anexo 2, §1(1)f e §3(5)), as
proibições não deixam de ser enumeradas, demonstrando a preocupação com o
sempre real e iminente perigo de utilização indevida do material de pesquisa. Assim,
por exemplo: (i) introduzir no útero de uma mulher um embrião que não seja humano
ou gametas que não sejam humanos; (ii) guardar ou manipular embriões após o
aparecimento da linha primitiva (14 dias); e (iii) substituir o núcleo celular de um
embrião com o núcleo de outro embrião ou de outra pessoa (§ 3(3)). Atualmente, está
em discussão no Parlamento uma revisão do HFE, apelidada de Human Fertilisation
and Embriology Bill, que pretende ampliar ainda mais as possibilidades de pesquisa
com embriões. Uma das mais destacadas envolve a criação de embriões híbridos
(DNA humano em citoplasma de vaca) para lidar com a escassez de células-tronco
para pesquisa, ensejando a criação de novas linhagens (Disponível em:
<http://services.parliament.uk/bills/2007-08/humanfertilisationandembryology.html>).

ADI 3.510/DF
A Suécia também se destaca ao permitir, desde 1991, as pesquisas

diretamente com os próprios embriões (também até o seu 14° dia de existência e
vedada sua implantação) e a partir de 2005 com as células-tronco embrionárias, desde
que autorizadas por um comitê ético que determina, antes de cada pesquisa, um
estudo sobre seus benefícios e riscos (Cellules souches et choix éthiques. pág.137).

A Espanha, que em 2003 editou uma lei que restringia as pesquisas com
embriões que já estivessem congelados até aquele ano, editou, em 26 de maio de
2006, a Ley sobre Técnicas de Reproducción Humana Asistida, levantando essas
restrições e deixando aos pais biológicos a decisão sobre sua utilização. Esse país foi
mais além e se juntou à Grã-Bretanha, Suécia e Bélgica na lista de países que
admitem a clonagem terapêutica. Interessante é a preocupação no sentido de que "e/
tratamiento deberá evitar la gestación múltiple, la práctica de la reducción embrionaria y
la generación de preembriones supernumerarios", limitando a implantação a 3 (três)
pré-embriões (considerados os óvulos fecundados com até 14 dias de existencia). A
imposição da lei anterior, que limitava a fecundação a um máximo de 3 (três) ovócitos
por ciclo foi retirada.

Na Bélgica, a lei de 11 de maio de 2003 (loi relative à la recherche sur
les embryons in vitro) admitiu a pesquisa com embriões em cultura, desde que: (i)
tenha objetivo terapêutico ou de contribuição para o conhecimento em matéria de
fertilidade, de esterilidade ou de formação de órgãos e tecidos; (ii) seja baseada nos
conhecimentos científicos mais atualizados e satisfaça as exigências de uma
metodologia correta de pesquisa científica; (iii) seja efetuada em um laboratório
autorizado, ligado a um programa universitário de medicina reprodutiva; (iv) seja
supervisionada por um médico especialista ou um doutor em ciências; (v) os embriões
tenham até 14 (quatorze) dias de existência sem congelamento; e (vi) não existam
outros métodos de pesquisa alternativos com eficácia comparável. Exige-se, ainda, o
consentimento prévio dos doadores. A criação de embriões in vitro somente é
autorizada se o objetivo da pesquisa não for alcançável com os embriões excedentes
(Disponível em: <http://www.staatsbladclip.be/lois/2003/05/28/loi-2003022592.html>).

Em Portugal, a Lei n° 32/2006, de 26 de julho, permitiu através de seu

ADI 3.510/DF

art. 9o, as pesquisas com embriões, sempre que observadas as condições ali
estabelecidas, como a proibição da criação de embriões e da investigação científica
para fins outros que não a prevenção, o diagnóstico ou a terapia de embriões,
aperfeiçoamento das técnicas de reprodução assistida e para a constituição de bancos
de células-tronco para transplante ou quaisquer outras finalidades terapêuticas. O uso
de embriões para pesquisa somente será admitido se for razoável esperar que resulte
em benefício para a humanidade. A pesquisa, de todo modo, deverá ser previamente
apreciada e aprovada pelo Conselho Nacional de Procriação Medicamente Assistida.

Nos Estados Unidos, como se sabe, os estados federados estão livres
para baixar suas próprias políticas, havendo restrição apenas no que se refere ao
financiamento público federal.

Nessa linha, proíbem quaisquer pesquisas envolvendo embriões os
Estados da Flórida, Louisiana, Maine, Michigan, Minnesota, Dakota do Norte,
Pensilvânia e Dakota do Sul. Permitem-nas, com exceção da transferência celular, os
Estados de Arkansas, Indiana, New Hampshire e Virgínia. Além desses, e permitindo a
transferência celular, os Estados da Califórnia, Connecticut, Illinois, Iowa, Maryland,
Massachussets, Missouri, Nova Jersey e Rhode Island. Financiamentos públicos são
expressamente proibidos nos Estados do Arizona, Geórgia, Michigan, Missouri e
Nebraska; e permitidos na Califórnia, Connecticut, Illinois, Maryland, Nova Jersey, Ohio
e Virgínia (Disponível em: <http://www.hinxtongroup.org/usa_map.html>). Há registro
de que a Califórnia tenha aprovado um investimento total de três bilhões de dólares nas
pesquisas com células-tronco embrionárias (Disponível em:
<http://www.mbbnet.umn.edu/scmap.html>).

O Canadá editou, em 29 de março de 2004, um ato (Assisted
Reproduction Act) que autoriza as pesquisas com embriões e que também impõe
alguns requisitos, destacando-se a exigência de consentimento informado (Disponível
em: <http://www.hc-sc.gc.ca/hl-vs/reprod/index_e.html>).

Na Ásia, Japão, China, Coréia do Sul e Cingapura autorizam tanto a
pesquisa com embriões quanto a clonagem terapêutica,