Jurisprudência Nascituro (3)
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Jurisprudência Nascituro (3)

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O estudo foi citado no já referido relatório Alternative Sources of

ADI 3.510/DF

Human Embryonic Stem Cells, de maio de 2005, como uma das fontes alternativas
de células-tronco embrionárias. Essa e outras alternativas, como a extração de células-
tronco na fase de blastômero sem prejudicar o desenvolvimento do embrião, foram
analisadas pelo relatório, que buscou sua aceitação ética e sua factibitidade.

A proposta de Landry e Zucker foi considerada promissora, mas foram
levantadas dúvidas quanto à definição de um marco objetivo para determinar a morte
do embrião e a real possibilidade de obtenção de células apropriadas para gerar
linhagens, que poderiam apresentar as mesmas dificuldades do método de Lanza.

Uma das relatoras, Janet Rowley, esclareceu, em palavras que refletem
bem o interesse da comunidade científica apenas pela exploração da fonte de células-
tronco embrionárias que se mostre mais acessível, que "seria estranho deixar grande
número de embriões indesejados, porém normais, morrerem, e ao mesmo tempo pedir
aos cientistas que fizessem enormes esforços para extrair células de embriões
potencialmente normais, mas também potencialmente anormais, apenas dentre
aqueles descongelados que deixaram espontaneamente de se dividir" (op. cit., pág.
21).

O relatório, porém, e conforme anotado, é de maio de 2005 e desde
então muitos progressos foram feitos no que se refere a essa alternativa.

Já em 2006, Landry e Zucker realizaram novo estudo, agora com a
contribuição de Mark Sauer, Michael Reznik e Lauren Wiebw, buscando encontrar
exatamente um critério objetivo para o reconhecimento da interrupção de clivagem. O
trabalho envolveu a observação de um total de 142 embriões classificados como
inviáveis pelo Centro de Reprodução da Universidade de Columbia e que, no seu 5o

(quinto) dia de existência, foram caracterizados como hipocelulares. Nenhum deles se
desenvolveu mais.

Concluíram os autores que:

"(...) com base nesses dados, propomos que a
hipocelularidade e a falta de compactação no seu 5º dia de existência
constituam um conjunto de critérios para diagnóstico de uma interrupção
irreversível do desenvolvimento do embrião humano e que, em
correspondência direta com o paradigma da morte encefálica, seja

ADI 3.510 /DF
suficiente para diagnosticar a morte. O embrião humano que se
enquadre nesse critério morreu como um organismo, ainda que algumas
células individualmente continuem vivas" (Hypocellularity and absence
of compaction as criteria for embryonic death. in Regenarative
Medicine 1, 3 págs. 367 a 371).
Também em 2006, urn grupo formado por Xin Zhang, Petra Stojkovic,

Stefan Przyborski, Michael Cooke, lyle Armstrong, Majlinda Lako e Miodrag
Stojkovic demonstrou que embriões com seu desenvolvimento estagnado também são
fontes de células-tronco. No estudo, os cientistas relatam:

"Muitas linhagens de células-tronco embrionárias
humanas foram obtidas até hoje e muitas delas já foram derivadas de
embriões classificados como de baixa qualidade. Até aqui, a maioria
derivou de massa celular interna (ICM - inner cell mass) ou de mórulas
ou blastôcitos de diferentes qualidades, com 4 a 8 dias de existência.
Este estudo descreve, pela primeira vez, a derivação de linhagens de
células-tronco embrionárias humanas de mórulas de alta e baixa
qualidade, assim como de embriões que pararam de se desenvolver.
Nós demonstramos que esses embriões, que nunca alcançaram a fase
de mórula ou blastocisto e são normalmente tidos por 'mortos' têm um
potencial de proliferação e podem ser utilizados para a derivação de
células-tronco embrionárias humanas sob condições apropriadas de
cultura" (Derivation of human embryonic stem cells from developing
and arrested embryos, publicado no periódico eletrônico Stem Cells,
em 21 de setembro de 2006. Disponível em: <www.stemcells.com>.
Acesso em 18mar. 2008).

Em termos científicos, essa não é, em comparação com o embrião
excedente e mesmo com o embrião considerado inviável com 5 dias na forma de
blastocisto, a fonte primeira e privilegiada de células-tronco embrionárias. Isso é o que
mostra o grupo capitaneado por Paul Lerou (Akiko Yabuch, Hongguang Huo,
Ayumu Takeuchi, Jéssica Shea, Tina Cimini, Tan Ince, Elizabeth Ginsburg,
Catherine Racowski e George Daley) ao afirmar em seu estudo:

"Em analogia às regras utilizadas para obter órgãos vitais
para transplante após a morte cerebral, tem se defendido que embriões
organicamente 'mortos', definidos por uma estagnação irreversível da
divisão celular, são fontes aceitáveis de cétulas-tronco embrionárias.

ADI 3.510/DF

Alguns dos embriões de baixa qualidade insensíveis para uso clínico no
terceiro dia após a fertilização cessaram sua divisão celular; todavia,
nossos dados indicam que esses embriões são uma fonte pobre de
linhagens de células-tronco embrionárias. Em contraste, embriões de
baixa qualidade que chegaram até o estágio de blastocisto são uma
robusta fonte de linhagens normais de células-tronco embrionárias"
(Human embryonic stem cell derivation from poor quality embryos,
in Nature Biotechnology, fevereiro de 2008, v. 26, n° 2).

Curiosamente, nesse estudo, contudo, a única linhagem de células-
tronco embrionárias humanas derivadas de um embrião de 3 (três) dias (e inviável para
fins da clínica de reprodução assistida) resultou exatamente de um espécime de 6
células com desenvolvimento estagnado. Esse fato foi anotado em contato que fizemos
diretamente com o próprio Landry e registrado em seu mais recente estudo, em
conjunto com Svetlana Gavrilov, Robert Prossert Imran Khaltd, Joanne
MacDonald, Mark Sauer e Virginia Papaioannou. Esse trabalho, ainda não
publicado, demonstra, para além de que os embriões com desenvolvimento estagnado
no sexto dia (ED6) não tornam a se dividir, que estes são uma rica fonte de células-
tronco embrionárias humanas. Foram examinados 227 embriões considerados
inviáveis pelo centro de reprodução da Universidade de Columbia, dos quais 79 foram
escolhidos aleatoriamente para permanecerem em cultura, de modo a verificar seu
eventual desenvolvimento, que não ocorreu. Os outros 148 embriões passaram por
uma contagem de células, dos quais 20 se encontravam totalmente desintegrados. Dos
128 restantes, 22 (17%) não tinham células vivas, 103 (80%) apresentaram entre 1 e
32 células vivas, enquanto que 3 (menos de 3%) tinham mars de 32 células vivas, o
que permitiu a conclusão:

"Aqui nós mostramos que embriões estagnados não
retomam seu desenvolvimento normal durante um período prolongado
de cultura, ainda que a maior parte deles contenha um número
substancial de células vivas no 6o dia de existência (ED6) (72% têm
mais de 1 célula viável, 47% têm mais de 5 células viáveis), indicando
que esses embriões inviáveis poderiam ser uma rica fonte de células
viáveis para fins de geração de linhagens de células-tronco
embrionárias" (Irreversibly arrested, nonviable (organismically dead)

ADI 3.510/DF
human embryos as a source of viable cells for human embryonic
stem cell (hESC) derivation).

Confrontada com estudos como os de Lanza e Landry-Zucker, a
comunidade científica geralmente não valoriza a obtenção das células-tronco assim
obtidas, sustentando que não são confiáveis por ainda não terem sido replicados por
outros grupos. E depois de não lhes dedicar mais que um relance, volta os olhos para o
método Thomson e nele persiste. É claro, esse é o método padrão. Mas isso não quer
dizer que não seja viável a utilização dos métodos abertos pelas pesquisas de Lanza e
Landry-Zucker. O desenvolvimento das pesquisas nessa área é que vai autorizar a
evolução do método e sua prática como meio de obtenção de células-tronco
embrionárias.

O que merece relevado é a circunstância de o método possibilitar o
avanço da ciência nessa área sem comprometer a vida e sem malferir a dignidade da
pessoa humana. Por isso, ao contrário do que se dá com um simples programa de
computador, a escolha dos métodos