Jurisprudência Nascituro (3)
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Jurisprudência Nascituro (3)

Disciplina:Teoria Geral do Direito Privado I20 materiais121 seguidores
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considerados os embriões congelados há 3 (três) anos ou mais, na
data da publicação da Lei n° 11.105/2005, ou que, já congelados na data de publicação
da Lei n° 11.105/2005, depois de completarem 3 (três) anos de congelamento, dos
quais, com consentimento, informado prévio e expresso dos genitores, por escrito,
somente poderão ser retiradas células-tronco por método que não cause a sua
destruição;

5. no § 1o, declarar parcialmente a inconstitucionalidade, sem redução
de texto, para que seja entendido que o consentimento é um consentimento informado
prévio e expresso, por escrito, dos genitores; e

6. no § 2°, declarar a inconstitucionalidade, sem redução de texto, para
que seja entendido que as instituições de pesquisa e serviços de saúde que realizem
pesquisa ou terapia com células-tronco embrionárias humanas deverão submeter
previamente seus projetos também à aprovação do Ministério da Saúde, presente o
crime do art. 24 da Lei n° 11.105/05 na autorização para a utilização de embriões em
desacordo com o que estabelece a lei, nos termos da interpretação acolhida neste

ADI 3.510/DF

voto.

Por fim, torna-se necessário examinar a aplicação do art. 27 da Lei n°
9.868/1999, que autoriza a modulação dos efeitos da declaração de
inconstitucionalidade. É que já estão em curso diversas pesquisas com células-tronco
já obtidas por pesquisadores brasileiros. Para preservar o andamento dessas
pesquisas, entendo necessário modular os efeitos da declaração parcial de
inconstitucionalidade a partir da data deste julgamento.

28/05/2008 TRIBUNAL PLENO

AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 3.510 DISTRITO FEDERAL

O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO - Presidente, uma

explicitação apenas quanto ao alcance do voto de Sua Excelência.

Pelo que percebi, haveria, no bojo, a própria criação de um tipo

penal, pela decisão do Tribunal?

O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO – Ministro Celso de

Mello (inserido ante o cancelamento do aparte por Sua Excelência),

foi.

O SENHOR MINISTRO GILMAR MENDES (PRESIDENTE) – Está se

estendendo ao artigo 27?

O EXCELENTÍSSIMO SENHOR MINISTRO MENEZES DIREITO:

Não. Talvez tenha me explicitado mal. O que eu estou

dizendo é que o artigo 24, que tem essa tipificação, deve considerar

também, para os efeitos do que está previsto no próprio artigo 5º,

que esses autores da autorização e fiscalização sejam alcançados.

Foi só isso que eu disse.

O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO – Na verdade, Sua

Excelência está propondo, mediante interpretação – que não é objeto

da ação - do artigo 27, uma modalidade de controle da interpretação

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ADI 3.510 / DF

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de constitucionalidade do artigo 5º. Noutras palavras, ele está

recorrendo à interpretação de outro artigo para assegurar uma

limitação inerente ao alcance da declaração de inconstitucionalidade

que reconhece. Não está julgando o artigo 27, mas o artigo 5º!

O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO – Mas com conseqüências

penais? Porque, pelo que percebi, o artigo 5º somente contempla um

tipo penal, se houver a comercialização. Quer dizer, passaríamos a

ter o tipo penal pelo não-respeito à decisão do Tribunal quanto à

interpretação conforme. Poderíamos chegar a esse ponto?

O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO – Ministro Celso de

Mello (inserido ante o cancelamento do aparte por Sua Excelência), e

não é uma cláusula em branco.

O SENHOR MINISTRO CARLOS BRITTO (RELATOR) – E o artigo

25 também, porque apenas a prática de engenharia genética em célula

germinal humana, zigoto humano ou embrião humano. Aqui sim.

O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO - Ministro, eu

ponderaria à Corte – e não apenas porque o voto de Sua Excelência

foi, além de erudito e brilhante, alentado – que deixássemos todas

essas considerações para depois de todos terminarem os votos,

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porque, se avançarmos intervenções e pedidos de esclarecimentos a

cada voto, não vamos sair daqui antes de uma semana.

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28/05/2008 TRIBUNAL PLENO

AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 3.510 DISTRITO FEDERAL

CONFIRMAÇÃO DE VOTO

O SENHOR MINISTRO CARLOS BRITTO (RELATOR) - Senhor

Presidente, a lei agora impugnada autoriza o uso de células-tronco

embrionárias produzidas in vitro, ou seja, em vidro, para fins de

pesquisa científica e tratamento médico. Relembro, ela porta as

seguintes condições para as pesquisas:

Primeira: o não aproveitamento para fim reprodutivo do

embrião congelado in vitro (não aproveitamento por livre decisão do

casal).

Segunda: que o embrião se caracterize pela sua

inviabilidade reprodutiva, ou seja, ele já não detenha a capacidade

de clivagem ou de reprodução celular numa progressão verdadeiramente

geométrica.

Terceira: que esteja congelado o embrião há pelo menos

três anos da data da publicação da lei, ou que, já efetivamente

congelado nessa data, venha a completar três anos. No particular, a

lei é de eficácia exaurida, porque os três anos de congelamento já

decorreram em qualquer das duas situações do inciso II.

ADI 3.510 / DF

E, finalmente, quarta condição: o consentimento do

casal-doador do material genético, biológico (é preciso o

consentimento expresso do casal-doador).

Além disso, a lei estabelece a obrigatoriedade de

encaminhamento de todos os projetos de pesquisas com células-tronco

aos comitês de ética e pesquisa respectivos, que funcionam

basicamente nas universidades federais; e veda, tipificando como

crime, a comercialização do material biológico.

No art. 6º, a lei toma outras cautelas ou

sobrecautelas, como, por exemplo, proibir a prática de engenharia

genética em organismo vivo ou o manejo in vitro de ADN/ARN natural

ou recombinante.

A engenharia genética é proibida, também, no inciso

III do art. 6º, com célula germinal humana, zigoto humano e embrião

humano.

Vai além a lei. A lei proíbe, no inciso IV do art. 6a,

a clonagem humana.

Senhor Presidente, eu disse em meu voto e repito, a

Constituição Federal não faz de qualquer estádio da vida humana um

autonomizado bem jurídico, mas da vida que já é própria de uma

concreta pessoa, a vida de alguém, de um indivíduo já adornado da

personalidade civil. Vale dizer, nessa perspectiva que tenho como

rigorosamente constitucional, a vida humana ou a pessoa humana se

ADI 3,510 / DF

define como o fenômeno que transcorre entre o nascimento com vida e

a morte cerebral.

Fui muito criticado por essa definição, mas as pessoas

que criticavam invariavelmente mutilavam o meu conceito. Em todas as

críticas a esse conceito, eu pude verificar isso. A pessoa humana, o

individuo biográfico, o ser humano adornado de personalidade civil é

o fenômeno que transcorre do nascimento com vida à morte cerebral.

Muito bem, eu disse isso porque eu tentei fugir de uma

perspectiva analítica teológica ou filosófica, ou mesmo científica

mais aprofundada, uma vez que esse terreno nos leva a uma discussão

interminável. Nós vamos nos perder no infinito, dado que há

correntes