Soc. Limitada ou S.A. Fechada
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Soc. Limitada ou S.A. Fechada


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deno­
minado de garantia para os credores espe­
cialmente a título de informação de sua hi­
potética capacidade de assumir compromis­
sos e honrá-los, sendo imprescindível a anã­
lisedo balanço social para que se verifique 
38. Sílvio de Salvo Venosa, Direito Civil, v. 1, 
Parte Geral,	 2ª ed., p. 30 L 
.19. üb. cit., p. 293. 
a real" condição do patrimônio e solvên­
cia da sociedade." 
Por constituir o capital social garantia 
aos credores somente em termos informati­
vos, o princípio de sua intangibilidade so­
freu críticas da doutrina, que foram analisa­
das quando dos debates para a edição da Lei 
6.40411 976. Apesar da autoridade de quem 
as perfilhavam, prevaleceu na Lei das So­
ciedades por ações também aquele princípio. 
É o que nos dá conta ainda Rubens Requião, 
citando o não menos ilustre Lamy Filho: 
"O princípio da intangibilidade do ca­
pital, que dominava a doutrina, está perden­
do sua predominância, sobretudo no que diz 
respeito às companhias. Em substanciosa 
conferência que proferiu, em 1971, sobre 
'A Reforma da Lei de Sociedades Anôni­
mas', o Prof. Lamy Filho, que mais tarde 
seria um dos autores do projeto da atual lei, 
enfrentava o tema, analisando as concep­
ções modernas sobre o capital social. Como 
o assunto é, de fato, de alta relevância, aco­
lhemos aqui a autorizada lição do eminen­
te jurista: 'Doutrinariamente, o conceito de 
capital vem sofrendo, também de estudio­
sos europeus, sérias restrições. Nesse sen­
tido, cumpre destacar, na matéria, o traba­
lho de Paulette Veaux-Fournerie. Mas é do 
eminente Prof. Bayles Maning a melhor 
demonstração sobre a imprestabilidade da 
noção de capital para a finalidade de ga­
rantia de credores. Em seu livro sobre Le­
gal Capital, capítulo V, diz o Pro f. Maning 
que se pode afirmar, com segurança, que a 
40. Em tempos de escandalosas fraudes contá­
beis como a da Enron e da World Com, até mesmo a 
contabilidade deve ser posta sob suspeita. 
4l. Em nossa atuação profissional, tivemos 
oportunidade de representar um cliente que havia 
comprado maquinário no montante de R$ 140.000,00 
(cento e quarenta mil reais). Surgido o litígio, quando 
fomos verificar o capital social da empresa vendedo­
ra,esse alcançava a irrisória quantia de R$ 1.000,00 
(mil reais). Evidentemente, negociar máquinas nes­
se valor, com uma empresa de capital social tão di­
minuto, representa sério risco negocia! que deve ser 
levado em conta, na medida em que era notória a 
incapacidade da vendedora de fazer face sequer à 
clausula penal do contrato. 
45 ATUALIDADES 
maquinaria do capital social produz pouca 
ou nenhuma proteção aos credores, e eles, 
sabendo disso, buscam outras garantias. E 
as razões seriam muitas entre as quais apon­
ta: a) a cifra que traduz, num balanço, o 
lucro, é fruto de um sem-número de prévias 
decisões contábeis, que, se houver interes­
se, serão facilmente fraudadas: b) os cre­
dores não são ouvidos sohre as decisões de 
alterar a cifra do capital social, e esta é sem­
pre arbitrária e irrelevante; c) não há nenhu­
ma lógica em tomar-se um número qual­
quer (o capital) e fazê-lo de medida para 
distribuição de dividendos e bonificações 
a acionistas; d) o sistema contábil não leva 
em conta a dimensão tempo, e não distin­
gue entre um crédito a realizar-se em 20 
anos e o realizável na próxima semana; e) 
urna contabilidade que pretendesse resol­
ver esses problemas cairia em debates con­
ceituais à pior maneira dos teólogos medie­
vais etc. etc.' (in Rcv. Di, Mer. Ind. Ec. Fin. 
7, Nova Série, 1972, p. 124). 
"Expondo o pensamento do Prof. Ma­
ning, o autor do projeto da lei atual com 
ela entretanto, não concorda. Os argumen­
tos desfiados são mais adequados à reali­
dade americana que li do direito continen­
tal europeu, ao qual nos filiamos. E, contes­
tando aqueles argumentos, conclui que pro­
vam demais: 'se a defesa dos credores é 
incompleta, nem por isso se deve destruí- la, 
mas antes reforçá-Ia; se as fraudes contábeis 
são possíveis, as normas e praxes se vêm 
aperfeiçoando, e não é tão fácil praticá-las 
porque há sempre o risco da responsabi­
lidade criminal na falência; e, afinal, não nos 
parece possível prescindir da noção de ca­
pital, no estágio atual de nossos usos e práti­
cas comerciais. Tal fato envolveria riscos 
econômicos sem maior proveito, pelo que, a 
nosso ver, deve ser desprezada a hipótese'. 
"Venceu, e muito convenientemente, 
a tese da intangibilidade do capital social 
na atual lei, sobretudo em consideração ao 
direito dos credores da companhia.T" 
112. Rubens Requião , Curso de Direito Comer­
zíal; v. 2, 20' ed., pp. 43-44. 
Defendido arduamente em doutrina, o 
princípio da intangibilidade do capital so­
cial se encontra positivado pejos arts. 1.059 
do NCC e 201 da LS/\.: 
Art. 1.059. Os sócios serão obriga­
dos à reposição dos lucros e das quantias 
retiradas, a qualquer título, ainda que au­
torizados pelo contrato, quando tais lucros 
ou quantia se distribuírem com prejuízo 
do capital. 
Art. 201. A companhia somente pode 
pagar dividendos li conta de lucro líquido 
do exercício, de lucros acumulados e de 
reserva de lucros; e à conta de reserva de 
capital, no caso das ações preferenciais de 
que trata o § 5º do art. 17. 
§ J º. A distribuição de dividendos 
com inobservância do disposto neste arti­
go implica responsabilidade solidária dos 
administradores e fiscais, que deverão re­
por à caixa social a importânciadistribuí­
da, sem prejuízo da ação penal que no caso 
couber. 
§ 2~. Os acionistas não são obriga­
dos a restituir os dividendos que em boa­
fé tenham recebido. Presume-se a má-fé 
quando os dividendos forem disrribnídos 
sem o levantamento do balanço ou em 
desacordo com os resultados deste. 
Verifica-se pequena divergência na 
aplicação do princípio em cada tipo socie­
tário. Enquanto nas sociedades limitadas os 
sócios devem repor as quantias distribuí­
das em prejuízo ao capital social, nas socie­
dades por ações SãD os administradores e 
fiscais que a tanto estão obrigados, dispen­
sando-se os acionistas dessa incumbência, 
salvo quando agindo de má-fé. 
O princípio em análise, no entanto, não 
implica em imutabilidade eterna do capital 
social. Ele pode ser aumentado ou reduzi­
do, desde que respeitadas as regras legais 
que têm por função resguardar o interesse 
dos credores sociais. Na sociedade limita­
da, tanto o aumento quanto a redução são 
realizados por modificação no contrato so­
cial e levado a Registro Público. A redu­
ção, por óbvio, é cercada de cautelas, en­
contrando-se prevista no art. 1.082 a 1.08'\: 
46 REVISTA DE DIREITO MERCANTIL-l33 
Art. 1.082. Pode a sociedade redu­
zir o capital, mediante a correspondente 
modificação do contrato: 
I - depois de integralizado, se hou­
ver perdas irreparáveis; 
II - se excessivo em relação ao ob­
jeto da sociedade. 
Art. 1.083. No caso do inciso I do 
artigo antecedente, a redução do capital 
será realizada com a diminuição propor­
cional do valor nominal das quotas, tor­
nando-se efetiva a partir da averbação, no 
Registro Público de Empresas Mercantis, 
da ata da assembléia que a tenha aprovado. 
Art. 1.084. No caso do inciso II do 
art. 1.082, a reduçao do capital será feita 
restituindo-se parte do valor das quotas 
aos sócios, ou dispensando-se as presta­
ções ainda devidas, com diminuição pro­
porcional, em ambos os casos, do valor 
nominal das quotas. 
§ ] º. No prazo de noventa dias, con­
tado da data da publicação da ata da as­
sembléia que aprovar a redução, o credor 
quirografário, por título líquido anterior a 
essa data, poderá opor-se ao deliberado. 
§ 2º. A redução somente Se tornará 
eficaz se, no prazo estabelecido no pará­
grafo antecedente, não for impugnada, ou 
se provado o pagamento da dívida ou o 
depósito judicial do respectivo valor. 
§ 3º. Satisfeitas as condições estabe­
lecidas no parágrafo antecedente, proce­
der-se-á à averbação, no Registro Público 
de Empresas Mercantis, da ata que tenha 
aprovado a redução. 
Interessante disposição é a do art.