Soc. Limitada ou S.A. Fechada
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Soc. Limitada ou S.A. Fechada


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de sócios. Essa 
regra é de fundamental importância, pois, 
segundo Fábio Ulhoa Coelho: "A diferen­
ça entre a assembléia e a reunião não está 
apenas na designação dada ao encontro dos 
sócios. A lei contempla uma sutileza, esca­
pável à primeira leitura. Em dois dispositi­
vos (arts. 1.072, § 6º, e 1.079), o Código 
Civil estabelece que as regras sobre a as­
sembléia dos sócios aplicam-se às reuniões, 
nos casos de omissão do contrato social. 
Quer dizer, o contrato social que admite 
deliberações em reunião de sócios pode 
também estabelecer regras próprias sobre 
sua periodicidade, convocação (competên­
cia e modo), quorum de instalação, curso e 
registro dos trabalhos. Como as normas le­
gais atinentes a essas formalidades da as­
sembléia são supletivas do contrato social, 
elas se aplicam apenas quando os sócios 
nada contrataram sobre ela"." 
4.2 Assembléias dos sócios 
É em relação às Assembléias que en­
tendemos que o Código Ci vil de 2002 se 
afastou das características predominantes 
da absoluta maioria das sociedades limi­
tadas. 
Esse tipo societário se caracteriza ge­
ralmente por pequenos empreendimentos, 
formado por sócios de vida simples e des­
preocupados com formalismos legais e bu­
rocráticos. Pois bem, o novo Código insti­
tui um modelo altamente complexo e mi­
nucioso em relação à esse órgão que expri­
me a vontade as sociedade, esclarecendo a 
necessidade de convocação da assembléia 
nos primeiros quatro meses após o exerCÍ­
cio social, a fim de apreciar as contas dos 
administradores e quaisquer outras maté­
rias incluídas pelos sócios. 
O que se pode inferir de urna análise 
do modelo das assembléias de sócios im­ , 
46. Fábio Ulhoa Coelho, A Sociedade..., cito 
p.94. ! I 
t 
I j, 
49 ATl'ALIDADES 
plementado pelo Código Civil de 2002 é 
uma grande proximidade com a sistemáti­
ca adotada para as assembléias gerais das 
companhias, desde a convocação até nos 
quóruns de instalação e deliberação. Senão 
vejamos. 
4.3 Convocação 
A convocação para a Assembléia de­
verá ser realizada primeiramente pelos ad­
ministradores, e, subsidiariamente, pelos 
sócios ou pelo Conselho Fiscal, se houver. 
A convocação da assembléia pelos sócios 
individualmente pressupõe o retardamento 
da convocação pelos administradores por 
mais de dois meses. É também possível a 
convocação por sócios que representem 
mais de 20% do capital social, no caso de 
não atendimento, em oito dias, a pedido de 
convocação com a indicação das matérias 
a serem tratadas. Também poderá ser reali­
zada pelo Conselho Fiscal nos casos em que 
a Diretona retardar por mais de trinta dias 
a sua convocação anual, ou sempre que 
ocorram motivos graves e urgentes. 
Reza a boa doutrina dever ser a con­
vocação realizada de forma a dar ciência 
inequívoca aos sócios da data, hora, local e 
relação das matérias a serem tratadas, para 
que todos comparecem e façam exprimir a 
vontade real da sociedade. Dessa maneira, 
incorreu em grave erro o legislador, clara­
mente inspirado no modelo adotado pela 
Lei 6.404/1976, ao determinar que a con­
vocação para a assembléia se faça median­
te publicação na imprensa (art. 1.152 do 
NCC). Ora, fato é que a mera publicação 
de convocação não leva o ato ao conheci­
mento do interessado, presumindo-se erro­
neamente a ciência deste sobre a realiza­
ção da assembléia. O mais correto, no nos­
so inteligir, teria sido a adoção da convo­
cação por via postal. 
Não havendo a ciência escrita da rea­
lização da assembléia, deve haver a publi­
cação, por três vezes, de editais na impren­
sa oficial e em jornal de grande circulação, 
com antecedência mínima de oito dias, con­
tados da primeira publicação. 
É, criticável ainda a nova sistemática 
introduzida pelo novo Código, pois descon­
sidera a realidade econômica das socieda­
des limitadas, na medida em que cria um 
novo custo fixo para essas sociedades, que 
terão relevante despesa com a publicaçáo 
de editais em jornais. 
4.4 Instalação 
Regularmente convocada, a assem­
bléia deve ser instalada, ou seja, deve ini­
ciar seus trabalhos, contando para tanto com 
a presença de titulares de três quartos do 
capital social, em primeira convocação (art. 
1.074, caput). 
Caso tal quorum não seja atingido, 
deverá existir urna segunda convocação, 
pelo mesmo modo, com antecedência mí­
nima de cinco dias, contada da primeira 
publicação, podendo a assembléia funcio­
nar com qualquer número de sócios. 
Entrando em funcionamento, compe­
te à assembléia deliberar sobre as matérias 
constantes da ordem-do-dia, devendo ser 
presidida por sócios escolhidos entre os 
presentes. 
4.5 Deliberações 
Como preceitua o art. ] .010 do NCC 
(aplicado às sociedades limitadas por dis­
posição do art. 1.053), as deliberações se­
rão tornadas pelos votos dos sócios conta­
dos de acordo com a participação no capi­
tal social. 
No regime do Decreto 3.70811919 foi 
estabelecido o critério majoritário (mais 
simples e condizente com as condições das 
Ltdas.) o qual não mais prevalece para o 
Código Civil de 2002, que estabelece quo­
rum diversificado para uma série de deli­
berações (art. 1076). 
Assim, para a modificação do contra­
to social, a fusão, a incorporação da socie­
dade por outra, sua dissolução, ou a cessão 
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_t rf 
50 REVISTA DE DIREITO MERCANTIL-133 
do estado de liquidação, exige-se a apro­
vação de três quartos do capital social. 
Para a nomeação, destituição ou fixa­
ção de remuneração dos administradores, 
bem corno o pedido de concordata, exigc­
se mais da metade de todo o capital social. 
Exige-se ainda a unanimidade para a 
designação de administrador não sócio, no­
meado pelo contrato social, e para a nomea­
ção de administrador não sócio, quando já 
estiver o capital totalmente integralizado. 
Por fim, exige-se a maioria dos votos 
dos presentes na assembléia para os demais 
assuntos da ordem-da-dia, salvo quorum 
maior exigido pelo capital social. 
Corno já ressaltado, a extensa diferen­
ciação de quorum para deliberação, trazida 
pelo Código de 2002 para as sociedades 
limitadas, complica desnecessariamente a 
gestão dessa sociedade tradicional e muito 
difundida até hoje exatamente por sua sim­
plicidade. 
4.6 Sociedade anônima 
- Assembléia geral 
Dc forma semelhante ao que ocorre 
com as assembléias de sócios e as reuniões, 
previstas para as sociedades limitadas, pos­
suem as sociedades por ações órgão delibe­
rativo de onde emana sua vontade sobera­
na. À esse órgão dá-se o nome de Assem­
bléia Geral. 
Com já mencionado, devido à comple­
xidade adotada pelo Código Civil de 2002, 
no que se refere à disciplina adotada para a 
Assembléia de Sócios, muito se tem comen­
tado entre as semelhanças agora existentes 
entre essa e a Assembléia Geral das S/A 
Marlon Tomazette assim se posiciona: "Ins­
titui-se no âmbito das limitadas algo muito 
similar à assembléia geral ordinária da so­
ciedade anônima" 47 
.Assim corno ocorre nas sociedades li­
mitadas, a Assembléia tem competência 
47. Marlon Tomazette, Direito Societário, p. 
170. 
para deliberar sobre os atos mais importan­
tes para a companhia, quais sejam, aqueles 
que se encontram elencados no art. 122 da 
Lei das S/A (com redação determinada pela 
Lei 10.30312001): 
ArL 122.Compete privativamente à 
assembléia-geral: 
I - reformar o estatuto social; 
II - eleger ou destituir, a qualquer 
tempo, os administradores c fiscais da 
companhia, ressalvado o disposto no inci­
so li do art. 142; 
111 - tomar, anualmente, as contas' 
dos administradores e deliberar sobre as 
demonstrações financeiras por eles apre­
sentadas; 
IV - autorizar a emissão de de­
bêntures, ressalvado o disposto no § Iºdo 
art. 59; 
V - suspender O exercício dos di­
reitos do acionista (art. 120); 
VI - deliberar sobre a avaliação de 
bens com que o acionista concorrer para a 
formação do capital social; 
VlI- autonzar a emissão de partes 
beneficiárias; 
VIlI . deliberar sobre transforma­
ção, fusão, incorporação e cisão da com­
panhia, sua dissolução e liquidação, ele­