Soc. Limitada ou S.A. Fechada
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Soc. Limitada ou S.A. Fechada

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Atual-dades

SOCIEDADE LIMITADA OU ANÔNIMA FECHADA?

o novo dilema dos empreendedores nacionais I

RICARDO GU IMARÃES M OREIRA

C71PiTULO I - Ele mentos essen ciai s à esco lha do tipo societário. CAPíTULO 2
- Consti tuição das sociedades em exame. CAPíTULO 3 - A d ivisão do capita l.
CAPiTULO 4 - Con voca ç ão, instauração e delib erações em assemb léias e reu ­
niõe s: 4.1 Re uni ões; 4.2 Assembl éia s dos sácios; 4.3 Convocação; 4.4 Insta ­
la ção; 4.5 Delib eraçõ es; 4.6 Sociedade anô n ima - As sem b léia gera l; 4.7
Co nvocação ; 4.8 Insta lação; 4.9 De lib erações. CAPíTULO 5 - A administra­
çã o das sociedade s e a responsabilida de dos administradores: 5.J Da admi­
nis tração da soc iedade por ações e da socieda de limitada : breves co nsi dero­
çõ es ; 5.2 Da resp onsabi lidade dos admin istra dores. CAPíTULO 6 - Regras de
"des inves timento " - O direito de retirada. Con clu são . Referências biblio ­
gráficas

Introdução

Em 1Ode janeiro de 2002 foi publicado
o novo Cód igo Civil bras ileiro , Le i 10.4061
2002, cuj a vigência iniciou-se em 11 de ja­
neiro de 2003. A mídia em gera l costuma
denominar o Código Civil como o "Estatuto
da Cidadania", na medida em que este di­
ploma legal regula a predominância das re­
lações sociais do cidadão comum, dispondo
desde a aquisição de personalidade, através
do nascimento, até sua morte, passando pelo
casamento. .a constituição de famíl ia e uma
série de contratos que o sujeito irá firmar ao
longo de sua existência, regendo seus bens.

I. O present e traba lho foi originalmente Con­
cebido como monografia para a disciplina "Direito
Empresarial Comparado Il" no Mestrado em Dire ito
Empresarial da Universid ade Federa l de Minas Ge ­
rais, em curso pelo autor.

N ão ob sta nte esse papel "tradicio nal"
do Có digo Civil, desempenhad o no país
desde 191 6 pe lo diploma revo gado , o novo , :
Código Ci vil pr eten deu unificar o direito
priva do naci on al, tra zend o para den tro de
sua área de abrangência matérias co ns uetu­
dinariamente afeitas ao direito co me rcial,
com o títul os de cr éd ito? e, princi pa lme nte ,
o direit o soc ietário, com a inserção do L i­
vro Il - Do Direito de E mpresa.

Apesar das crí ticas qu e pod em se r
dirigidas a essa ten tati va de unificação, no­
tad amen te repu tando-a de incompl eta e
deso rdenada.' não se pode negar que é com

2. No que toca às suas regr as gerai s, ago ra pre­
vistas nos arts . 887 a 926 do nov o Código.

3. A qualificação de "inco mpleta e desord e­
nada", co rrendo o risco de ser taxada de demasiado
sev era, é , ent retanto, ao nosso ver, pe rtine nte, uma
vez que o novo CÓdi go de ixo u de lado importantes

,
?

j~

ATUALIDADES 33

o novo diploma que se deve trabalhar dora­
vante no que diz respeito ao direito de em­
presa em geral e, particularmente, com as
sociedades limitadas, pelo menos enquan­
to estiverem em vigor as regras do Livro
II! sendo infrutíferas lamentações saudo­
sistas.

O novo Código revogou expressamen­
te a primeira parte do antigo Código Co­
mercial brasileiro, que, dentre outros temas,
regulava a constituição e funcionamento de
diversos tipos de sociedades comerciais
(arts. 300 a 353) e, tacitamente, o Decreto
3.708/1919, que disciplinava, em dezenove
artigos, a sociedade por quotas de respon­
sabilidade limi tada.

Ao assim proceder, disciplinou a ago­
ra denominada sociedade limitada de for­
ma extremamente mais minudente e com­
plexa, perdendo, ao nosso ver, o que o tex­
to do Decreto possuía de melhor: a extre­
ma liberdade e informalidade para o comer­
ciante (empresário, nos termos do novo
Código) conduzir e reger seu negócio, esti­
pulando no contrato social somente as dis­
posições que entendesse pertinentes.

Com as novas disposições legais em
vigor a respeito da sociedade limitada, tra­
tando-a de forma muito mais complexa'
que o texto revogado, e com a incerteza
doutrinária e jurisprudencial que vigorará
nos meios jurídicos pelos próximos anos a
respeito desse tipo societário, a sociedade

temas para uma completa unificação do direito pri­
vado, notadamente o direito falimentar.

4. Atualmente, tramitam no Congresso Nacio­
nal alguns projetos de lei visando regular separada­
mente o direito de empresa, com destaque para o
Anteprojeto de Lei de Sociedades de Responsabili­
dade Limitada, elaborada por comissão sob a presi­
dência do ilustre Professor Amoldo Wald. A esse res­
peito, ver a reportagem do jornal Caz.eta Mercantil
de 13.3.2003, quinta-feira, p. A-8: "Dispositivos do
novo Código ainda podem ser alterados"

5. Tem-se entendido que o novo texto aproxi­
mou sigmficativamente as sociedades limitadas das
sociedades por ações. Nesse sentido, v. Gazeta Mer­
cantil de 25.l.2002, sexta-feira, e fim de semana,
26-27.1.2002, p. A-lO: "Código Civil aproxima as
limitadas das S/A".

limitada já não pode ser mais considerada
a "opção automática" do pequeno, médio
e, às vezes, do grande empresário para a
regulação do seu empreendimento.

O empreendedor' deverá passar a con­
siderar, quando da constituição de sua em­
presa, qual será verdadeiramente o melhor
tipo societário para seu negócio, se a socie­
dade limitada ou o outro tipo societário
mais comum no Brasil, a sociedade anõni­
ma de capital fechado,' sendo esta a que,
nos termos do art. 4" daLei 6.40411976 (Lei
das S/A - com as diversas alterações
legislativas posteriores), não tem os valo­
res mobiliários de sua emissão admitidos à
negociação em bolsa ou no mercado de
balcão."

O escopo do presente trabalho é ana­
lisar quais os elementos jurídicos, presen­
tes especialmente nas regras de constitui­

6. Dados do DNRC - Departamento Nacio­
nal de Registro de Comércio apontam que mais de
90% das empresas brasileiras são constituídas sob a
forma de sociedades limitadas, conforme se pode ve­
rificar no síte do departamento: «www.dnrc gov.br>,
capturado em 23.6.2003.

7. O termo empreendedor é aqui usado em sen­
tido técnico-jurídico, visando evitar confusão com
"empresário", Como se sabe, o novo Código Civil
apresentou definição desse termo em seu art. 966.
Dessa forma, não se pode mais, sem prévia explica­
ção, pelo menos, utilizar a expressão referida como
ainônirno do titular da emptesa (sócio). Sobre os di­
versos perfis da empresa, veja Alberto Asquini.
"Profili dell'imprcsa''. trad. Fábio Konder Compara­
to, RDM 104.

8. O presente trabalho levará em consideração
especialmente a sociedade por ações de capital fe­
chado, deixando de lado a de capital aberto, naquilo
que lhe for particular, por entendermos que essa mo­
dalidade de SIA não é uma opção gerencial, propria­
mente dita, à sociedade limitada. A sociedade por
ações de capital aberto é utilizada como o tipo socie­
tário das grandes empresas e empreendimentos, que
necessitam de vultosas somas de recursos para a con­
secução de suas finalidades, captados junto ao pú­
bl ico no mercado organizado de compra c venda de
títulos.

9. "Art. 4º. Para os efeitos desta Lei, a compa­
nhia é aberta ou fechada conforme os valores mobi­
liários de sua emissão estejam ou não admitidos à
negociação no mercado de valores mobiliários (re­
dação dada pela Lei 10.303. de 31.10.2001)."

34 RE VISTA DE DIREITO MERCANTI L-I 33

ção, administração, admissão e retirada de
sóc ios, que levam , ou deveri am levar , os
empreended ores naci on ais a optar por um a
das duas es péc ies para a formatação de seu
empreendime nto .

Obviam ente, o pre sen te trab alho não
tem qu alquer pretensão de esgotar o tema
proposto, demasiado amplo e instigante,
ma s tão-soment e pesquisá-lo à luz da dou­
trina e