Soc. Limitada ou S.A. Fechada
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Soc. Limitada ou S.A. Fechada

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de aplicação de respon­
sabilidade objetiva, que respondem tanto
os diretores quanto o Conselho de Admi­
nistração. Outros renomados doutrinadores,
por sua vez, sustentam a tese da responsa­
bilidade subjetiva com inversão do ônus da
prova." Já Fábio Ulhoa Coelho entende
que, na hipótese do inciso II do art. 158, a
responsabilidade também é subjetiva do
tipo clássico, à semelhança do que ocorre
no inciso I do mencionado artigo. Para o
autor, as duas hipóteses elencadas pelo art.
158 se confundem, pois "a ação culposa ou
dolosa é, forçosamente, ilícita, violadora da
lei". fi? Por outro lado, não há nenhum dIS'
positivo legal que excepcione a regra geral
do art. 186 do NCC, segundo a qual todo
aquele que violar direito e causar dano a
outrem por ação ou omissão voluntária, ne­
gligência ou imprudência, comete ato ilíci­
to. Prossegue o ilustre jurista, ainda, afir­
mando não haver fundamento racional para
a imputação da responsabilidade objetiva.
De acordo com o autor, o fundamento da
responsabilidade objetiva não é o risco, mas
a possibilidade de se distribuir o encargo
entre as pessoas expostas ao dano ou
beneficiárias' do evento. O fornecedor, por

66. Nesse sentido, Miranda Valverde e Sam­
paio de Lacerda, entre outros.

67. Ob. cit., p. 256.

distribui o encargo entre seus contribuin­
tes. Já o "administrador não ocupa posição
econômica que lhe possibilite socializar
perdas. Nos elementos componentes de sua
remuneração, não se encontra parcela des­
tinada à constituição de reservas e fundos
próprios, para eventual indenização em fa­
vor da sociedade ou de terceiros prejudica­

68dos ()" ... .
Entendemos, na .esteira dos ensina­

mentos de Fábio Ulhoa Coelho, que para a
responsabilização do administrador, seja da
sociedade anônima, seja da sociedade li­
mitada, necessário se faz provar o descum­
primento de um dever legal e o dano cau­
sado em decorrência desse ato ilícito prati­
cado pelo administrador.

Ainda sobre o art. 158, é salutar des­
tacar a importância que o administrador da
companhia fechada deve ter com a atuação
de seus colegas. Isso porque o § 2º do arti­
go citado prescreve a responsabilidade so­
lidária dos administradores pelos prejuízos
causados, caso não tenham consignado em
ata sua divergência (art. 158, § 1º, LSA).
Trata-se, em verdade, de um dever legal de
controlar a ação dos demais administrado­
res. Importante destacar que na sociedade
limitada não há tal solidariedade. O art.
1.080 determina que "as deliberações in­
frinzentes do contrato ou da lei tornam ili­

" mitada a responsabilidade dos que expres­
samente as aprovaram". Somente aqueles
que expressamente aprovaram o ato são
responsabilizados. Entendemos que a orms­
são culposa ou dolosa do sócio que devena
saber do ato também deve dar ensejo à
responsabilização.

Vale ressaltar também que a jurispru­
dência trabalhista entende que a condena­
ção em processo nessa seara configura hi­
pótese de descumprimento de lei, prevista
no inciso ndo art. 158, ensejando, aSSIm, a

68. Fábio Ulhoa Coelho, Curso .. , cit., v. 2, 4'
ed., p. 258.

58 REVISTA DE DIREITO MERCANTIL-I 33

responsabilidade pessoal do administrador
de sociedade anônima." Confira-se:

Administrador de sociedade anôni­
ma. Responsabilidade frente à condena­
ção da companhia em processo trabalhis­
ta. O administrador de sociedade anôni­
ma responde pessoalmente pelos atos pra­
ticados em violaçãoda lei (art. 158, inciso
lI, da Lei 6.4041l976). Assim, como a
condenaçãoda companhia noprocesso do
trabalho, decorre invariavelmente de
descumprimento de lei, normalmente de
leis trabalhistas, os administradores sem­
pre são pessoalmente coobrigados na sa­
tisfação dos créditos judiciais trabalhistas
(TRT-4' R., 3' T., ap. 00012.305/94-4,
ReI. p/o Ac. Juiz Otaeílio SilveiraGoulart
Filho, j. 27.9.2000).

Sociedade anônima. Responsabili­
dade dos administradores, conselheiros e
diretores. Lei 6.40411976. Em se tratando
de sociedadesanônimas, a regraé a de que
os administradores são responsáveis pe­
los prejuízos que causarem por dolo, cul­
pa e violação da lei ou do estatuto (o que
se extrai do art. 158 da Lei 6.40411976),
responsabilidade que, por expressa dispo­
sição legal, se estende aos conselheiros e
diretores (art. 145 da Lei 6.40411976). A
inobservância dos preceitos trabalhistas
configura hipótese de violação do contra­
to ou da Lei (TRT-2' R., 8' T., ap.
02970057764 (02970368450), Rela Juíza
Wilma Nogueira de Araújo Vaz da Silva,
DOES? 7.8.1997).
Como se vê, o simples fato de a Com­

panhia não pagar os direitos trabalhistas a
que for condenada enseja a responsabili­
dade pessoal dos administradores. Confor­
me se demonstrará adiante, a responsabili­
dade trabalhista difere, nesse sentido, da
responsabilidade tributária, pois o inadim­
plemento no pagamento de tributos não
acarreta a responsabilidade pessoal dos
administradores, a não ser que tenham agi­
do dolosamente em desrespeito à lei ou ao

69. o que, no nosso sentir, é um dos maiores
absurdos de nossa jurisprudência. A responsabiliza­
ção também vale para as sociedades limitadas.

contrato social. Não é o caso, por exem­
plo, da empresa que se encontra em difi­
culdade financeira.

5.2.5 Da ação de responsabilidade

O art. 159 da LSA estabelece duas hi­
póteses de ação de responsabilidade. A pri­
meira, quando o prejuízo é causado ao
patrimônio da companhia; e a hipótese em
que o acionista ou terceiro são diretamente
prejudicados por ato de administrador.

No primeiro caso, compete à compa­
nhia, mediante prévia deliberação da assem­
bléia geral, promover a ação de responsa­
bilidade contra o administrador ou admi­
nistradores (art. 159, § I", LSA). É certo,
todavia, que quando a companhia tem pre­
juízo, indiretamente o acionista sofre um
dano. Por tal razão o mesmo artigo, em seu
§ 3", confere ao acionista a faculdade de
promover a ação competente, caso não seja
ela proposta no prazo de três meses da de­
liberação da assembléia geral. É o que a
doutrina chama de substituição derivada,
decorrente da inércia da companhia que,
mesmo tendo deliberado pela propositura
da ação, deixou passar mais de três meses
sem ajuizá-la. O mencionado artigo ainda
prescreve, em seu § 2º, que O administra­
dor ou administradores contra os quais a
ação será proposta ficarão impedidos e de­
verão ser substituídos na mesma assem­
bléia.

Situação diversa ocorre quando a as­
sembléia geral decide não propor nenhuma
ação. Nesse caso, a lei prevê a chamada
modalidade de substituição originária, hi­
pótese em que a ação poderá ser proposta
por acionistas que representem ao menos
cinco por cento do capital social (art. 159,
§ 4", LSA). Trata-se, na opinião de Modes­
to Carvalhosa, de requisito bastante injus­
to, pois não confere oportunidade alguma
aos acionistas minoritários de mover ação
com o escopo de restaurar o prejuízo cau­
sado à companhia.'? Importante frisar que

70. Ob. cit., p. 339.

I

rr
H
~ :

ATUALIDADES 59

os resultados dessa ação revertem-se em
benefício da companhia, descontadas ape­
nas as despesas em que o acionista ti ver
incorrido.

Há situações, porém, que o acionista,
ainda que não detenha 5% das ações, é parte
legítima para propor ação de responsabili­
dade contra o administrador. Tal hipótese
se verifica quando um dos sócios detém,
sozinho, mais de 95% do capital social e
das ações com direito a voto. O objetivo,
nesse caso, é evitar que o acionista minori­
tário não fique sem uma via legal para con­
testar as ações do acionista majoritário, uma
vez que não seria possível alcançar o re­
quisito de 5% das ações, como prescreve o
art. 159, § 4", da LSA.

Vale a pena, nesse sentido, conferir
decisão do Superior Tribunal de Justiça, da
lavra do Ministro Relator Sálvio de Figuei­
redo Teixeira:

Direito societário. Sociedade anôni­
ma. Ação de responsabilidade civil. Admi­
nistrador. Sociedade controladora. Acio­
nistas minoritários. Legitimidade ativa
"adcausam". Prescrição.