Soc. Limitada ou S.A. Fechada
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Soc. Limitada ou S.A. Fechada

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Prazo. Interrup­
ção. Arts. 1J6, 117,245 e 246 da Lei 6.404/
1976.

I - Detendo a sociedade controla­
dora mais de 95% do capital social e das
ações comdireito a voto da sociedade con­
trolada, os acionistas minoritários desta
têmlegitimidadeativa extraordináriapara,
independentemente de prévia deliberação
da assembléiageral,ajuizarmediantepres­
tação de caução, ação de responsabilida­
de civil contra aquela e seu administra­
dor, em figurando este simultaneamente

.. 71
como controlador indireto.
Conforme dito acima, somente por

danos diretos é que o acionista ou terceiros
prejudicados podem mover ação contra o
administrador. A mesma regra vale para a
sociedade limitada, na qual apenas a socie­
dade tem legitimidade para intentar ação

71. REsp l6.41O-SP, 4' T , ReI. Ministro Salvio
de Figueiredo Teixeira, recurso especial 1991/
0023295-5. DJ 16.5.1994, p. 11.771.

de responsabilidade contra o administrador,
ainda que tenha na vida dano indireto ao(s)
sócio(s). E quando o sócio majoritário é o
administrador da limitada, para que sua
conduta danosa não fique impune, é facul­
tado ao sócio minoritário ajuizar ação que
vise ao ressarcimento dos prejuízos causa­
dos. Trata-se, aqui, da figura da substitui­
ção processual, decorrente de aplicação
analógica do art. 159, § 42 , da LSA.

5.2.6 Da responsabilidade tributária

Nos termos do art. 135 do CTN, o
administrador da sociedade limitada e da
sociedade por ações responde pessoalmente
pelas obrigações tributárias originadas de
atos praticados com excesso de poderes ou
infração à lei.

Muita confusão se criou a partir de
leituras equivocadas do mencionado dispo­
sitivo legal.

Inicialmente, com relação às socieda­
de limitadas, é preciso frisar que aqueles
sócios que não possuem poder de gerência
não são "responsáveis nos termos da lei",
de modo que são partes ilegítimas para fi­
gurar em qualquer execução fiscal de dívi­
das tributárias da sociedade.

O art. 135 permite apenas a responsa­
bilização daquele sócio ou administrador
que tem poder para agir, mas dolosamente

: !
o faz em desrespeito à lei OU ao contrato
social. Não é, pois, a condição de sócio o
pressuposto da responsabilidade, mas a vio­
lação da lei ou do contrato, em claro ex­
cesso de poder.

A boa doutrina e jurisprudência, por
sua vez, não caracterizam como ofensa à
lei o simples não recolhimento do tributo,
mas a prática de ato civil ou comercial que,
em desacordo com a lei ou contrato, de­
sencadeia a incidência tributária. É o que
explicam Sacha Calmon e \1isabel Derzi,
ambos amparando-se em precedente do
STF: 72

72 RE 85.241 (RT] 85/946).

60 REVISTA DE DIREITO MERCANTIL-133

"A responsabilidade executória por
débito fiscal está, hoje, disciplinada pelo
Código Tributário Nacional.

"Além do sujeito passivo da obriga­
ção tributária, responsável primário, admi­
te o Código a responsabilidade solidária de
terceiros (art. 134) e a responsabilidade por
substituição (art. 135).

"Na questão da responsabilidade dos
sócios, por dívidas da sociedade, dispôs o
Código que a solidariedade advém de sua
intervenção nos atos ou pelas omissões de
que forem responsáveis (art. 134) e que a
substituição ocorre quando a obrigação tri­
butária advém ou é resultante de atos prati­
cados com excesso de poderes ou infração
de lei, contrato social ou estatutos (art. 135).

"Pretende a terceira embargada que a
responsabilidade dos sócios advém de in­
fração à lei por não terem solvido a tempo
a obrigação tributária: !abora em equívo­
co: a infração à lei diz com a economia
societária; a admitir-se o contrário, os só­
cios seriam sempre os responsáveis pelas
dívidas da sociedade, que nas relações de
Direito Público, quer nos negócios jurídi­
cos de Direito Privado, pois o inadimple­
mento de qualquer obrigação constitui ofen­
sa à lei (...)."

Evidente, portanto, que o simples não
recolhimento do imposto não desencadeia
a responsabilidade de que trata o art. 135
do CTN, devendo o Fisco demonstrar que
dolosamente o sócio ou administrador pra­
ticou ato ilícito de que tenham resultado
obrigações tributárias.

Na preciosa lição de Fábio Ulhoa Coe­
lho, "O gerente é responsável tributário
pelas obrigações da sociedade limitada
quando esta possuía o rlinheiro para o re­
colhimento do tributo, mas aquele o desti­
nou a outra finalidade, como antecipação
de lucro, pagamento de pro labore aos só­
cios, aplicações financeiras. Não haverá,
porém, responsabilidade se o inadimple­
mento da obrigação tributária decorreu da
inexistência de numerário no caixa da so­

ciedade, por motivo não imputável à gerên­
cia"."

Em recente decisão, pronunciou-se
novamente o STJ:

Recurso especial. Tributário. Execu­
ção fiscal. Embargos. Ex-socia de socie­
dade limitada. Responsabilidade de só­
cio. Limites. Art. 135, inciso UI, do Códi
go Tributário Nacional. Dissídio jurispru­
dencial não caracterizado.

Já se encontra assente na doutrina e
na jurisprudência que a responsabilidade
do sócio que se retira da sociedade, em
relação às dívidas fiscais contraídas por
esta, somente se afirma se aquele, no exer­
cício da gerência ou de outro cargo na
empresa, abusou do poder ou infringiu a
lei, o contrato social ou estatutos, a teor
do que dispõe a lei tributária, ou, ainda,
se a sociedadefoi dissolvidairregularmen­
te. É evidente que o não recolhimento dos
tributos exigidos na execução fiscal em
epígrafe, configura um ato contrário à lei,
em razão de prejudicar o fim social a que
se destina a arrecadação. Necessário, en­
tretanto, é fixar-se os limites do que seja
infração legal, porquanto a falta de paga­
mento do tributo ou não configura viola­
ção legal e é irrelevante falar-se em res­
ponsabilidade ou não constitui violação
da lei e, conseqüentemente. sempre have­
ria responsabilidade.

O mero descumprimento da obriga­
ção principal, desprovido de dolo ou frau­
de, é simples mora da sociedade-devedo­
ra contribuinte, inadimplemento que en­
contra nas normas tributárias adequadas
as respectivas sanções; não se traduz, en­
tretanto, em ato que, de per si, viole a lei,
contrato ou estatuto social, a caracterizar
a responsabilidade pretendida pela recor­

74
rente.

Quando o sócio não detém poder de
gerência, mais absurda ainda é a aplicação
do mesmo art. 135 do CTN, uma vez que

73.0b cit., p. 427
74. 2ª T., decisão unânime, ReI. Ministro Fran­

ciulli Netto, REsp 201.S0S-MG (1999/0006349-0),
Dl 29.10.2001.

61 ATUALIDADES

não detêm qualquer poder que lhes possi­
bilite agir em nome da sociedade, seja dei­
xando de recolher tributos, seja praticando
atos civis ou comerciais em desacordo com
a lei ou contrato social.

A jurisprudência pátria é unânime nes­
se sentido:

Processual. Execução fiscal. Socie­
dade por quotas de responsabilidade /i­
mitada. Divida da sociedade. Penhora.
Bens de sócio não gerente.

O quotista, sem função de gerência,
não responde por dívida contraída pela
sociedade de responsabilidade limitada.
Seus bens não podem ser penhorados em
processo de execução fiscal movida con­
tra a pessoa jurídica.75
A conclusão, portanto, é de que ainda

que se trate do administrador, "a responsa­
bilidade tributária substituta prevista no art.
135, Ill, do CTN, imposta ao sócio geren­
te, ao administrador ou ao diretor de em­
presa comercial depende de prova, a cargo
da Fazenda Estadual, da prática de atos de
abuso de gestão ou de violação da lei ou do
contrato e da incapacidade da sociedade de
solver o débito fiscal"."

A questão, na verdade, é muito mais
séria e profunda do que as Fazendas Públi­
cas, o INSS e a Justiça do Trabalho" con­
seguem vislumbrar. Encontra-se em jogo o
respeito a uma série de princípios constitu­
cionais. Senão vejamos.

A Constituição Federal (art. 173) es­
tabelece que o Estado somente exercerá

75. lª T., decisão unânime, ReI.MinistroHum­
berto Gomes de Barros, REsp 27.234-RJ (1992/
0023166-7), Dl 21.2.1994.

76.2' T., Reta. Ministra Naney Andrigbi. AGA