Soc. Limitada ou S.A. Fechada
43 pág.

Soc. Limitada ou S.A. Fechada

Disciplina:Direito Empresarial I1.391 materiais16.861 seguidores
Pré-visualização21 páginas
fiscal. Exceção de pré­
executividade. Responsabilidade de sócio.
CTN. Art. 13, da Lei 8.620/1993. Consti­
tucionalidade. Ilegitimidade passiva. Pro­
va. Honorários. É inconstitucional o art.
13, da Lei 8.620/1993, na parte em que
estabelece "e os sócios das empresas por
cotas de responsabilidade limitada", por
invadir área reservada à lei complemen­
tar, violando, dessa forma, o art. 146, Ill,
b,da CF. Portanto, a responsabilidade dos
sócios deve ser onentada pelas disposi­
ções do CTN. Cabível a exclusão do só·
cio do pólo passivo da ação, mediante
Exceção de Pré-executividade, sem a ga
rantia do juizo, e posterior a interposição
de Embargos, pois a ilegitimidade passiva

86. TRF-4ª R.. l' T, ReI. Juiz Amir Sarti. pro­
cesso 199904010322925-Sr, i 38.2000.

87. Nesse sentido, ver decisão do TRF-3ª R.,
1ª T., ReI. Juiz Carlos Loverra, processo
200103000255685-SP, J. 19.112002.

foi cabalmente comprovada. Embora não
tenham sido opostos Embargos, o INSS
deverá arcar com o ônus da sucumbência
(TRF-4' R., l' T, AI 2000.04.01.092525­
9-RS, Re1. Juiz Arnir Sarti, DJU 3.1.2001,
p. 97) (destaques nosso).
Vale dizer, portanto, que o art. 1:3 da

Lei 8.260/1993, somente pode ser interpre­
tado em sintonia com o art. 135 do CTN,
sob pena de afronta ao ordenamento jurídi­
co vigente. E, em assim sendo, nada se ino­
vou nesse, até mesmo porque, como dito,
lei ordinária não pode invadir matéria re­
servada à Lei Complementar.

Analisado o regime de administração
em ambos os tipos societários, verifica-se
que os sócios-administradores das limita­
das, ainda que indevidamente, estão sujei­
tos a maiores questionamentos judiciais
acerca de débitos de credores não-nego­
ciais. A S/A, por conferir maior disclosure,
acaba por resguardar melhor os adminis­
tradores de tentativas de responsabilização
pessoal, o que deve ser levado em conside­
ração pelos empreendedores, quando da
constituição de suas empresas.

CAPÍTULO 6 - Regras de
"desinvestimento"
- O direito de retirada

Por maior que seja a perspectiva de
rentabilidade de um investimento, ninguém,
em sã consciência, nele ingressa sem ter a
possibilidade de retirar seu dinheiro em al­
gum momento. Uma impossibilidade ma­
terial ou jurídica nesse sentido equivaleria
à total imobilização do capital principal
aplicado. Para a grande maioria dos inves­
tidores, a indisponibilidade, ou íliquidez
absoluta, equivale, em última instância, à
perda total do montante carreado inicial­
mente disponibilizado.

Com as sociedades não se passa nada
diferente. Ainda que a maioria seja consti­
tuída por tempo indetenninado, o que pres­
supõe que o empreendedor espera lucros, e
não almeja a devolução do capital inicial, a
impossibilidade absoluta de se retirar de

I

68 REVISTA DE DIREITO MERCANTIL-I 33

uma empresa." com a conseqüente recu­
peração do valor investido, desestimularia
sua criação.

Para fins da análise proposta no tra­
balho, faz-se necessário examinar as regras
que permitem aos sócios "desin vestir" as
quantias aplicadas nos tipos societários em
questão e retirar-se da sociedade. É o que
pretende esse derradeiro capítulo.

Na sociedade anônima de capital aber­
to, o sócio não encontra qualquer dificul­
dade em retirar-se da empresa." Estando
as ações admitidas à negociação no merca­
do de balcão ou na bolsa de valores, o acio­
nista sempre encontrará compradores para
seus papéis (pressupondo-se que a pessoa
jurídica em questão não esteja com seus
valores mobiliários ilíquidos, como no caso
de fechamento "branco" do capital. Esse
problema, entretanto, deve ser analisado
caso a caso, e não diz respeito a sociedade
anônima aberta como um todo, o que o tor­
na estranho ao objeto desta monografia).
O tema passa a ter maior importância quan­
do se examina a sociedade anônima de ca­
pital fechado.

Nessa sociedade, o estatuto pode im­
por limitação à livre circulação das ações
nominativas. Trata-se de mitigação do prin­
cípio da livre cessibilidade, que vige nas
companhias abertas. É o que dispõe o art.
36 da LSA:

Art. 36. O estatuto da companhia
fechada pode impor limitações à circula­
ção das ações nominativas, contanto que
regule minuciosamente tais limitações e
não impeça a negociação, nem sujeite o
acionista ao arbítrio dos órgãos de admi­
nistração da companhia ouda maioriados
acionistas.
A questão passa pela distinção entre

sociedades de capital e de pessoas, já ana­

. 88. Desconsiderá-se aqui, para fins de análise,
a garantia constitucional individual de que "ninguém
poderá ser compelido a associar-se ou a permanecer
associado" (art. 5', XX. CF/1988).

89. Nessas sociedades vige o princípio da li­
vre cessão das ações.

lisada no Capítulo 3. Enquanto a anônima
aberta é a representante por excelência das
sociedades de capital, a anônima fechada
dá o primeiro passo em direção ao regime
da pessoalidade, embora permaneça carac­
terizada como de capital. Nesse sentido é a
lição de Fábio Ulhoa Coelho, discorrendo
sobre as restrições à livre circulação das
ações, enquanto negócio bilateral: "Da per­
missão legal para o estatuto da companhia
fechada limitar a circulação das ações não .~:;"
cabe concluir a existência de sociedades

",J
anônimas de pessoas. Isto porque as limi­

tações autorizadas por lei, para as fecha­

das, não validam dispositivo estatutário que

condicione a venda da ação à concordância :~,..

.
,
:"

dos demais acionistas. As limitações abran­ ,
gidas na autorização excepcional da lei di­
zem respeito, basicamente, à possibilidade
de o estatuto assegurar o direito de prefe­
rência aos demais acionistas, em igualdade
de condições, na alienação de ações a ter­
ceiros estranhos ao quadro de sócios. Ora,
uma coisa é o direito de à preferência para
adquirir ações; outra é o direito de negar
autorização à negociação, inviabilizando­
a. Na sociedade de pessoas, o sócio pode
vetar a cessão da participação societária a
terceiros, mas não está obrigado, nessa hi­
pótese, a adquirir as quotas do sócio inte­
ressado em (e, por vezes, com necessidade
de) vendê-Ias. Na de capitais, em nenhuma
hipótese, a circulação da participação so­
cietária pode ficar condicionada à anuência
dos demais sócios. Por essa razão, não é
certo concluir, do disposto no art. 36 da
LSA, a possibilidade de companhias fecha­
das com perfil personalístico no direito bra­
sileiro. Todas as sociedades anônimas, aber­
tas ou fechadas, são sempre de capital"."

A questão da cessibilidade ganha mes­
mo importância fundamental na sociedade
limitada.

O novo Código Civil, ao tratar o tema
em seu art. 1.057, trouxe regra que, a nos­
so ver, deixou livre aos sócios decidir o

90. Fábio Ulhoa Coelho, Curso .. , cit., v. 2.4'
ed., p. 116.

j

I

I

ATUALIDADES 69

caráter da sociedade, se de pessoas ou de
capital, com tendência para esse último. É
que somente se houver previsão no contra­
to social o sócio não poderá ceder livre­
mente sua cota a outro sócio, ou a terceiro.
Confira-se o dispositivo:

Art. 1.057. Na omissão do contrato,
o sócio pode ceder sua quota, total ou par­
cialmente, a quem seja sócio, independen­
temente de. audiência dos outros, ou a es­
tranho, se não houver oposição de titula­
res de mais de um quarto do capital social.
Vê-se que o contrato será o instrumen­

to eficaz para a regência da cessibilidade
das quotas. Sendo omisso, o sócio pode
cedê-las a outro, sem a oitiva dos demais.
A estranhos, poderá transferi-las se não
houver oposição de um quarto do capital
social. O dispositivo tem urna importante
conseqüência. Se nada dispuser o contrato,
o sócio pode transferir sua participação a
outros, sem que sejam respeitadas as re­
gras de preferência e proporcionalidade,
previstas para os casos de aumento de ca­
pital (arts. 1.081 e 1.082 do NCC). O arti­
go em comento, dessa forma, confere maior
Iiquidez à quota; em contrapartida, pode
gerar alterações substanciais no regime de
administração da sociedade e nas relações
entre os sócios