Soc. Limitada ou S.A. Fechada
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Soc. Limitada ou S.A. Fechada

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jurisprudên cia, aind a incipientes no
que diz respeito ao nov o Código , a fim de
alcançar o objetivo proposto. Feit as ess as
cons iderações , passa-se ao ex ame do ass un­
to, iniciando-se pela in vestigação de quais
fato res são, ou dev em se r, levados em co n­
sideração para a escol ha de um determina­
do tipo soc ietário . Em seg uida, analisa -se
cada um dos elementos apontados especi­
ficamente.

C APÍTULO 1 - Elementos essenciais
à escolha do tipo societário

Em toda atividade econ ômi ca, o age n­
te, ainda que de form a inconsciente , faz um
cálculo de risco e retorno de sua ação.

Na co ns tituição de sociedades não é
diferent e. O empree ndedor ana lisa o obje ­
to soc ial que pretende desenvolver, levan ­
do em consideraç ão os meios que necessi ­
tará par a tant o (ca pital, tra balho etc .), as
co ndiçõ es atuais e futuras do mercad o, o
custo de opor tunidade de sua decisão , l O
dentre outros fat ores, co ncluindo, daí, que
obterá um determinado retorn o de sua ati ­
vid ade. O empree ndedor se rá tão melhor
sucedido qu an to for correta sua análi se .

Na composição do binômi o "risc o x
retorno" da cr iação de um novo empree n­
dimento, o tipo societário tem papel de des­

10 C usto de oport unidade é um co nce ito tra­
zido par a o Direi to da Ciênc ia Econômica. Em aper­
tad a sí ntese, pode ser carac ter iza do como o custo qu e
o agente incorre ao optar por determi nada cond uta
ao invés de outra. Por exemplo, se um a empresa re­
solve apli car se u dinheir o a 20 % ao ano em uma ins­
tituição financeira, ao invés de investi r em um no vo
projeto que lhe ren deria 50% ao an o, o custo de opor­
tunida de será de 30% ao ano .

taque, pois cad a mo dalidade aloca de de­
terminada for ma os fatores de produção .

Para qu e se faça no present e trab alh o
um a co rre ta inv estigação de qu al é o me­
lhor tipo soc ie tário para cada emp ree ndi­
ment o, II é preciso primeiram ente identifi­
car , no texto legal , qu ais fat ores atuam de
forma det erminante 12 na dial éti ca acima
identificada. É o qu e se pretende fa zer nes­
te Capítulo .

Certamente , os critérios utili zados na
identificação de tais fatores traz carga co n­
side ráve l de subjetividade, variando, assim ,
ao sabor daqueles, os eleme ntos que serão
escolhid os para análise ao longo do trabalho.

Ut ilizar-se-á, co mo critério para defi­
nir o qu e merece ser estudado à frente , o
que pod e ser chamado de "custo incorri­
do" . Por essa den ominação p re tende -se
qualifi car as regras jurídicas que implicam
para o empree ndedor um determinado cus ­
to financei ro, direto ou indireto, na escolha
do tipo soc ie tário . Rei tere-se que ess a é
ape nas uma norma de escolha válida, den ­
tre tan tas outras, que poderiam servir para
o mesm o fim . A mesma, no entanto , nos
par ece a melhor, dad o que a prim eira per­
gunta que vem à cabeça de um bom empre­
ende dor, quando da tomada de uma dec i­
são, é "quanto custa?" .

Tom ando o cri tério ad otado e per cor­
rendo a legi slação pertinente , ve rific a-se
que o pr imei ro fator que merece exame são
as regras de co ns tituição da sociedad e, por
co rres po nde r, em essência, às norm as que
regulam a formação do investiment o.

lI . Levando -se sempre e m co ns ide ração o ob­
jeti vo pr oposto para o presen te trab al ho, de b uscar
nuan ces en tre a sociedade li mirada e a anôn im a de
cap ita l fec hado ; deixa-se de lado, port ant o, tod as as
outras hip óteses de forma tação ju rídico-societária de
atividades econ ômicas: joint ven tures ; consórcios, Isociedades e m co nta de participação, sociedades sim­ Iples e, es pec ialmeu te, a sociedade anô nima de cap i­
tal aberto.

12 . Evidentemen te, toda e qualque r regra jurí­ I
dic a a res peito de soc iedades reflete ec ono micamen­

te na mes ma, ainda que de fo rma reduzida. Busca­ I
 !
se , aq ui , os fa tores com maior e marcante influência .

j
I
A

35 ATUALIDADES

Em seguida, examina-se a divisão do
capital das sociedades, por ser a maneira
como o investimento se estrutura, para de­
pois investigar-se sua administração, as res­
ponsabilidades dos administradores, bem
como as regras de convocação e delibera­
ção de assembléias e reuniões, que podem
ser qualificadas, em síntese, como o "geren­
ciamento" do investimento.

Finalmente, pretende-se investigar as
normas de "desínvestimento", ou seja, .8.
forma de retirada da sociedade, com a apu­
ração do que é devido ao sócio.

CAPÍTULO 2 - Constituição
das sociedades em exame

As alterações rcl ati vas às sociedades
limitadas introduzidas pelo novo Código
Civil aproximaram este tipo societário da
sociedade anônima de capital fechado.

Apesar da proximidade criada entre
esses dois upos societários, sua [arma de
constituição tem peculiaridades.

A sociedade limitada se constitui atra­
vés da elaboração pelos sócios de um con­
trato social, como bem asseveram Fábio
Ulhoa Coelho: "a sociedade limitada se
constitui porum contrato entre os sócios";"
e Rubens Requião: "A sociedade se forma
pela manifestação de vontade de duas ou
mais pessoas, que se propõem unir os seus
esforços c cabedais para a consecução de
um fim comum"."

Por outro lado, a sociedade anônima
de capital fechado será constituída por ins­
trumento particular, consubstanciado na ata
da assembléia geral, onde os subscritores
do capital (fundadores) se reúnem, ou por
escritura pública (art. 88, LSA).

O contrato social da Ltda., de acordo
com o art. 1.054 do Código Civil, deverá

13. Fábio Ulhoa Coelho, Curso de Direito
Comercial, v. 2, Si! ed. rev. e atual. de acorco com o
nQVO Código Civil e alterações da LSA, p. 377.

14. Rubens Requião. Curso de Direito Comer­
eial, v. 1.

mencionar, no que couber, as indicações do
art. 997 do mesmo diploma:

Art. 1.054. O contrato mencionará,
no que couber, as Indicações do art. 997,
e, se for o caso, a firma social.

Art. 997. A sociedade constitui-se
mediante contrato escrito, particular ou
público, que, além de cláusulas estipula­
das pelas partes, mencionará:

I - nome, nacionalidade, estado ci­
vil, profissão e residência dos sócios, se
pessoas naturais, e a firma ou a denomi­
nação, nacionalidade e sede dos sócios,
se jurídicas;

I! - denominação, objeto, sede e
prazo da sociedade;

lI! - capital da sociedade, expres­
so em moeda corrente, podendo compre­
ender qualquer espécie de bens, suscetí­
veis de avaliação pecuniária;

IV - a quota de cada sácio no capi­
tal social. e o modo de realizá-Ia:

V - as prestações a que se obriga o
sócio, cuja contribuição consista em ser­
viços;

VI - as pessoas naturais incumbi­
das da administração da sociedade, c seus
poderes e atribuições;

VII - a participação de cada sócio
nos lucros e nas perdas;

VIII - se os sócios respondem, ou
não, subsidiariamente, pelas obrigações
sociais.
Faz-se necessário consignar que o dis­

posto no art. 997, V, é inaplicável às socie­
dades limitadas, por força do disposto no
ano 1.055, § 2º, visto que esse tipo de socie­
dade não aceita a contribuição em serviços.

Além disso, o art. 1.053, em seu pará­
grafo único, dispõe que o contrato social
poderá prever a regência supletiva da socie­
dade limitada pelas normas da sociedade
anônima, ao invés das regras de sociedade
simples, como está previsto no caput do
mencionado dispositivo legal. Anterior­
mente, havia aplicação subsidiária imedia­
ta da I"S A, nos termos do art. 1Sdo Decre­
to 3.70811919

36
-1

REVISTA DE DIREITO MERCANTIL-133

Desta feita, passa a existir dois tipos
de sociedade limitada: aquelas regidas su­
pletivamente pela Lei das Sociedades Anô­
nimas e outras pelas normas da sociedade
simples. Nesse caso, caberá aos sócios fa­
zer a escolha, no con trato social, de qual
legislação as suas ati vidades estarão sub­
metidas supletivamente.

No entanto, recomenda-se a aplicação
subsidiária da Lei das Sociedades Anôni­
mas, pois trará maior segurança jurídica às
ati vidades desenvol vidas