Soc. Limitada ou S.A. Fechada
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Soc. Limitada ou S.A. Fechada

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Comercial, v. l , Teoria Geral do Direito
Comercial, Direito Societário, p. 193.

24. O que inclui a sociedade em comandita por
ações, tipo societário sem qualquer utilidade prática
no Brasil. Portanto, reitera-se aqui que qualquer
menção "a sociedade por ações 050 abrange essa so­
ciedade.

25. Ibidem, loc. cit.
26. Essa questão será examinada em Capítulo

próprio.

penhora das quotas ou das ações por dívi­
das pessoais do sócio.

Caso o sócio possua ações ou quotas
de uma sociedade de capital, seus credores
poderão tranqüilamente penhorá-las e alie­
ná-Ias para recuperar seu crédito. A ques­
tão torna-se tormentosa quando se trata de
sociedade de pessoas. Nesse caso, a dou­
trina e a jurisprudência, após longo debate,
vêm entendendo ser possível a penhora.

Rubens Requião, em seu clássico Cur­
SO ... , doutrinava que: "A cota somente será
penhorável, em nosso entender, se houver,
no contrato social, cláusula pela qual pos­
sa ser cessível a terceiro, sem a anuência
dos demais companheiros. A sociedade de­
monstraria, com isso, sua completa despre­
ocupação e alheamento em relação à pes­
soa dos sócios, dando-lhe um nítido sabor
de sociedade de capital, (. ..)" 27

A jurisprudência do Superior Tribu­
nal de Justiça inicialmente acolhia o enten­
dimento do referido comercialista, como se
pode verificar desses julgados:

Sociedade por cotas de responsabi­
lidade limitada. Penhorabilidade das co­
tas do capital social. O art. 591 do CPC,
dispondo que o devedor responde, pejo
cumprimento de suas obrigações, com to­
dos os seus bens, ressalva as restrições
estabelecidas em lei. Entre elas se com­
preende a resultante do disposto no art.
64, I, do mesmo Código que afirma im­
penhoráveis os bens inalienáveis. A proi­
bição de alienar as cotas pode derivar do
contrato, seja em virtude de proibição ex­
pressa, seja quando se possa concluir, de
seu contexto, que a sociedade foi consti­
tuída intuitu personae . Hipótese em que
O contrato veda a cessão a estranhos, salvo
consentimento expresso de todos os de­
mais sócios. Impenhorabilidade reconhe­

zx
cida.

27. Rubens Rcquião, Curso de Direito Comer­
cial. v. I, 19' ed., p. 349.

28. STJ, 3' T, ReI. Ministro Eduardo Ribeiro,
REsp 34.S82-RS, j. 306.I993, Dl 981993, p.
15.230.

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ATW,UDADES 4t

Sociedade de responsabilidade limi­
tada. Divida de sócio. Penhora de quo­
tas. As quotas, em princípio, são penho­
ráveís. Havendo, entretanto, cláusula
impediente, cumpre respeitar a vontade
societária, preservando-se aafectio socie­
ta tis, que restaria comprometida com a
participação de um estranho não deseja­

. . 2':Jdo. Recurso conhecido e provioo.
Mais recentemente, o Tribunal alterou

seu entendimento, julgando legítima a pe­
nhora de quotas, o que prevalece até a atua­
lidade:

C.)
Execução. Penhora. Quotas sociais.

Sociedade de responsabilidade limitada.
Execução contra sócio. É possível a pe­
nhora de quota social por dívida indivi­
dual do sócio. A cláusula que garante"
preferência aos outros sócios na aliena­
ção não impede a penhora.

30
Recurso não conhecido.
Recurso especial. Processual civil e

comercial. Penhora de quotas sociais de
sociedade por cotas de responsabilidade
limitada. Possibilidade.

I - É possível a penhora de cotas
pertencentes a sócio de sociedade de res­
ponsahilidade limitada, por dívida parti­
cular deste, em razão de inexistir vedação
legal. Tal possibilidade encontra susten­
tação, inclusive, no art. 591, CPC, segun­
do o qual "o devedor responde, para o
cumprimento de suas obrigações, com to­
dos os seus bens presentes e futuros, sal­
vo as restrições estabelecidas em lei".

II - Os efeitos da penhora inciden­
te sobre as cotas sociais devem ser deter­
minados em levando em consideração os
princípros societários. Destarte, havendo
restrição ao ingresso do credor como só­
cio, deve-se facultar à sociedade, na qua­
lidade de terceira interessada, remir a exe­

29 STJ. 3' T. Rel. Ministro Carlos Alberto
Menezes Direito, REsp 148.947-MG, j. 15.12.2000,
Df 29.4.2002, p. 24:.

30 STJ. 4' T.. ReI. Ministro Ruy Rosado de
Aguiar, REsp 327.687-SP,j. 21.2.2002, Df 15.4.2002,
p. 225

cução, remir o bem ou concedê-la e aos
demais sócios a preferência na aquisição
das cotas, a tanto por tanto (CPC, arts.
1.117, 1.1I 8 e 1.119), assegurando-se ao
credor, não ocorrendo solução satisfatória,
o direito de requerer a dissolucão total ou
parcial da sociedade" " >

A questão acabou sendo positivada,
ainda que de forma tímida, no art. 1.026 e
parágrafo único do novo Código Civil, per­
mitindo-se plenamente a penhora das quo­
tas:

Art. 1.026. O credor particular de
sócio pode, na insuficiência de outros bens
do devedor, fazer recair a execução sobre
o que a este couber nos lucros da socieda­
de, ou da parte que lhe tocar em liquidação.

Parágrafo único. Se a sociedade não
estiver dissolvida, pode o credor requerer
a hquidação da quota do devedor, cujo
valor, apurado na forma do art. 1.031, será
depositado em dinheiro, no juízo da exe­
cução, até 90 (noventa) dias após aquela
liquidação.
Assim, a natureza jurfdica da socieda­

de assume dimensão de importância na es­
colha do tipo societár.o e na redação do
contrato social.

Novidade introduzida pelo Código
Civil de 2002 é a possibilidade das socie­
dades limitadas possuir quotas de valor
desigual (arl. 1.055), o que as aproxima do
regime das sociedades por ações, onde exis­
tem as ações preferenciais (art. 17). A cria­
ção de quotas com valor desigual deve res­
tar muito bem estipulada em contrato social,
inclusive se terão ou não direitos e deveres
diferenciados, uma vez que a lei é omissa
nesse ponto.

A possibilidade de quotas desiguais
abre novo leque de possibilidades aos em­

31. STJ, 3e T, Rela. Ministra Nancy Andrighi,
REsp 22l.625-SP, j 712.2000, DJ75.200 I, P t 38.
NQ mesmo sentido, com redação praticamente idên­
tica, a seguinte decisão da 42 T, o que unifica o en
tcndimenrc das Turmas de direita privado do Tribu­
nal acerca do assunto: Re1. Ministro Súl vio de Figuer­
rede Teixeira. REsp 147.546-RS, j. 6.4.2000. Dl
7.82000, P 109

42 REVISTA DE DIREITO MERCANTlL- 133

presários para defin ir as re lações internas
da soc iedade, po is, nas SIA fec hadas , há
extensa regul ação para as ações preferen­
cia is. Não obs tante ta l fato, cumpre lem­
brar que, criad as quotas desiguais , as de li­
ber ações socia is são tomadas em razão não
mais do númer o de qu ot as , mas s im do
percentual do capi ta l social que elas re pre­
se ntam (art. 1.076).

O cap ita l de am bas as sociedades é
formado por bens e direitos destacad os do
patrimôni o dos sócios em proveit o da soc ie­
dade . É vedada a co ntri bu ição que consista
em serviços (art. 1.0 55, § 29., NCC; art. 79.,
LSA). In feli zm en te , o Código Civ il não re­
gulou de forma minu ciosa, como faz a LSA
- art. 8º - a avaliação dos ben s qu e in­
gressarão no capita l social, dando m ar­
gem às comuns fraudes nesse campo. Esti­
pul a, tão -somente , a respon sabilidade dos
sócios pel a exata estimação dos bens, por
um prazo de ci nco anos , o qu e nos parece
insuficien te. Ruben s Requião di scorre so­
bre esse problema: "Somos levados a reco­
nhecer que grande pa rte das fraudes come­
tid as nas sociedades de pessoas, incl us ive
nas sociedades anô nimas, decorre da faci­
lidade com que se permite a integr ali zação
da co ntribuição do sóc io no ca pital social,
em ben s , sejam corpóreos ou incorpóreos .
Os ben s incorpóreos, como pa tentes de in­
venção, mar ca s etc ., são di fíce is de avali ar
com exatidão . Deixada a critério dos sócios,
na s sociedades de pessoas, a atribuição de
va lor aos ben s, sejam móveis ou imóvei s,
com qu e ingressam, ab re-se a opo r tun ida­
de par a que os mesmos abusem dessa faci­
lidade, men cionando va lores irreais , e, às
vezes, fan t ást icos" ."

Fraude bast ant e comum na co ns titui­
ção das socieda des limi tada s é a es tipula­
ção de um capital fictício . Como