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ANTI-DÜRING
Herr Eugen Dühring's Revolution in Science

Friedrich Engels

ÍNDICE
Apresentação

Prefácio da primeira edição.

Prefácio da segunda edição.

INTRODUÇÃO
Capítulo I - Generalidades.

Capítulo II - O que promete o Sr. Dühring.

PARTE I

Filosofia
Capítulo III - Divisão. Apriorismo.

Capítulo IV - Esquemática do mundo.

Capítulo V - Filosofia da natureza. O tempo e o espaço.

Capítulo VI - Filosofia da natureza. Cosmologia, física, química.

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Capítulo VII - Filosofia da natureza. O mundo orgânico.

Capítulo VIII - Filosofia da natureza. O mundo orgânico (conclusão).
Capítulo IX - Moral e direito. Verdades eternas.

Capítulo X - Moral e direito. A igualdade.

Capítulo XI - Moral e direito. Liberdade e necessidade.

Capítulo XII - Dialética. Quantidade e qualidade.

Capítulo XIII - Dialética, Negação da negação.

Capítulo XIV - Conclusão.

PARTE II

Economia Política
Capítulo I - Objeto e método.
Capítulo II - Teoria da violência.

Capítulo III - Teoria da violência (continuação).
Capítulo IV - Teoria da violência (conclusão).
Capítulo V - Teoria do valor.

Capítulo VI - Trabalho simples e trabalho complexo.

Capítulo VII - Capital e mais-valia.

Capítulo VIII - Capital e mais-valia (conclusão).
Capítulo IX - Leis naturais da economia. A renda territorial.

Capítulo X - Sobre a "História crítica".

PARTE III

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Socialismo
Capítulo I - Traços históricos.

NOTAS

 :

APRESENTAÇÃO
Nélson Jahr Garcia

 O marxismo é um conjunto de idéias filosófico-ideológicas, com traços de economia. Procura
explicar a estrutura e funcionamento do sistema capitalista e avaliar caminhos para a superação de suas
deficiências. Suas concepções básicas foram assimiladas, aceitas e seguidas por mais da metade da
população do globo terrestre.
 Infelizmente as idéias de Marx transformaram-se em dogmas religiosos, mesmo quando o tempo
começava a abalar seus fundamentos. Qualquer contestação às teses de Marx, Lenin, Stalin, Mao e tantos
outros geravam, para o autor da crítica, acusações de "reacionário", "porco revisionista", "burguês
explorador", "pequeno-burguês egoísta".
 Os defensores do ideário capitalista também criaram uma religião, ainda mais severa e intolerante. Os
marxistas, socialistas, anarquistas, toda a esquerda enfim eram acusados de "criminosos", "comedores de
criancinhas", "vermelhos adeptos do demônio", "risco para a juventude, a família e a religião cristã".
 Repentinamente caiu o Muro de Berlim. Aliás não caiu, porque bem construído, mas foi derrubado,
tijolo por tijolo, pedra por pedra. A derrubada foi feita pelos que não mais suportavam o autoritarismo
burocrático-religioso e, há anos, vinham sonhando com a liberdade que, apesar de tudo, ainda não é
plena.
 Hoje se pode conhecer as afirmações marxistas, não como dogmas, mas como um conhecimento que é
herdeiro da antigüidade clássica (Grécia, Roma), do Oriente antigo, da Filosofia alemã e francesa, da
Economia inglesa. Suas análises são de uma lógica rigorosa, a análise das distorções do capitalismo é
sugestiva e intrigante.
 A leitura e, principalmente, o estudo das obras de Marx permite ao leitor e estudioso aperfeiçoar sua
sensibilidade crítica, possibilitando-lhe entender melhor as concatenações que estão na base da
Sociedade e do Estado.
 A dificuldade é que os textos são complexos, discutem minúcias e pormenores nem sempre facilmente
compreensíveis de imediato. Talvez seja mais fácil começar com Engels. Friedrich Engels teve uma
formação muito semelhante à de Marx, era seu amigo e co-autor em várias obras. Tinha uma linguagem
mais clara, direta e objetiva embora sua argumentação nem sempre fosse muito profunda.
 Escreveu, dentre outros, dois livros: "Do Socialismo Utópico ao Socialismo Científico" e
"Anti-Dühring".
 No primeiro descreve a evolução do pensamento socialista nos séculos XVIII e XIX, suas origens
econômicas e políticas; discute suas forças e deficiências (O livro se encontra neste site e em
www.ebooksbrasil.com).

Anti-Dürhring

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 Em Anti-Dühring, tece críticas severas às obras do pensador, Senhor (Herr) Eugen Dühring. Ao
fazê-lo, usa de um humor cáustico e, muitas vezes, extremamente agressivo., vejamos uns poucos
exemplos:
"Não é bastante que me resolva eu a classificar uma escova de sapatos na classe dos mamíferos, para que
a mesma, como que por encanto, apresente glândulas mamárias."
"...o Sr. Dühring também nos fala (pág. 84) da "gravitação dos átomos" mas com isso prova unicamente
que vive "nas trevas"..."
"...o Sr. Dühring fala de coisas que conhece muito pouco."
"...todas as demais vitórias do Sr. Dühring, anunciadas por frases pomposas e retumbantes deram como
resultado, em todos os setores a que se aplicaram, uma pura farsa."
 Ao criticar expõe os principais fundamentos do socialismo marxista: "a determinação em última
instância pelo econômico"; "a filosofia da natureza"; "os princípios da dialética"; "a violência política";
"capital e mais-valia"; "exploração do homem pelo homem"; “o socialismo” e muito mais.

PREFÁCIO DA PRIMEIRA EDIÇÃO
 O presente trabalho não é, absolutamente, fruto de um "impulso interior". Muito pelo contrário.
 Quando, há três anos, o Senhor Dühring surgia, cheio de rompante, apresentando-se, ao mesmo
tempo, como adepto e reformador do socialismo, disposto a trazer o século à luta, alguns amigos da
Alemanha expressaram várias vezes o desejo de que eu fizesse; no órgão do partido social-democrata,
então o Volksstaat, um estudo crítico da nova doutrina socialista. Consideravam tal estudo grandemente
útil, a menos que não se quisesse proporcionar ao sectarismo existente no jovem partido, ainda em
formação e distante de sua unidade definitiva, uma nova oportunidade para divergência e confusão.
Estavam eles, melhor do que eu, em condições de julgar a situação da Alemanha: via-me obrigado a
dar-lhes crédito. Demais, pode-se verificar que parte da imprensa socialista se pôs a dar boas-vindas ao
novo apóstolo com um entusiasmo que não era unicamente condescendência, mas deixava transparecer
alguma inclinação para acolher, sem reservas, o Senhor Dühring, e, o que é mais, a doutrina do Senhor
Dühring.
 Havia mesmo pessoas que já se julgavam no dever de difundir a doutrina entre os trabalhadores.
Finalmente, o Senhor Dühring e seus correligionários punham a seu serviço todas os artifícios da
propaganda e da intriga para obrigar o Volksstaat a tomar posição definitiva em face da nova doutrina,
que entrava em cena com tão consideráveis pretensões.
 Foi-me preciso, pois, um ano para me resolver a deixar de parte outros trabalhos e trincar esse amargo
pomo que, uma vez mordido, tinha que ser comido totalmente. E o mais grave é que esse pomo não era
apenas muito amargo, mas, também, muito grande. A nova doutrina socialista apresentava-se como a
última conseqüência prática de um novo sistema filosófico. Tratava-se, portanto, de estudá-lo em
conexão com o sistema, ao mesmo tempo que ao próprio sistema; tratava-se do seguir o Senhor Dühring
naquele vasto domínio onde ele encara todas as coisas possíveis.., e muitas outras ainda. Tal a origem de
uma série de artigos que, a partir do fim de 1877, apareceram no jornal que sucedera ao Volkstaat, o
Vorwaerts, de Leipzig, artigos esses que vão aqui reunidos.
 É, pois, a natureza do assunto que obriga a crítica a tomar um desenvolvimento assaz considerável em
relação ao que há de científico na matéria, isto é, nos escritos de Dühring. Mas duas outras circunstâncias
poderiam ainda servir de escusas a este desenvolvimento. De um lado, proporcionar ocasião para expor
em forma positiva os assuntos mais diversos que tivéssemos de abordar, concepções sobre as questões

Anti-Dürhring

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