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nela
está a origem dos corpos celestes existentes e que ela é, por outro lado, a mais antiga forma de matéria a
que podemos, até agora, remontar. O que absolutamente não exclui, mas, pelo contrário, supõe que a
matéria tenha atravessado, antes da nebulosa primitiva, uma série infinita de outras formas.
 E nisso o Sr. Dühring não vê nenhuma vantagem. Enquanto somos obrigados, com a ciência, a nos
deter provisoriamente na nebulosa primitiva, como numa estação de trânsito, a sua ciência da ciência
permite-lhe subir muito mais alto, até aquele "estado do meio universal que não poderia ser concebido,
nem como puramente estático, no sentido atual do termo, nem como dinâmico, e que, portanto, de
nenhum modo é possível conceber". "A unidade de matéria e força mecânica, à qual damos o nome de
meio universal, é uma fórmula por assim dizer lógico-real, da qual nos valemos para designar o estado da
matéria idêntico a si próprio, como fase prévia de todas as etapas da evolução que possamos estabelecer."
 Evidentemente, não terminamos ainda com o estado da matéria idêntico a si mesmo. Esse estado é
aqui designado como a "unidade de matéria e força mecânica", "fórmula lógico-real", etc. Assim, logo
que cessa a unidade de matéria e força mecânica, o movimento se inicia.
 A "fórmula lógico-real, não é senão uma fraca tentativa de utilizar. na "filosofia da realidade", as
categorias hegelianas do em si (Ansich) e para si (Fursich). Na primeira categoria reside, para Hegel, a
identidade primitiva das antíteses ainda latentes e embrionárias, ocultas numa coisa, num fenômeno, num
conceito; na segunda. manifestam-se a diferenciação e a separação desses elementos ocultos e começa o
seu conflito. É preciso pois, e para isso nos convida O Sr. Dühring, representarmo-nos o estado de
imobilidade primitiva como unidade de matéria e força mecânica e a passagem para o movimento como
separação e oposição destes dois elementos.
 O que com isso ganhamos não é a prova da realidade desse fantástico estado primitivo, mas somente a
possibilidade de compreendê-lo sob a categoria hegeliana do Ansich e de compreender-lhe a cessação,
também fantástica, sob a categoria do Fursich. Continua valendo o auxílio de Hegel!
 A matéria, diz o Sr. Dühring, é a portadora de tudo o que é real, de tal maneira que não pode haver
força mecânica fora da matéria. A força mecânica é, além disso, um estado da matéria. Assim, no estado
primitivo, em que nada se passava, a matéria e seu estado, a força mecânica, eram uma e a mesma coisa.
A seguir, quando começou a se passar algo, necessariamente esse estado se diferenciou da matéria. Será

Anti-Dürhring

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preciso, pois, que nos contentemos com essas frases mitológicas e com essa vaga afirmação de que o
estado da matéria idêntico a si próprio não era nem estático nem dinâmico, nem equilíbrio, nem
movimento, como quer o Sr. Dühring? Não saberemos jamais em que lugar a força mecânica se achava,
naquele estado primitivo, nem como pôde, sem um impulso de fora, isto é, sem Deus, passar da
imobilidade absoluta ao movimento.
 Antes do Sr. Dühring, os materialistas falaram da matéria e do movimento. Ele reduz o movimento à
força mecânica como sua pretensa forma fundamental e por aí se torna impossível compreender a
verdadeira relação entre matéria e movimento, a qual, de resto, foi igualmente obscura para todos os
materialistas que o precederam. E, no entanto, a coisa é bastante simples. O movimento é o modo de
existência da matéria.
 Nunca, em parte alguma, existiu, nem pode existir, matéria sem movimento. Movimento no espaço
absoluto, movimento mecânico de pequenas massas em qualquer dos mundos existentes, vibrações
moleculares sob a forma de calor, de corrente elétrica ou magnética, de análise e síntese químicas, vida
orgânica: em qualquer uma dessas formas de movimento, ou em várias ao mesmo tempo, é que se
encontra, no mundo, cada um átomo de matéria, em cada instante determinado.
 O repouso e o equilíbrio são sempre relativos, e só têm sentido e razão de ser em relação a tal ou qual
forma concreta de movimento. Um corpo, por exemplo, pode achar-se à superfície da terra, em equilíbrio
mecânico, estar, do ponto de vista mecânico, em estado de repouso; isso não o impede, absolutamente, de
participar do movimento da terra bem como do movimento do sistema solar inteiro, assim como não
impede que as suas melhores partículas físicas experimentem as vibrações provocadas por sua
temperatura, ou que os seus átomos efetuem um processo químico. Matéria sem movimento é tão
inconcebível como movimento sem matéria.
 O movimento não pode, por conseqüência, ser criado ou destruído, como também não pode ser a
própria matéria, e é a isso que a antiga filosofia (Descartes) se refere quando afirma que a quantidade de
movimento existente no mundo é sempre a mesma. O movimento não pode, pois, ser criado; ele pode
somente ser transmitido. Quando o movimento é transmitido de um corpo para outro podemos considerar
que ele se desloca - ativamente - como causa do movimento, ou que é deslocado - passivamente - como
efeito. Chamamos a esse movimento ativo de força e a esse movimento passivo de manifestação de força.
É pois evidente que a força não pode ser maior nem menor que a sua manifestação, uma vez que o
mesmo movimento se realiza em ambos os casos.
 Imaginar um estado da matéria sem movimento é, por isso mesmo, umas das idéias mais vazias e
absurdas que se pode encontrar; é, mais que uma idéia, uma "pura fantasia febricitante". Para chegar até
essa idéia da imobilidade é preciso representar-se como repouso absoluto o equilíbrio mecânico
puramente relativo, no qual se pode achar um corpo à superfície da terra, para depois estender essa
representação a todo o universo. É verdade que isso se torna mais fácil se se reduz o movimento
universal à simples força mecânica. Além disso, essa limitação do movimento a uma simples força
mecânica apresenta ainda a vantagem de que se pode representar uma força em repouso, dominada e, por
conseguinte, momentaneamente sem ação. Com efeito, quando a transmissão de um movimento é, como
sucede quase sempre, um fenômeno um tanto complexo, no qual não conhecemos diversos elos
intermediários, pode-se retardar a transmissão propriamente dita, até o instante ,julgado oportuno, não se
conhecendo, entretanto, o último elo da cadeia; por exemplo, quando se carrega um fuzil aguarda-se o
momento em que, pela detonação do gatilho, deve produzir-se a descarga, e, com ela, a transmissão do
movimento desenvolvido pela combustão da pólvora.
 Pode-se, pois, representar a matéria, durante o estado imóvel idêntico a si mesmo, como carregada de
força; e é esse sentido que o Sr. Dühring parece dar, quando fala da unidade de matéria e força mecânica,
se é que lhe dá algum sentido. Mas essa representação é absurda, porque transfere ao universo, como

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absoluto, um estado que é relativo por natureza e ao qual, consequentemente, não pode estar submetida,
num mesmo tempo. senão uma parte da matéria. Mesmo que se deixasse de lado essa objeção, restaria
ainda a dificuldade de se saber, em primeiro lugar, como o mundo foi carregado de forças. visto que nem
hoje os fuzis se carregam por si próprios; em segundo lugar, era preciso saber qual foi o dedo que apertou
o gatilho. Por mais que mudemos a direção, por voltas e voltas, pelos ensinamentos do Sr. Dühring,
chegamos sempre ao dedo... da Providência.
 Da astronomia, o nosso filósofo da realidade passa à mecânica e à física, e queixa-se de que a teoria
mecânica do calor não tenha sido impulsionada, uma geração após a sua descoberta, para mais adiante do
ponto em que Robert Mayer a situou. Além disso, diz-nos o Sr. Dühring, toda a questão permanece
obscura, e devemos sempre "recordar novamente que os estados de movimento da matéria trazem
consigo situações estáticas