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de todas as classes em geral; essa classe, pelas próprias circunstâncias,
é obrigada a impor essa abolição, sob pena de ficar reduzida à situação em que se encontram os coolies
na China. Por outro lado, a grande indústria cria a burguesia; classe que ostenta o monopólio de todos os
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instrumentos de produção e meios de vida, ficando demonstrado, em cada período de saturação e nas
crises que lhes são subseqüentes, que é já incapaz de continuar a governar as forças produtivas, que
fogem ao seu controle; essa classe, sob cujo controle a sociedade corre, vertiginosamente, para a ruína,
como se fosse uma locomotiva, na qual o maquinista não tem mais força suficiente para abrir nenhuma
válvula de segurança. Ora, por outras palavras: a onda de rebeldia é devida a que as forças produtivas
engendradas, tanto pelo moderno regime capitalista de produção, como também pelo sistema de
distribuição de riquezas, por ele criado, estão em flagrante contradição com esse regime de produção,
numa contradição tão irredutível que, necessariamente, deverá se produzir uma transformação radical no
regime de produção e de distribuição, arrastando para o abismo todas as diferenças de classe, se é que a
sociedade moderna não quer perecer. Neste fato material e tangível, que se impõe, dentro de limites mais
ou menos claros, através de uma irresistível necessidade, nos cérebros dos proletários vítimas da
exploração, nesse fato e não nas idéias e maquinações de um erudito especulador sobre o Direito e a
Justiça, é que se evidencia a certeza de que o socialismo moderno terá de triunfar.
Capítulo II - TEORIA DA VIOLÊNCIA
 "A relação entre a política geral e as formações do direito econômico é determinada, em meu sistema,
de uma forma tão decisiva e tão original que não será demais ressaltá-la aqui, para facilitar a sua
compreensão. A configuração das relações políticas é historicamente fundamental, e as dependências
econômicas nada mais são que um efeito ou caso especial, sendo, portanto, sempre, fatos de segunda
ordem. Muitos dos sistemas socialistas modernos têm, como principio diretivo, a aparência de uma
relação totalmente inversa, que salta aos nossos olhos, fazendo com que os estados econômicos surjam,
digamos, das subordinações políticas. Esses efeitos de segunda classe existem, sem dúvida, como tais, e
são especialmente sensíveis nos tempos atuais; mas o elemento primário deve ser encontrado no poder
político imediato e não no poder econômico indireto". E a mesma doutrina se reflete noutro trecho em
que o Sr. Dühring "extrai da tese de que os estados políticos são a causa decisiva da situação econômica
e de que a relação inversa representa somente uma repercussão de segunda ordem .. Enquanto não se
considerem os agrupamentos políticos, por si mesmos,, como pontos de partida, considerando-os pelo
contrário, exclusivamente, como meios para fins ligados à subsistência, por mais radical, mais socialista
e mais revolucionário que se queria aparecer, continuar-se-á a esconder uma boa dose camuflada de
reação."
 Tal é a teoria do Sr. Dühring. Teoria que, neste como em muitos outros trechos, ele se limita a
formular e, quase poderíamos dizer, a decretar. Em nenhum dos três tomos de sua obra, apesar de tão
volumosos, pode ser encontrada a mais leve intenção de demonstrá-la ou de refutar a opinião contrária à
sua. Ainda que os argumentos fossem baratos como amoras, o Sr. Dühring não nos forneceria nenhum
em apoio à sua tese. Para que fornecê-los se tudo está tão suficientemente demonstrado pelo famoso
pecado original, em que víamos Robinson escravizar "Sexta-feira"? Esta escravização era um ato de
violência e, portanto, um ato político. E, como esse ato de dominação é o ponto de partida e o fato
fundamental de toda a história até os nossos dias, introduzindo nela o pecado original da injustiça,
embora um pouco atenuado ao se converter mais tarde "nas formas bem mais indiretas da dependência
econômica", e, como desse avassalamento primitivo brota toda a "propriedade baseada na força", que
vem até hoje imperando, é evidente que os fenômenos econômicos têm a sua raiz em causas políticas e,
mais concretamente, na violência. E quem não se conformar com essas deduções é um reacionário
camuflado.
 Observemos, antes de mais nada, que é necessário estar muito cheio de si, como o Sr. Dühring, para
afirmar que esta teoria é "original", quando ela não o é de modo algum. A crença de que os atos políticos
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dos chefes e do Estado são um fator decisivo da História é uma crença tão antiga como a própria
historiografia e a ela se deve particularmente o fato de que saibamos tampouco a respeito da silenciosa
evolução que impulsiona realmente os povos e que se oculta no fundo de todas as cenas ruidosas. Esta
crença presidiu toda a História antiga até que, na época da Restauração, os historiadores burgueses lhe
assestaram o primeiro golpe. O que é original é que o Sr. Dühring ignore tudo isso, como de fato o
ignora.
 Além disso, mesmo admitindo, por um momento, que o Sr. Dühring tenha razão ao afirmar que toda a
História, até aos nossos dias, tem as suas raízes na escravização do homem pelo homem, não
chegaríamos, desse modo, nem aproximadamente, ao ponto nevrálgico da questão. Surgiria
imediatamente a pergunta: que levou Robinson a escravizar "Sexta-feira"? Fez Isso apenas por diversão?
Sabemos que não. O que se nos afirma, pelo contrário, é que "Sexta-feira" era "espoliado como escravo,
ou como simples instrumento para serviço econômico, e mantido somente na categoria de instrumento".
Robinson, portanto, escraviza "Sexta-feira" para que este trabalhe em seu beneficio. E como pôde
Robinson se aproveitar do trabalho de "Sexta-feira"? Somente conseguindo que "Sexta-feira" crie, por
seu próprio trabalho, mais meios de vida do que os que Robinson possui para lhe fornecer, a fim de que
se mantenha em condições para trabalhar. Isto é, Robinson, contra as prescrições expressas e imperativas
do Sr. Dühring "não toma como ponto de partida um agrupamento político" criado por meio da
escravização de "Sexta-feira", "por si mesmo considerando-o, pelo contrário, exclusivamente, como
meios para fins ligados à subsistência", e agora, ele que procure entender-se com o seu dono e Senhor.
 Vemos, pois, que o exemplo pueril, expressamente inventado pelo Sr. Dühring para nos provar que a
violência é um fator "historicamente fundamental", na realidade nos demonstra que este fator nada mais é
que o meio, enquanto que o fim está precisamente no proveito econômico. E, finalmente, tudo o que tem
de "fundamental" em relação aos meios empregados para alcançá-lo, também tem de fundamental, na
História, o aspecto econômico da relação entre os dois homens, comparado com o aspecto político. O
exemplo citado demonstra, pois, justamente, o contrário do que o seu autor pretendia demonstrar, A
mesma coisa que, como vemos, acontece com Robinson e "Sexta-feira", pode ser observada com todos
os casos de poder e avassalamento de que nos fala a História. A escravização tem sido sempre, para
empregar a elegante expressão do Sr. Dühring, um "meio para fins ligados à subsistência" (concebida a
subsistência em seu sentido mais amplo), sem ter sido em parte alguma um "agrupamento político",
implantado graças a si mesmo. É preciso que se seja um Sr. Dühring para se poder imaginar que os
impostos cobrados pelos Estados não são mais que "efeitos de segunda ordem" e que o "agrupamento
político" de nossos dias, que coloca, de um lado, a burguesia poderosa e, de outro lado, o proletariado
oprimido, chegou a existir graças a si mesmo, e não como conseqüência dos "fins de subsistência" dos
burgueses dominantes, ou seja, pela produção de lucro e acumulação do capital.
 Voltemos. porém. aos nossos dois