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e subjetivamente limitada do
mundo". Esta filosofia está, pois, construída de tal modo, que transporta seu autor, por cima das
fronteiras, acima de sua limitação pessoal e subjetiva, de modo que nem ele próprio o negará. E, com
efeito, nada mais era preciso para que seu autor estivesse em condições de proclamar verdades definitivas
e sem apelação, ainda que não tenhamos compreendido, até agora, como pôde realizar-se semelhante

Anti-Dürhring

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maravilha.
 Este "sistema natural de um saber, precioso por si mesmo, para o espírito, "descobriu, com toda a
certeza, sem transigir quanto à profundidade da idéia, as formas fundamentais do Ser", Desde a sua
"plataforma verdadeiramente crítica", o Sr. Dühring nos apresenta os elementos de uma filosofia real,
projetada, portanto, sobre a realidade da natureza e da vida, ante a qual não se mantém um só horizonte
apenas aparente, mas se desenrola ante os nossos olhos surpreendidos, em suas potentes comoções, todas
as terras e os céus da natureza exterior e interior; oferece-nos, pois, um novo método especulativo e seus
frutos são "resultados e observações radicalmente novos..., idéias originais criadoras de sistema...
verdades comprovadas." Nela, temos "um trabalho que encontrará a raiz de sua força na iniciativa
concentrada"... supondo-se que isso queira dizer alguma coisa; uma "investigação que desce até as
raízes..., uma ciência radical..., uma concepção rigorosamente científica das coisas e dos homens..., um
trabalho especulativo que penetra em todos os aspectos e modalidades das coisas..., um esboço criador
das hipóteses e conseqüências domináveis pelo pensamento..., o absolutamente fundamental. O Sr.
Dühring não se limita a nos oferecer, no campo da Economia Política, "trabalhos histórica e
sistematicamente vastos", entre os quais os históricos se distinguem ainda pelo "meu traço historicamente
grandioso" e que fazem nascer na economia "ciclos criadores"; além disso, termina suas investigações
com um plano socialista completo, pessoal, perfeitamente desenvolvido, da sociedade do futuro, plano
que é "o resultado prático de uma teoria clara, que se aprofunda até as últimas raízes" e, portanto,
compartilha com a infalibilidade e a virtude de santificação universal, que é o atributo da filosofia
dühringuiana, pois, "só sob a forma socialista por mim desenvolvida em meu Curso de Economia Política
e Social pode uma autêntica propriedade ocupar o posto dessa propriedade aparente e provisória
conquistada pela violência". Já sabe o futuro que, quer deseje ou não, terá que se basear, forçosamente,
nessa concepção.
 Nada nos custaria aumentar essa coleção de elogios dedicados pelo Sr. Dühring ao Sr. Dühring. Mas
cremos bastar o que já dissemos para que o leitor tenha algumas dúvidas sobre o fato de ter realmente
diante de si um filósofo ou... Não; rogamos ao leitor que reserve sua opinião até conhecer mais de perto o
prometido "radicalismo". Se apresentamos todo esse florilégio é porque queríamos simplesmente
demonstrar não se tratar de um filósofo e socialista vulgar, desses que se limitam a formular suas idéias
deixando que os outros julguem de seu valor, mas de um ser verdadeiramente extraordinário, que afirma
possuir a mesma infalibilidade do papa e cuja doutrina, de virtude universalmente santificadora, deve ser
aceita. sem discussão, se não se quiser incorrer na mais horrenda das heresias. Não, não se trata,
absolutamente, de um desses trabalhos que enchem e superlotam as literaturas socialistas de todos os
países e, ultimamente, também da Alemanha, de um desses trabalhos que as pessoas de diversos níveis
procuram, com a maior sinceridade, para alcançar conclusões claras sobre os problemas para cuja
solução lhes falta, em maior ou menor quantidade, dados e conhecimentos. mas nos quais, apesar de seus
defeitos científicos ou literários, merece sempre ser tomada em conta a boa vontade socialista. Nada
disso. O Sr. Dühring apresenta-nos doutrinas que ele mesmo proclama verdades definitivas e inapeláveis,
e, portanto, de antemão excluem como falsas todas as opiniões diversas. E não só possui a verdade
exclusiva. como também possui o único método rigorosamente científico para investigá-la, método perto
do qual empalidecem, como falhos de seriedade científica, todos os outros. Ou o Sr. Dühring tem razão e,
nesse caso, estaremos diante do maior dos gênios de todos os tempos, do primeiro homem sobre-humano,
infalível, ou, então, está o Sr. Dühring equivocado, mas, mesmo assim, seja qual for a nossa opinião, se
tomássemos em consideração, benevolentemente, a sua boa vontade, como se esta existisse, isso seria
para ele a maior das ofensas.
 Quando se está de posse da verdade definitiva e inapelável e da única ciência rigorosamente
científica, é natural que se manifeste certo desprezo pelo resto da humanidade, ignorante da ciência e

Anti-Dürhring

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extraviada no erro. Nada, tem, portanto, de estranho o fato de O Sr. Dühring falar de seus predecessores
com a mais profundo desprezo e só umas tantas pessoas, a quem ele mesmo, como favor excepcional,
chama de grandes homens, prevaleçam ante o julgamento de seu "radicalismo".
 Vejamos o que nos diz dos filósofos: "Leibnitz, carente de todo sentido elevado, é o melhor de todos
os possíveis filosofadores cortesãos." Kant é ainda tolerado. Depois dele, entretanto, tudo virou às
avessas, pois vieram as tolices e futilidades, tão sem substância e tão enganosas, dos primeiros epígonos,
de um Fichte e de um Schelling..., caricaturas monstruosas de incultos filosofastros da natureza..., as
"monstruosidades pós-kantianas" e as "fantasias febris" que encontram "num Hegel" o seu remate e sua
coroação. Este filósofo falava uma "gíria hegeliana" e propagou a "epidemia hegeliana", por meio de
suas "maneiras e formas anticientíficas", por suas "grosserias".
 Os naturalistas não têm tratamento melhor, apesar de ser citado apenas Darwin. Portanto, é a este que
temos que nos referir: "A semipoesia e a rapidez darwinista de metamorfoses, com sua grosseira
estreiteza de concepções e sua fraqueza de discernimento... Do nosso ponto de vista, a darwinismo, do
qual se deve separar, naturalmente, as doutrinas lamarckianas, é uma afirmação de selvageria e um crime
de lesa-humanidade".
 Mas os socialistas é que ficam em piores condições. Com exceção de Louis Blanc - o mais
insignificante de todos - eles são todos pecadores e indignos da fama que o Sr. Dühring lhes poderia dar
através de seu nome. E tudo isso, não apenas pela sua falta de verdade para com a ciência, mas também
por sua falta de caráter. Exceto Baboeuf, e alguns outros communards, de 1871, todos os outros chegam
mesmo a ter "masculinidade". Os três utopistas não são, segundo ele, mais que "alquimistas sociais".
Unicamente Saint-Simon consegue um tratamento bastante passável, uma vez que só lhe é reprovado o
exagero", considerando-se caridosamente a enfermidade de megalomania religiosa de que padecia. Mas,
ao chegar a Fourier, o Sr. Dühring perde a paciência. Pois Fourier "descobriu todos os elementos da
loucura...-, idéias que deviam estar naturalmente num manicômio..., os sonhos mais disparatados...,
criaturas loucas... O inegavelmente "perturbado Fourier", essa "cabecinha infantil", esse "idiota", nem
sequer era socialista; o seu palavreado nada tinha a ver com o socialismo racional; era simplesmente um
aborto trabalhado pelo padrão da vida vulgar". E, finalmente, àqueles a quem não bastam essas
manifestações (as de Fourier sobre Newton...). para que se convençam de que no nome de Fourier e em
todo o fourierismo só a primeira sílaba (fou, em francês significa louco) encerra certa verdade, merecem
ser incluídos, por sua vez, em qualquer uma das categorias do idiotismo". E, por fim, ficamos sabendo
que Robert Owen "tinha idéias pobres e mesquinhas..., sua mentalidade tão grosseira no que se refere ao
terreno