antiduring
155 pág.

antiduring


DisciplinaFilosofia e Ética2.555 materiais75.804 seguidores
Pré-visualização50 páginas
todos os elementos da
loucura...-, idéias que deviam estar naturalmente num manicômio..., os sonhos mais disparatados...,
criaturas loucas... O inegavelmente "perturbado Fourier", essa "cabecinha infantil", esse "idiota", nem
sequer era socialista; o seu palavreado nada tinha a ver com o socialismo racional; era simplesmente um
aborto trabalhado pelo padrão da vida vulgar". E, finalmente, àqueles a quem não bastam essas
manifestações (as de Fourier sobre Newton...). para que se convençam de que no nome de Fourier e em
todo o fourierismo só a primeira sílaba (fou, em francês significa louco) encerra certa verdade, merecem
ser incluídos, por sua vez, em qualquer uma das categorias do idiotismo". E, por fim, ficamos sabendo
que Robert Owen "tinha idéias pobres e mesquinhas..., sua mentalidade tão grosseira no que se refere ao
terreno moral..., alguns lugares comuns degenerados em idéias confusas..., talento de observação absurdo
e torpe... O processo mental de Owen não merece sequer o tempo que se gasta com uma crítica séria... A
sua vaidade..." etc., etc. O Sr. Dühring classifica os utopistas, divertindo-se com os seus nomes, com o
seguinte desperdício de humor: Saint-Simon, saint (santo), Fourier, fou (louco), Enfantin, enfant
(criança). Só lhe faltou acrescentar Owen, o weh (oh! dor em alemão), encerrando um período bastante
considerável da história do socialismo. com uma piada, em quatro letras, e quem se atrever a pôr isso em
dúvida, "merece ser incluído em qualquer uma das categorias de idiotismo".
 Dos julgamentos, que Dühring faz dos socialistas posteriores, limitar-nos-emos a destacar, devido à
sua brevidade, os que faz sobre Lassalle e Marx:
 Lassalle: "Ensaios de vulgarização pedantes e pegajosos... excessos escolásticos..., uma mistura
monstruosa de teorias gerais e de detalhes mesquinhos..., superstição hegeliana absurda e disforme...,
exemplo repelente..., limitação..., envaidecimento jactancioso com a mais banal mediocridade..., nosso
herói judeu..., panfletista..., ordinário..., uma concepção da vida e do mundo absolutamente
insustentáveis...
 Marx: "Estreiteza de concepções..., seus trabalhos e suas conclusões são falhos por si mesmos, isto é,
Anti-Dürhring
file:///C|/site/LivrosGrátis/antiduring.htm (17 of 155) [05/04/2001 17:55:01]
do ponto de vista de teoria pura. do valor permanente, são indiferentes para o nosso objetivo (a história
crítica do socialismo), e, no que se refere à história geral sobre as correntes do espírito, pode-se tomá-lo
em consideração, no máximo, como um sintoma da influência atingida por um ramo do escolasticismo
sectário moderno..., impotência e incapacidade de concentração e ordenação..., deformação de
pensamento e de estilo, maneiras de linguagem pouco dignas..., vaidade anglicana..., engano...,
concepções áridas, que, na realidade nada mais são do que rimas bastardas da fantasia histórica e
lógica..., processos desonestos..., vaidade pessoal..., maneiras insolentes..., impertinências..., frasezinhas
engenhosas e tolices..., erudição mesquinha..., um retrógrado na filosofia e na ciência."
 E assim por diante, pois, o que dissemos, apesar de suficiente, nada mais é que um florilégio bastante
superficial tirado dos jardins do Sr. Dühring. Mas é preciso ficar bem entendido que, no momento, não
nos interessa saber se esses amáveis insultos, que, com um pouco de boa educação, poderiam coibir o Sr.
Dühring de acusar alguém como "infame" "impertinente", se essas afirmações são também verdades
definitivas e inapeláveis. "Assim mesmo nos abasteremos, pelo menos no momento - de exteriorizar
qualquer dúvida sabre o seu radicalismo", pois temos muito medo de que isso nem sequer nos permitia
escolher a categoria de idiotas na qual deveríamos ser incluídos.
 Vimo-nos obrigados a dar algumas provas daquilo a que o Sr. Dühring chama de "escolha entre as
maneiras corretas e estritamente modestas de expressão", mostrando, além disso, que para o Sr. Dühring
a insignificância de seus predecessores é tão inalterável como o é sua própria infalibilidade. Depois
disso, nada mais nos resta senão nos humilharmos na mais profunda reverência ante o mais poderoso dos
gênios de todos os tempos..., se é que as coisas são como ele no-las promete..
PARTE I
Filosofia
Capítulo - III - DIVISÃO. APRIORISMO
 Segundo o Sr. Dühring, a filosofia é o desenvolvimento da forma suprema da consciência do mundo e
da vida, compreendendo, num sentido amplo, os princípios, de toda a ciência e de toda a vontade. Onde
quer que se apresente à consciência humana, uma série de conhecimentos ou de impulsos, ou um grupo
de formas de existência, os princípios que presidem a essas manifestações implicam necessariamente
num problema de filosofia. Estes princípios são os elementos simples, ou os que assim são considerados
até hoje e dos quais se compõem as mais diversas modalidades da ciência e da vontade. Do mesmo modo
que a constituição química dos corpos se reduz a formas e a elementos fundamentais, pode reduzir-se,
também, a seus elementos simples a constituição de qualquer coisa. E estes elementos ou princípios, uma
vez obtidos, não governam apenas aquilo que conhecemos e que nos é diretamente acessível, mas
também envolvem o mundo que nos é desconhecido e igualmente inacessível. Os princípios filosóficos
formam, portanto, o último complemento de que necessitam as ciências para se converterem num sistema
harmônico de explicação da natureza e da vida dos homens. Além das formas fundamentais de toda a
existência, a filosofia só conhece os verdadeiros objetivos de investigação: a natureza e o mundo dos
homens. Para a classificação dessa matéria, temos três grupos, que dela se derivam com absoluta
espontaneidade: a esquemática geral do mundo, a teoria dos princípios da natureza e, finalmente, a dos
princípios do homem. Além disso, essa hierarquia contém uma ordem lógica interna, pois, à frente, estão
os princípios formais pelos quais se rege e, logo após, em gradação subordinada, as zonas materiais a que
esses princípios se aplicarão. Até aqui, limitamo-nos a transcrever quase que literalmente as palavras do
Sr. Dühring.
Anti-Dürhring
file:///C|/site/LivrosGrátis/antiduring.htm (18 of 155) [05/04/2001 17:55:01]
 Quando ele fala de princípios, refere-se a princípios de pensamento independentes, não deduzidos do
mundo exterior, e de princípios formais, derivados, aplicáveis à natureza e ao mundo dos homens pelos
quais, portanto, a natureza e o homem serão regidos. Mas, de onde tira o pensamento esses princípios?
Tira de si mesmo? Não, pois o próprio Sr. Dühring diz que, na zona puramente ideal, não há mais do que
esquemas lógicos e figuras matemáticas (afirmação falsa, como veremos adiante). Os esquemas lógicos
só podem referir-se a formas conceituais, e, aqui, trata-se apenas das formas do que existe, do mundo
exterior, formas que jamais o pensamento pode derivar de si mesmo, mas que deve buscar no mundo
exterior. Mas isto inverte toda a relação estabelecida: os princípios já não são o ponto de partida da
investigação, mas seus resultados finais; não se aplicam à natureza e à história humana, mas deles são
extraídos; não é a natureza e o mundo dos homens que se regem pelos princípios, mas só estes é que têm
razão de ser quando coincidem com a natureza e com a história. Nisto consiste a verdadeira concepção
materialista das coisas, o oposto do que afirma o Sr. Dühring, que é idealista e cuja concepção inverte
todas as coisas, construindo o mundo real partindo da idéia, de uma série de esquemas, planos ou
categorias existentes e de valor eterno e anterior à existência do mundo, nada mais e nada menos que...
um Hegel.
 Com efeito, coloquemos a Enciclopédia de Hegel, com todas as suas fantasias febris, junto às
verdades definitivas e inapeláveis do Sr. Dühring. Ao que o Sr. Dühring chama de esquemática geral do
mundo, Hegel chama de lógica. O que o primeiro aplica à natureza