Refino_do_Petroleo
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Refino_do_Petroleo

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B ou Diesel D.

 Diesel B Diesel D
T50% 2,92 1,52
T85% 3,4 1,8
T90% 5,42 3,32

Tabela 20: Erros Médios do Inferidor Final para Diesel B e D.

Para finalizar esta etapa de acompanhamento e validação, se tentou buscar
a incerteza associada a estes ensaios de destilação realizados pelo laboratório.
Isso não foi possível, tendo em vista a falta desta informação.

O laboratório não tem esta informação porque a norma que regulamenta as
especificações deste produto, redigida pela ANP, apenas determina um valor
máximo para o ponto de destilação com o método de análise associado, sem levar
em conta a incerteza.

Por isso se escolheu o fator chamado de reprodutibilidade como valor
comparativo entre as análises geradas pelo laboratório e as análises geradas por
inferência.

Como este fator, que representa o possível erro associado a realizar a
mesma análise sobre uma mesma amostra, mas em outro laboratório e com outro
equipamento, é da ordem de 6°C a 8°C, se percebe que o erro médio encontrado
pelo inferidor está correto. O ponto mais importante da inferência, o oitenta e cinco
por cento, e o ponto cinqüenta por cento, se encontram muito abaixo desta faixa
de erro, mais perto do fator chamado repetitividade (mesma amostra, no mesmo
laboratório, com mesmo equipamento e mesmo operador) do que da
reprodutibilidade.

Assim sendo, se chega à conclusão que o inferidor opera bem o bastante
para permitir sua utilização para aplicações de controle avançado.

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9.4: Problema Encontrado no Acompanhamento, e Soluções

No acompanhamento do programa na seção anterior, se percebeu alguns
dias onde os resultados do inferidor apresentavam grande diferença dos
resultados apresentados pelo laboratório. Ao se analisar estes dias, se percebeu
uma particularidade entre eles. A maioria deles eram dias de campanhas de
querosene.

Buscando solucionar este fato, testou-se uma alternativa. Com a entrada da
unidade HDS em 2004, passou a existir um novo alinhamento, não levado em
consideração pelo programa inferidor, que tem seus alinhamentos mostrados na
figura 43.

Com isto, apesar de o programa considerar que não estava indo nada mais
pra o blend do diesel além de nafta e diesel leve/pesado, existia um alinhamento
não considerado que levava querosene para esta mistura, alterando sua curva de
destilação, e não tornando possível para o programa perceber esta alteração.

Buscando avaliar esta alternativa, se buscou encontrar, com a ajuda do
Eng. de Processamento Keiji, se houve mudanças importantes no alinhamento da
unidade de destilação, não consideradas pelo programa inferidor, além de formas
de indicar estes alinhamentos para o software.

Desse estudo realizado nos alinhamentos, se percebeu que, apesar de ter
ocorrido mudanças, nenhuma delas foi significativa para o programa inferidor, com
isso eliminando esta alternativa como causa para o problema acontecer.

Através de conversas com o Eng. Keiji e uma análise nos limites originais
do programa de inferência, se avaliou novamente o problema, chegando-se a
seguintes conclusões:

• Quando a U-2100 está em campanha de querosene, todo o perfil de
pressões e temperaturas ao longo da torre muda, saindo da faixa normal de
operação, já que a faixa de querosene diminui, e passam a ser introduzidas
nos produtos abaixo do querosene frações mais leves que o normal para
estes produtos.

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• Existiam proteções, no programa original, de limites mínimos e máximos
dos fluxos dos produtos da torre. Quando esses limites eram ultrapassados,
o programa passava a não mais considerar os valores inferidos para o
diesel linha (blend) como corretos, escrevendo nos tags do diesel linha no
PI a palavra Bad Quality, para este valor não ser utilizado nem pelo controle
avançado nem pelos operadores. Esses limites serviam para proteger a
unidade, quase sempre sendo ativados durante campanhas de querosene.

Outra possibilidade, também levantada, é que a curva da dinâmica da torre,
quando ela se encontra em campanha de querosene, seja muito diferente da
curva habitual de operação, ocasionando o mesmo problema apresentado na
figura 35, sendo necessário para correção deste fato um novo conjunto de
coeficientes, a ser chaveado quando a unidade começasse uma campanha de
querosene.

Tentou-se gerar dois conjuntos diferentes de coeficientes, um grupo para os
dias onde a unidade estivesse em campanha de querosene, e outro conjunto para
os demais. O problema é que com isso, o número já limitado de dias-chave caiu
ainda mais, sendo que dos oito dias considerados, três foram realizados em
campanha de querosene, e cinco, em dias normais de operação.

O que resultou disto foi uma degradação dos resultados obtidos, além da
continuidade do problema que ocorre durante campanhas de querosene. Com
estes resultados, voltou-se a utilizar os coeficientes da seção 9.3, e se partiu para
a criação de uma nova proteção no programa, a ser ativada quando a unidade
estiver em campanha de querosene, escrevendo nos tags do PI da inferência do
diesel blend Bad Quality.

Com isso, além do fato de que, quando a unidade está em campanha de
querosene, os pontos de destilação do diesel blend perdem um pouco de
importância, se passou a adotar parte da solução anteriormente aplicada, isto é,
não considerar a inferência para o blend do diesel quando a unidade estiver em
campanha de querosene.

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9.5: Finalizando o Projeto

Com a validação do programa inferidor finalizada, o próximo (e último)
passo que faltava era a aplicação deste software para o controle avançado da
unidade 2100.

Infelizmente, este passo final não pode ser realizado, já que o controle
avançado da unidade, desde o REVAMP da destilação de 2004, está fora de
operação, necessitando de uma revisão sobre seu funcionamento para a coluna
nova, e esta revisão não faz parte das prioridades atuais da gerência de
otimização da refinaria.

Desta maneira, não foi possível analisar as melhorias que seriam trazidas
pelo inferidor com o controle avançado.

Mesmo assim, o inferidor vai ser utilizado atualmente, como uma
ferramenta stand alone para os operadores da destilação.

Agora, ao invés de os operadores terem de esperar cerca de quatro horas
para visualizar o efeito das modificações realizadas na coluna, eles terão uma
noção em tempo real dos pontos de destilação dos produtos, permitindo aos
operadores melhorar o desempenho deste processo, se aproximando mais dos
extremos econômicos de operação da unidade.

Com isso, apesar de o objetivo maior deste projeto não poder ser cumprido,
este trabalho acabou por possibilitar um melhor controle da unidade, controle este
realizado atualmente pelos operadores.

9.6: Conclusões do Capítulo

Neste capítulo foi apresentado o acompanhamento realizado para o diesel
intermediário, comparação de resultados entre os diferentes conjuntos de
coeficientes, e também a abordagem utilizada para resolver o problema
encontrado.

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Capítulo 10: Conclusões e Perspectivas

A realização do Projeto de Fim de Curso em Engenharia de Controle e
Automação na Refinaria Presidente Getúlio Vargas – REPAR propiciou o
desenvolvimento pessoal e profissional do estagiário, além da oportunidade de
aprendizado sobre as unidades envolvidas no refino do petróleo, com isso
propiciando uma formação mais completa do graduando.

Inicialmente foram realizadas atividades para ambientação do estagiário à
refinaria, foi de grande importância, tanto permitindo ao aluno entender como a
refinaria trabalhava como um todo, quanto compreender como cada parte da
refinaria funcionava. As atividades desta fase se constituíram em participações em
palestras e cursos internos, apresentação de todos os setores da refinaria, e o
estudo de cada processo, em conjunto com a realização de uma visita técnica a
área industrial do respectivo processo.

Depois passou a ser desenvolvido um projeto, no setor de Otimização,
buscando solucionar