Refino_do_Petroleo
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Refino_do_Petroleo

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é o que se deseja controlar. Essa demora se deve ao tempo necessário para
que o produto chegue até os pontos de amostragem, além do tempo que leva a
análise do laboratório.

 Mesmo sendo utilizados bonecos (modelos) para cada tipo de petróleo,
que permitem ter uma noção “grosseira” dos pontos de cortes dos produtos, se
perde um tempo significativo para se ajustar com precisão os pontos de cortes
conforme desejado, se perdendo tempo e dinheiro na operação desta unidade.

Com a volta da utilização da inferência da curva de destilação destes
produtos, se busca eliminar este “tempo morto” e aumentar a confiabilidade do
processo. Além disso, é possível voltar a utilizar o controle avançado da unidade,
e com isso manter o sistema mais tempo dentro da janela ótima de operação
calculada pelo otimizador.

Os objetivos deste projeto aqui relatado, foram o de reunir os códigos fonte
do programa de inferência original dos produtos da unidade de destilação

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atmosférica da REPAR, estudar e documentar o funcionamento do programa, e
realizar as modificações necessárias para que o software volte a funcionar
corretamente, sendo futuramente utilizado novamente pelo controle avançado da
unidade de destilação.

Com esses objetivos em mente, primeiramente se buscou conhecer a
refinaria e os processos da mesma, com uma certa ênfase na unidade de
destilação atmosférica (U-2100). Após essa etapa inicial, reuniram-se os vários
pedaços de código fonte que formavam o programa original, e realizou-se um
estudo tanto dos códigos quanto dos princípios da destilação atmosférica, de
maneira a compreender o funcionamento do programa e da destilação
atmosférica.

 Após um estudo das modificações trazidas pelo REVAMP de 2004, foram
realizadas alterações no programa, gerando uma nova versão. Além disto foi
necessário realizar um ajuste estatístico de variáveis para as várias curvas de
destilação, se baseando em dias chave de teste. Foi também gerada uma
documentação extensa sobre o programa de inferências, de maneira que, quando
ocorrerem novos REVAMP’S (o próximo será provavelmente realizado em 2007),
se saiba como o programa funciona, e possam ser realizadas modificações no
software de maneira a voltar a adequá-lo.

Concluindo o trabalho, foi realizada a validação do software de inferências.
Posteriormente estava previsto utilizar o software em conjunto com o controle
avançado, que acabou não ocorrendo devido à falta de revisão do funcionamento
do controle para as novas condições da unidade. Apesar deste problema, foram
obtidos resultados que permitiram que o programa inferidor passasse a ser
utilizado pelos operadores da unidade, que atualmente realizam o controle da
operação.

O relatório está organizado da seguinte maneira: No próximo capítulo é
apresentada a REPAR, empresa onde o projeto foi realizado, além de mostrar as
varias unidades que compõem a refinaria. No Capítulo 3, passa a ser apresentada
a destilação atmosférica, com os fundamentos de como este processo funciona. O
Capítulo 4, aborda as curvas de destilação e o nível de fracionamento, dois

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conceitos importantes neste projeto. No Capítulo 5, se mostra com mais detalhes
a torre de destilação atmosférica (T-2103) da unidade de destilação atmosférica
da REPAR, torre onde foram medidos os dados para gerar as inferências. No
Capítulo 6, se aborda a teoria geral por trás das inferências, e o funcionamento do
controle avançado. No Capítulo 7, se mostra em maiores detalhes o programa de
inferências, como as variáveis inferidas e as modificações realizadas no software
para que o programa voltasse a operar corretamente. No Capítulo 8, se mostra
como ajustar os coeficientes estatísticos do programa, se baseando em dias teste
chave, além dos resultados dos testes realizados com esses coeficientes, se
focando principalmente nos componentes. O Capítulo 9 é focado no trabalho
desenvolvido para o diesel intermediário, com a validação realizada com o
conjunto final de coeficientes, e o acompanhamento dos resultados por três
semanas, além dos resultados obtidos com o programa de inferências.
Finalizando, são apresentadas as conclusões deste projeto.

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Capítulo 2: A Repar

Neste capítulo, é apresentada a refinaria REPAR, local onde foi realizado o
PFC. É apresentado um pequeno histórico, a organização desta empresa, as
principais unidades de processo e produtos da refinaria. As informações contidas
neste capítulo foram retiradas em grande parte do site interno da refinaria [ 2 ].

2.1: Histórico da Empresa

Em outubro de 1953, através da Lei 2.004 a Petróleo Brasileiro S.A. -
Petrobras foi criada para executar as atividades do setor de petróleo, no Brasil em
nome da União.

Hoje a Petrobras é constituída por noventa e cinco plataformas de
produção, dezesseis refinarias, pouco mais de trinta mil quilômetros em dutos e
cerca de seis mil postos de combustíveis. Fazendo parte deste patrimônio a
Refinaria Presidente Getúlio Vargas – REPAR.

A Refinaria Presidente Getúlio Vargas – REPAR foi construída na década
de 70, a 25 quilômetros de Curitiba, estado do Paraná.

2.2: A Refinaria

A UN-REPAR é a principal empresa do setor químico paranaense e a maior
indústria do sul do país, com 580 empregados próprios e 260 contratados e um
número quatro vezes maior de empregos indiretos.

Localizada em Araucária, a refinaria constitui o maior investimento
individual da Petrobras no Paraná, equivalente a 1,5 bilhão de dólares, com um
índice da nacionalização de 85% ocupando uma área de 10 milhões de metros
quadrados. A capacidade atual de refino é de 31 milhões de litros diários de
petróleo, equivalentes a 196 mil barris, representando 11,5% da produção
nacional, transformados nos produtos – óleo diesel (40%), gasolina (22%), gás de

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cozinha – GLP (10%), óleos combustíveis (10%), nafta petroquímica (7%), asfaltos
(2%) e outros com menor percentual como querosene de aviação, matéria-prima
para fertilizantes, asfalto e gás de refinaria.

Aproximadamente 75% de sua produção destina-se ao abastecimento do
Paraná, Santa Catarina, sul de São Paulo e Mato Grosso do Sul. O restante é
destinado a outras regiões do país ou é exportado.

A instalação da Repar em 1977 no Paraná, até então um estado
predominantemente agrícola, propiciou na região de Curitiba e Araucária, a
criação de parques industriais que resultaram em atratividade para instalação de
novas empresas industriais e de serviços, notadamente para a região
metropolitana da capital.

Figura 1: Refinaria Presidente Getúlio Vargas – REPAR.

2.2.1: Interligações

A Refinaria é interligada por dois terminais marítimos e três oleodutos os
quais estão descritos a seguir:

- o terminal marítimo de São Francisco do Sul, situado no litoral
catarinense, por onde recebe petróleos nacionais e importados por via marítima,
com capacidade de transporte de até 1.500 m3 de petróleo/hora;

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- o terminal marítimo e oleoduto de distribuição de derivados de Paranaguá,
no litoral paranaense, exercem o papel de terminal regulador, deslocando
excedentes de derivados de petróleo produzidos pela Repar para outras regiões
do país e exportando-os para países africanos, da América latina e para os
Estados Unidos. Além disso, esse terminal complementa as necessidades de
outros produtos na região, através da importação via cabotagem, principalmente
de gás de cozinha e óleo diesel;

- o poliduto que interliga a Repar ao estado de Santa Catarina, com bases
de distribuição nas cidades de Guaramirim, Itajaí e Florianópolis.

As interligações descritas acima podem ser vistas na figura 2.

Figura 2: Sistema de terminais marítimos e oleodutos da REPAR.

2.3: Setores da REPAR

A Unidade UN-REPAR está dividida nos seguintes setores ou unidades:

• Gestão Empresarial;
• Destilação e Hidrotratamento (DH);
• Craqueamento Catalítico e Desasfaltação; (DCCF);
• Hidrodessulfurização (HDS).

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