4aula
4 pág.

4aula

Disciplina:Direito Constitucional II4.128 materiais90.282 seguidores
Pré-visualização1 página
4a. Aula

A tradicional classificação das normas constitucionais, dada por Jose de Afonso da Silva, em relação à sua aplicabilidade, consiste em: normas de eficácia plena, contida e limitada.

Normas de Eficácia Plena: aquelas que, desde a entrada em vigor da Constituição, produzem ou tem possibilidade de produzir, todos os efeitos essenciais, relativamente aos interesses, comportamentos e situações que o legislador constituinte, direta e normativamente, quis regular.

São as de aplicabilidade imediata, direta e integral, nao dependendo de edição de qualquer legislação posterior.

Ex.: remédios constitucionais.

Normas de Eficácia Contida: são aquelas que o legislador constituinte regulou suficientemente os interesses relativos a determinada matéria mas deixou margem à atuação restritiva por parte de competência discricionária do poder publico, nos termos que a lei estabelecer ou nos termos dos conceitos gerais nelas anunciados.

São as de aplicabilidade imediata, mas cujos efeitos podem ser limitados pela legislação infraconstitucional.

Ex.: art. 5o., XIII: é livre o exercício de qualquer trabalho, oficio ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer. O exemplo do advogado que deve passar na prova da OAB para poder exercer sua atividade (Lei 8.906/94).

Normas de Eficácia Limitada: são aquelas que apresentam aplicabilidade indireta, mediata e reduzida, porque somente incidem totalmente sobre esses interesses, apos uma normatividade ulterior que lhes desenvolva a aplicabilidade.

São as que dependem de complementação do legislador infraconstitucional para se tornarem exeqüíveis.

Ex.: art. 37, VII: o direito de greve será exercido nos termos e nos limites definidos em lei especifica (condiciona totalmente a elaboração de lei especifica que trate do assunto).

Ex.2: art. 7o., XI: participação nos lucros, ou resultados e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei.

Maria Helena Diniz propõe outra forma de classificação, baseada no critério da intangibilidade e na produção dos efeitos concretos.

Assim prevê que as normas constitucionais podem ser: de eficiacia absoluta, plena e restringível. Vejamos:

Normas de Eficácia Absoluta: consideradas intangíveis, ou seja, contra elas nem mesmo há o poder de emendar. Dai decorre a força paralisante total de toda legislação que, explicita ou implicitamente vier a contraria-las.

Ex.: seriam as clausulas pétreas – art. 1o. , (federação), art. 14, (voto direto, secreto, universal), art. 2o. (separação de poderes), art. 5o. (direitos e garantias fundamentais).

Normas com Eficácia Plena: são plenamente eficazes, desde sua entrada em vigor, para disciplinarem as relações jurídicas ou o processo de sua efetivação, por conterem todos os elementos imprescindíveis para que haja a possibilidade da produção imediata dos efeitos previstos, já que apesar, de suscetíveis à emenda, nao requerem normação subconstitucional subseqüente. Podem ser imediatamente aplicadas.

Normas com Eficácia Relativa Restringível: estas correspondem às de eficácia contida de JAS, mas prefere-se a esta determinação uma vez que, tem sua aplicabilidade imediata ou plena, embora sua eficácia possa ser reduzida, restringida nos casos e na forma que a lei estabelecer; tem portanto, seu alcance reduzido pela atividade legislativa.

Finalmente, as Normas com Eficácia Relativa Dependente de Complementação Legislativa: estas normas tem aplicação mediata, por dependerem de norma posterior que lhes desenvolva a eficácia, ou seja, enquanto nao for promulgada aquela lei complementar ou ordinária, a norma constitucional nao produzirá efeitos positivos.

Estas normas nao receberam do constituinte normatividade suficiente para aplicação imediata, porque ele deixou ao legislativo a tarefa de regulamentar a matéria. Logo, por esta razão, nao poderão produzir todos os efeitos de imediato, porem tem aplicabilidade mediata, já que incidirão totalmente sobre os interesses tutelados, apos o regramento infraconstitucional.

Normas Constitucionais de Eficácia Limitada: estas podem ser classificadas em Normas Programáticas ou Normas Institutivas.
1) Normas Programáticas: De todas as normas constitucionais, a programática é aquela cuja fragilidade mais suscita duvidas quanto à sua eficácia e juridicidade, servindo assim de pretexto cômodo para sua inobservância.

A critica que acomete a juridicidade das normas programáticas se concentra em 3 pontos extremamente vulneráveis:

o fato delas terem por conteúdo princípios implícitos do ordenamento jurídico;

a circunstancia de enunciarem programas políticos nao vinculantes e,;

estamparem formula genérica, vaga e abstrata, que parecem escapar a toda aplicação positiva.

Dentre as características da normas programática stricto sensu está o de nao ter ela “imediata aplicação”.

Para Crisafulli, as normas constitucionais programáticas nao regulam diretamente as matérias a que se referem , mas regulam propriamente a atividade estatal concernente a ditas matérias: tem por objeto imediato os comportamentos estatais e só mediatamente e por assim dizer, em segundo grau, aquelas determinadas matérias.

Para o autor Jorge Miranda “as normas programáticas são de aplicação diferida, e nao de aplicação ou execução imediata; mais do que comandos-regras, explicitam comandos-valores; conferem elasticidade ao ordenamento constitucional; tem como destinatário primacial o legislativo (cuja opção fica a ponderação de tempo e dos meios em que vem a ser revestidas de plena eficácia); também nao consentem que os cidadãos as invoquem; aparecem, muitas vezes, acompanhadas de conceitos indeterminados ou parcialmente indeterminados”.

Alexandre de Morais diz que, o juízo de oportunidade e avaliação da extensão do programa cabe ao Poder Legislativo, no exercício de sua função legiferante.

Quanto ao destinatário, seriam programáticas as normas dirigidas ao legislador e preceptivas ou nao programáticas, aquelas endereçadas aos cidadãos e ao juiz.

Quanto ao objeto da norma, as programáticas são aquelas que tem eficácia sobre comportamentos estatais e preceptivas, aquelas que recaem sobre relações privadas.

Quanto à natureza da norma, as programáticas se caracterizam pelo seu alto teor de abstração e imperfeição (normas incompletas que demandam operações integrativas), e as preceptivas por serem normas concretas e completas, suscetíveis de imediata aplicação e dotadas de incontrastável juridicidade.

2) Normas Institutivas: estas são aquelas através das quais, o legislador constituinte traça esquemas gerais de estruturação e atribuições de órgãos, entidades ou institutos, para que o legislador ordinário os estruture em definitivo mediante lei.

Exemplos: art. 5o., XXXII, art. 7o., XXI, art. 18, p. 3o., CF.	

II – RECEPÇAO NO DIREITO CONSTITUCIONAL

Sempre que elaborada uma nova Constituição, surge a questão do aproveitamento do ordenamento jurídico infraconstitucional vigente sob o anterior.

A legislação infraconstitucional que nao estiver em desacordo com a nova ordem constitucional é por ela recepcionada, admitida como valida.

O que estiver em desacordo com a nova ordem constitucional é por ela revogado e, portanto, nao recepcionado.

III – REPRISTINAÇAO NO DIREITO CONSTITUCIONAL

Ocorre o fenômeno da repristinação quando uma lei volta vigorar, pois revogada aquela a revogara.

A LICC no seu art. 2o., p. 3o., veda expressamente a repristinacao: “salvo disposição em contrario, a lei revogada nao se restaura por ter a lei revogadora perdido vigência”.

Também nao se admite a repristinação no Direito Constitucional, salvo se houver expressa previsão no texto da nova Constituição.

A legislação infraconstitucional revogada pela vigência de uma Constituição nao se restaura pelo surgimento de uma nova Lei Maior.