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O petróleo é nosso
Esse petróleo voltará a ser nosso! 
Uma lama preta e oleosa era usada como combustível para iluminar as residências da localidade de Lobato, na Bahia, observou o engenheiro agrônomo Manoel Inácio Bastos que imediatamente procurou apoio para aprofundar suas pesquisas. Em 1939, seis anos depois, surgem os investimentos na Bacia do Recôncavo. Apenas dois anos depois é descoberto o primeiro depósito realmente comercializável: o Campo de Candeias. Desde então...
Dr. Rui Nogueira*
\u201cÉ um crime lesa-pátria, um atentado e uma ameaça à existência nacional, diante dos exemplos desastrosos dos outros países, entregar aos trustes estrangeiros (transnacionais) a exploração e o aproveitamento da riqueza petrolífera do Brasil.\u201d
Senador José Pessoa, 12/11/1948 
Esse foi um dos discursos cunhados durante a mais extraordinária campanha popular que já houve no Brasil: O petróleo é nosso. Nela, trabalhadores, estudantes, professores, técnicos e cientistas, militares da ativa e da reserva, profissionais liberais, escritores, artistas etc., entidades como Clube Militar, UNE, Clube de Engenharia, faculdades, etc., todos os brasileiros se envolveram numa vigorosa campanha defendendo o petróleo como monopólio estatal como a única maneira de não se esvair essa e outras riquezas nacionais para fora do país deixando aos brasileiros o vazio e a miséria. 
E os patriotas acrescentaram aos seus brados, nas reuniões, nos debates, manifestações, passeatas: O petróleo é nosso! 
Depois dos trustes insistirem que não havia petróleo no Brasil, os trabalhos no poço de Lobato, na Bahia, mesmo sabotados, revelaram a existência do petróleo em solo brasileiro. Então, as grandes corporações estrangeiras se voltaram para a política de concessões destinada a explorar o nosso subsolo. Diziam que o brasileiro não tinha capacidade para a empreitada do petróleo, mas todas as expectativas foram superadas, chegando a desenvolver tecnologias inéditas, a receber o reconhecimento internacional pelo seu desempenho \u2014 entre eles, produção de petróleo em grande profundidade. 
No Congresso Nacional se tornou muito pertinente a frase de Arthur Bernardes, ex-presidente e, na época, deputado: \u201cJá tive o ensejo de dizer desta tribuna que uma das tarefas mais árduas para o político no Brasil é defender as riquezas naturais do país. Estrangeiros se mancomunaram contra elas e conseguem, não raro, aliciar nacionais para trair sua pátria.\u201d 
Do Clube Militar saíram passeatas com o próprio Arthur Bernardes (que não era afeito a comícios) e avolumou-se nas ruas. Os mais autênticos líderes operários, que desde suas campanhas econômicas mobilizavam os trabalhadores e elevavam o conteúdo político das suas reivindicações legítimas, das mais justas razões nacionais e morais, transformaram a divisa do Petróleo é nosso numa palavra-de-ordem e no clamor nacional que se alastrou por todo o território brasileiro. O povo inteiro havia se mobilizado. 
Em 3 de outubro de 1953 foi sancionada por Getúlio Vargas a lei do monopólio estatal do petróleo, criando a Petrobrás (Petróleo Brasileiro S/A). 
Não tardou em ser apresentada uma lei no Senado visando revogar a lei da Petrobrás \u2014 de autoria do então senador Assis Chateubriand. Foi derrotada pelos patriotas. 
Agora, quase cinquenta anos depois, sub-repticiamente, atendendo aos interesses dos trustes, quebraram o monopólio da Petrobrás. Desrespeitaram a vontade do povo, a tenacidade, a competência e tudo que os brasileiros construíram em desenvolvimento de tecnologias, de estruturação industrial e em empreendimentos avançados. 
Porque é decisiva a atuação da Petrobrás estatizada: 
\u2022 A Petrobrás em menos de 50 anos investiu 100 bilhões de dólares somente em atividades petrolíferas no Brasil. Compare: 6.311 empresas estrangeiras (corporações transnacionais e suas prepostas), no século XX, investiram juntas 90 bilhões de dólares em todas as atividades. 
Esta é a diferença da empresa que tem alma brasileira e é estatal para servir à população. 
\u2022 A Petrobrás nunca enviou lucro para fora; reinvestiu tudo no Brasil. As estrangeiras remetem tudo para o exterior: em 1994 U$ 500 milhões; em 2000 as remessas subiram para U$ 20 bilhões. 
\u2022 A produção de GLP (gás de cozinha) permitiu uma enorme preservação de nossas matas e diversificação de matérias-primas, substituindo o uso da lenha no preparo dos alimentos. 
\u2022 Desenvolveu tecnologia própria para unidade de lubrificantes básicos de petróleo, possibilitando ao petróleo nacional um rendimento melhor. 
\u2022 Na área de refino, com o Cenpes (Centro de Pesquisa da Petrobrás) construiu os parques de lubrificante que permitiu a independência do Brasil nessa área \u2014 desapareceu a necessidade de importá-los. 
\u2022 Desenvolveu avançado esquema administrativo. O funcionário da Petrobrás entrava por concurso público e incorporava a existência da empresa em sua vida, porém em condições dignas. 
\u2022 Aumentou a capacidade de refino de 2 mil para 7,8 milhões de barris/dia. 
\u2022 Entre 1980 e 1990 os navios passaram a ser construídos no Brasil, atingindo uma frota de mais de 6 milhões de toneladas. 
\u2022 A Petroquisa (Petrobrás Química S/A), além de evitar importações e remessas de lucros de empresas estrangeiras, gerou muitos empregos. 
\u2022 Desenvolveu muitas tecnologias com as nossas universidades. 
\u2022 Em 1973, a participação nacional na produção de fertilizantes era de apenas 13%; 12 anos depois, (1985), apenas 15% do total empregado na agricultura vinha do exterior. 
\u2022 Quem compra, pode vender \u2014 tem o parceiro. A Interbrás (Comércio Internacional S/A), subsidiária da Petrobrás, na contra-mão do processo controlado pelas corporações estrangeiras do petróleo, vendeu automóveis, açúcar, eletrodomésticos, soja, equipamentos, carnes e obras de engenharia. 
\u2022 A Petrobrás recolhe U$ 6,5 bilhões em impostos por ano, enquanto todo o sistema financeiro apenas 3 bilhões. 
O alerta nacional 
Todos estes benefícios para o povo brasileiro estão sendo destruídos em benefício do cartel internacional. 
1 Estão mudando a legislação para permitir aos estrangeiros a exploração do subsolo e das reservas naturais de uma maneira geral, particularmente da água, minérios, petróleo. 
2 Buscam desnacionalizar uma Petrobrás voltada para os interesses do Brasil, empresa que contraiu importante compromisso social com a nação e o povo brasileiro. 
3 Criam a imagem de que a Petrobrás deve ser uma empresa com objetivos financeiros, exclusivamente voltada para os lucros. Impedem a sua ação precípua para o desenvolvimento nacional. 
4 Tiram a alma brasileira da Petrobrás e a transformam em \u201cunidades de negócios\u201d. Isso implica em que os acionistas minoritários estrangeiros passam a exigir que a Petrobrás distribua seus lucros ao invés de reinvesti-los no Brasil. 
5 Terceirizam os funcionários, alijando o melhor sistema empregatício do mundo, o do concurso público, em que o empregado insere toda a sua vida no da existência da empresa \u2014 é um absurdo a locação feita por intermédio de gigolôs de mão-de-obra, exploradores. 
6 É um crime entregar à sanha do truste internacional áreas em que a Petrobrás investiu muito e descobriu petróleo. 
Está provada a competência da Petrobrás. Do poço ao posto deve haver a bandeira nacional. 
Por todos os meios, diga não às limitações das áreas petrolíferas que por conquista do povo brasileiro, direito, investimento, são da Petrobrás. 
Como admitir que a Petrobrás invista, bilhões, e não possa trazer os usufrutos disto para o povo brasileiro? 
O petróleo é nosso! Do poço ao posto! 
Assim, os empregos estarão garantidos para os brasileiros! 
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*Rui Nogueira é médico e escritor. Autor de Servos da moeda, Nação do sol, Amazônia, império das águas e Petrobrás, orgulho de ser brasileira. 
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http://www.anovademocracia.com.br/13/09.htm