Atualização Empresarial Esq-1p2ed
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Atualização Empresarial Esq-1p2ed

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Direito Empresarial Esquematizado 
André Luiz Santa Cruz Ramos 

1.ª para 2.ª edição 

 

 

P. 29 – Substituir o item 2.1.1 a 2.1.1.5 seguintes pela redação abaixo:  
 
 
2.1.1. A Empresa Individual de Responsabilidade Limitada (EIRELI) 
 

Atendendo  aos  reclamos  antigos  da  doutrina  comercialista  e  do  meio 
empresarial, o  legislador brasileiro finalmente criou a figura da empresa  individual de 
responsabilidade  limitada,  por  meio  da  Lei  12.441/2011,  que  alterou  alguns 
dispositivos do CC e acrescentou outros. 

  Infelizmente, a lei foi mal redigida. Como já vínhamos defendendo desde 2007, 
ano  da  1.ª  edição  do  nosso  Curso  de  Direito  Empresarial,  o  legislador  deveria  ter 
optado  por  duas  figuras  jurídicas:  (i)  empresário  individual  de  responsabilidade 
limitada ou (ii) sociedade limitada unipessoal. 

  No primeiro caso, o empresário  individual, pessoa  física, ao  iniciar o exercício 
de uma atividade empresarial, constituiria para tanto um patrimônio de afetação, que 
não  se  confundiria  com  seu  patrimônio  pessoal,  e  o  registraria  na  Junta  Comercial. 
Assim, as dívidas que contraísse em função do exercício de sua atividade empresarial, 
em princípio, não poderiam ser executadas no seu patrimônio pessoal. 

  No segundo caso, seria suprimida a exigência de pluralidade de sócios para a 
constituição de  sociedade  limitada, o que permitiria que uma pessoa,  sozinha,  fosse 
titular  de  100%  das  quotas  do  seu  capital  social. Assim,  o  patrimônio  social  não  se 
confundiria com o patrimônio pessoal do sócio, o qual não poderia, em princípio, ser 
executado para garantia de dívidas sociais. 

  Em ambos os casos, o objetivo seria o mesmo: permitir que um determinado 
empreendedor,  individualmente,  exercesse  atividade  empresarial  limitando  sua 
responsabilidade, em princípio,  ao  capital  investido no empreendimento,  ficando os 
seus  bens  particulares  resguardados.  Isso  funcionaria  como  um  estímulo  ao 
empreendedorismo e acabaria com a prática, tão comum no Brasil, de constituição de 
sociedades  limitadas em que um dos  sócios  tem percentual  ínfimo do  capital  social 
(geralmente 1%) e nenhuma participação na gestão dos negócios sociais. 

  Vale frisar que em ambos os casos seria possível a execução dos bens pessoais 
do empreendedor que utilizasse qualquer uma dessas figuras  jurídicas. Para tanto, os 
credores usariam a regra do art. 50 do CC (desconsideração da personalidade jurídica), 
ou  seja,  em  caso  de  abuso  no  uso  desses  institutos,  caracterizado  pelo  desvio  de 

finalidade  ou  pela  confusão  patrimonial,  o  juiz  poderia  determinar  que  a  execução 
recaísse sobre os bens pessoais do empresário individual de responsabilidade limitada 
ou do sócio da sociedade limitada unipessoal. 

  O  legislador  brasileiro  acabou  criando  uma  nova  figura  jurídica,  a  qual  se 
assemelha a essas duas que mencionei acima, como veremos a seguir. Primeiramente, 
segue o texto da Lei 12.441/2011: 

 

LEI 12.441, DE 11 DE JULHO DE 2011. 
Altera a Lei nº 10.406, de 10 de  janeiro de 2002 (Código Civil), para permitir a 
constituição de empresa individual de responsabilidade limitada. 
 
A PRESIDENTA DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e 
eu sanciono a seguinte Lei: 
 
Art. 1.º Esta Lei acrescenta inciso VI ao art. 44, acrescenta art. 980‐A ao Livro II 
da  Parte  Especial  e  altera  o  parágrafo  único  do  art.  1.033,  todos  da  Lei  n.º 
10.406, de 10 de  janeiro de 2002 (Código Civil), de modo a  instituir a empresa 
individual de responsabilidade limitada, nas condições que especifica. 
Art. 2.º A Lei n.º 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil), passa a vigorar 
com as seguintes alterações: 
“Art. 44.  
(...) 
VI – as empresas individuais de responsabilidade limitada. 
(...) 
“LIVRO II 
(...) 
TÍTULO I‐A 
DA EMPRESA INDIVIDUAL DE RESPONSABILIDADE LIMITADA 
Art. 980‐A. A empresa  individual de responsabilidade  limitada será constituída 
por  uma  única  pessoa  titular  da  totalidade  do  capital  social,  devidamente 
integralizado, que não será  inferior a 100  (cem) vezes o maior salário mínimo 
vigente no País. 
§  1.º  O  nome  empresarial  deverá  ser  formado  pela  inclusão  da  expressão 
‘EIRELI’  após  a  firma  ou  a  denominação  social  da  empresa  individual  de 
responsabilidade limitada. 
§  2.º A  pessoa  natural  que  constituir  empresa  individual de  responsabilidade 
limitada somente poderá figurar em uma única empresa dessa modalidade. 
§  3.º  A  empresa  individual  de  responsabilidade  limitada  também  poderá 
resultar da concentração das quotas de outra modalidade societária num único 
sócio, independentemente das razões que motivaram tal concentração. 
§ 4.º (VETADO). 
§  5.º Poderá  ser atribuída à  empresa  individual de  responsabilidade  limitada 
constituída para a prestação de serviços de qualquer natureza a remuneração 
decorrente da cessão de direitos patrimoniais de autor ou de  imagem, nome, 

marca  ou  voz  de  que  seja  detentor  o  titular  da  pessoa  jurídica,  vinculados  à 
atividade profissional. 
§  6.º  Aplicam‐se  à  empresa  individual  de  responsabilidade  limitada,  no  que 
couber, as regras previstas para as sociedades limitadas. 
.........................................................................................................” 
“Art. 1.033. .............................................................................. 
Parágrafo  único.  Não  se  aplica  o  disposto  no  inciso  IV  caso  o  sócio 
remanescente,  inclusive  na  hipótese  de  concentração  de  todas  as  cotas  da 
sociedade  sob  sua  titularidade,  requeira,  no  Registro  Público  de  Empresas 
Mercantis,  a  transformação  do  registro  da  sociedade  para  empresário 
individual ou para empresa individual de responsabilidade limitada, observado, 
no que couber, o disposto nos arts. 1.113 a 1.115 deste Código.” (NR) 
Art. 3.º Esta Lei entra em vigor 180  (cento e oitenta) dias após a data de sua 
publicação. 
 

Sobre o tema, foram editados alguns Enunciados na V Jornada de Direito Civil 
do CJF: 

468) Art. 980‐A. A empresa  individual de  responsabilidade  limitada  só poderá 
ser constituída por pessoa natural.  

469)  Arts.  44  e  980‐A.  A  empresa  individual  de  responsabilidade  limitada 
(EIRELI) não é sociedade, mas novo ente jurídico personificado.  

470)  Art.  980‐A.  O  patrimônio  da  empresa  individual  de  responsabilidade 
limitada responderá pelas dívidas da pessoa jurídica, não se confundindo com o 
patrimônio  da  pessoa  natural  que  a  constitui,  sem  prejuízo  da  aplicação  do 
instituto da desconsideração da personalidade jurídica.  

471)  Os  atos  constitutivos  da  EIRELI  devem  ser  arquivados  no  registro 
competente,  para  fins  de  aquisição  de  personalidade  jurídica.  A  falta  de 
arquivamento  ou  de  registro  de  alterações  dos  atos  constitutivos  configura 
irregularidade superveniente.  

472)  Art.  980‐A.  É  inadequada  a  utilização  da  expressão  “social”  para  as 
empresas individuais de responsabilidade limitada.  

473) Art. 980‐A, § 5.º. A  imagem, o nome ou a voz não podem  ser utilizados 
para a integralização do capital da EIRELI.  

 

2.1.1.1. A nomenclatura 

  Como se vê, o legislador não optou por nenhuma das nomenclaturas sugeridas 
acima. Preferiu chamar o novel  instituto de “empresa  individual de  responsabilidade 
limitada”. 
  Nós,  autores  e  professores  de  direito  empresarial,  sempre  explicamos  aos 
nossos leitores e alunos a distinção entre empresa (atividade econômica organizada) e 

empresário  (pessoa  que  exerce  atividade  econômica  organizada).  Infelizmente,  o 
legislador não conhece tal distinção. 

  Obviamente,  o  mais  correto  seria  chamar  o  instituto  criado  de  “empresário 
individual de responsabilidade limitada”, porque empresa é a atividade desenvolvida. 

 

2.1.1.2. A exigência de capital mínimo 

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