Atualização Empresarial Esq-1p2ed
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Atualização Empresarial Esq-1p2ed

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polêmica sobre a EIRELI é a que exige capital mínimo (igual ou superior a 
100 vezes o valor do maior salário mínimo vigente no país) para a sua constituição. 

  Com efeito, no Brasil não existe nenhuma regra  legal que exija capital mínimo 
para a constituição de sociedades, razão pela qual é questionável a referida exigência 
para a constituição de EIRELI. 

  Vale ressaltar que a regra em comento  já foi questionada no STF por meio da 
ADIn 4.637. 

 

2.1.1.3. Pessoa física ou pessoa jurídica? 

 

  Outro  equívoco  do  legislador,  no  nosso  entender,  foi  criar  um  novo  tipo  de 
pessoa jurídica, acrescentando um inciso ao rol das pessoas jurídicas de direito privado 
constante do art. 44 do CC. Não havia necessidade. 

  Se  o  intuito  dele  era  criar  um  “empresário  individual  de  responsabilidade 
limitada”, não precisava  tê‐lo colocado no rol de pessoas  jurídicas de direito privado 
do  art.  44  do  CC.  O  empresário  individual  de  responsabilidade  limitada  pode 
perfeitamente ser uma pessoa física, e a  limitação de sua responsabilidade seria feita 
por meio  da  constituição  de  um  patrimônio  especial,  formado  pelos  bens  e  dívidas 
afetados ao exercício de sua atividade econômica (patrimônio de afetação). 

  Em  contrapartida,  se  o  intuito  do  legislador  era  criar  uma  pessoa  jurídica 
constituída por apenas uma pessoa, também era desnecessário acrescentar uma nova 
espécie de pessoa  jurídica no rol do art. 44 do CC. Nesse caso, era só permitir que a 
sociedade limitada pudesse ser constituída por apenas um sócio, o qual seria titular de 
todas as quotas. Ter‐se‐ia, então, uma “sociedade limitada unipessoal”. 

  Preferiu  o  legislador,  porém,  seguir  outro  caminho.  A  EIRELI  não  é  um 
empresário  individual nem uma  sociedade unipessoal:  trata‐se de uma nova espécie 
de pessoa jurídica de direito privado, que se junta às outras já existentes (sociedades, 
associações, fundações, partidos políticos e organizações religiosas). 

 

2.1.1.4. O nome empresarial 

  A  EIRELI  pode  usar  tanto  firma  quanto  denominação,  assunto  que 
abordaremos com mais detalhes em tópico subsequente deste capítulo. 

 

2.1.1.5. O veto ao § 4.º do art. 980‐A 

 

  Cumpre criticar também o veto da Presidenta da República ao § 4.º do art. 980‐
A,  que  tinha  a  seguinte  redação:  “§  4.º  Somente  o  patrimônio  social  da  empresa 
responderá pelas dívidas da empresa  individual de  responsabilidade  limitada, não  se 
confundindo em qualquer situação com o patrimônio da pessoa natural que a constitui, 
conforme descrito em sua declaração anual de bens entregue ao órgão competente”. 

Como  se  percebe,  tal  dispositivo  era  justamente  o  que  assegurava  a 
responsabilidade  limitada  daquele  que  constitui  uma  EIRELI,  destacando  a  sua 
autonomia patrimonial. Era esse dispositivo que permitia a afetação de determinados 
bens  e  dívidas  à  “empresa”,  separando  claramente  o  patrimônio  da  EIRELI  e  o 
patrimônio da pessoa natural que a constituiu. 

Das razões do veto, extrai‐se a seguinte justificativa: “Não obstante o mérito da 
proposta,  o  dispositivo  traz  a  expressão  ‘em  qualquer  situação’,  que  pode  gerar 
divergências  quanto  à  aplicação  das  hipóteses  gerais  de  desconsideração  da 
personalidade jurídica, previstas no art. 50 do Código Civil. Assim, e por força do § 6.º 
do projeto de lei, aplicar‐se‐á à EIRELI as regras da sociedade limitada, inclusive quanto 
à separação do patrimônio”. 

Vê‐se, pois, que mesmo com o veto deve ser mantido o entendimento de que o 
patrimônio  da  EIRELI  e  o  patrimônio  da  pessoal  natural  que  a  constitui  não  se 
confundem,  o  que  garante  a  possibilidade  de  limitação  de  responsabilidade,  pela 
aplicação do § 6.º do art. 980‐A do CC, o qual determina a aplicação à EIRELI das regras 
da  sociedade  limitada.  Tomara  que  os  julgadores,  com  base  nesse  parágrafo, 
entendam que a responsabilidade do empreendedor que constitui uma EIRELI deve ser 
limitada. 
 Confira‐se a respeito o Enunciado 470 da V Jornada de Direito Civil: “Art. 980‐A. 
O  patrimônio  da  empresa  individual  de  responsabilidade  limitada  responderá  pelas 
dívidas da pessoa  jurídica, não  se  confundindo  com o patrimônio da pessoa natural 
que  a  constitui,  sem  prejuízo  da  aplicação  do  instituto  da  desconsideração  da 
personalidade jurídica”. 
 

P. 160  – No terceiro parágrafo do item 2, inserir entre as pessoas jurídicas de direito 
privado a EIRELI (inciso VI do art. 44 do CC, incluído pela Lei nº 12.441/2011). 

 

P. 301 – Inserir o texto que segue no início do tópico 6.3.12: 

6.3.12. Livros sociais e demonstrações contábeis 

Já  vimos,  no  capítulo  II,  que,  de  acordo  com  o  art.  1.179  do  CC  todos  os 
empresários  e  sociedades  empresárias  são  obrigados  a  seguir  um  sistema  de 
contabilidade  baseado  na  escrituração  de  seus  livros  e  a  levantar  anualmente  os 
balanços patrimonial e de resultado econômico. Trata‐se do dever de escrituração do 
empresário. 

A sociedade anônima, além de  ter que escriturar os  livros obrigatórios comuns a 
quaisquer empresários,  tem ainda que escriturar  alguns  livros específicos,  conforme 
disposto  no  art.  100  da  LSA:  “Art.  100.  A  companhia  deve  ter,  além  dos  livros 
obrigatórios  para  qualquer  comerciante,  os  seguintes,  revestidos  das  mesmas 
formalidades  legais:  I  –  o  livro  de  Registro  de  Ações  Nominativas,  para  inscrição, 
anotação ou averbação: a) do nome do acionista e do número das suas ações; b) das 
entradas ou prestações de capital realizado; c) das conversões de ações, de uma em 
outra espécie ou classe; d) do resgate, reembolso e amortização das ações, ou de sua 
aquisição pela companhia; e) das mutações operadas pela alienação ou transferência 
de ações; f) do penhor, usufruto, fideicomisso, da alienação fiduciária em garantia ou 
de  qualquer  ônus  que  grave  as  ações  ou  obste  sua  negociação.  II  –  o  livro  de 
“Transferência de Ações Nominativas”, para lançamento dos termos de transferência, 
que  deverão  ser  assinados  pelo  cedente  e  pelo  cessionário  ou  seus  legítimos 
representantes;  III – o  livro de “Registro de Partes Beneficiárias Nominativas” e o de 
“Transferência  de  Partes  Beneficiárias  Nominativas”,  se  tiverem  sido  emitidas, 
observando‐se, em ambos, no que couber, o disposto nos números I e II deste artigo; 
IV – o livro de Atas das Assembleias‐Gerais; V – o livro de Presença dos Acionistas; VI – 
os livros de Atas das Reuniões do Conselho de Administração, se houver, e de Atas das 
Reuniões de Diretoria; VII – o livro de Atas e Pareceres do Conselho Fiscal”.  

Vale destacar que em 2011 uma  importante alteração  foi  feita na LSA sobre esse 
assunto, permitindo‐se que os  livros mencionados no art. 100 sejam escriturados de 
forma eletrônica: “§ 2.º Nas companhias abertas, os livros referidos nos incisos I a V do 
caput  deste  artigo  poderão  ser  substituídos,  observadas  as  normas  expedidas  pela 
Comissão de Valores Mobiliários, por  registros mecanizados ou eletrônicos.  (Redação 
dada pela Lei 12.431, de 2011)”. Merece crítica, porém, o  fato de o  legislador  ter se 
limitado  a  permitir  a  escrituração  eletrônica  somente  dos  livros  do  art.  100  e 
exclusivamente para as  companhias abertas. Atualmente,  com o avanço  tecnológico 
atingido, é descabido não permitir que toda a escrituração, de qualquer sociedade e de 
quaisquer livros, seja feita eletronicamente. 
 
 
 
P. 314 – Substituir a redação do item 7.5 pelo texto atualizado: 
 

Muitas  dessas  operações  societárias  podem  afetar  a  economia,  positiva  ou 
negativamente.  Isso  porque  dessas  operações  podem  advir  reflexos  relevantes  no 
mercado  concorrencial.  Diante  desse  fato,  merece  menção  a  atuação  de  uma 
autarquia federal especializada, que supostamente atua na defesa da economia e dos 
princípios que  informam