Atualização Empresarial Esq-1p2ed
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Atualização Empresarial Esq-1p2ed


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a ordem econômica, notadamente o da  livre  concorrência. 
Trata\u2010se  do  CADE  (Conselho  Administrativo  de  Defesa  Econômica),  criado  pela  Lei 
4.137/1962,  transformado em autarquia  federal pela Lei 8.884/1994 e  reestruturado 
pela Lei 12.529/2011 (nossa atual lei antitruste, já apelidada de Lei do Super CADE ou 
Lei do Novo CADE). 
De acordo com o art. 88 da referida  lei, \u201cserão submetidos ao CADE pelas partes 
envolvidas  na  operação  os  atos  de  concentração  econômica  em  que, 
cumulativamente: I  \u2013  pelo  menos  um  dos  grupos  envolvidos  na  operação  tenha 
registrado, no último balanço, faturamento bruto anual ou volume de negócios total no 
País,  no  ano  anterior  à  operação,  equivalente  ou  superior  a  R$  400.000.000,00 
(quatrocentos  milhões  de  reais);  e II  \u2013  pelo  menos  um  outro  grupo  envolvido  na 
operação tenha registrado, no último balanço, faturamento bruto anual ou volume de 
negócios  total  no  País,  no  ano  anterior  à  operação,  equivalente  ou  superior  a  R$ 
30.000.000,00 (trinta milhões de reais)\u201d. 
Dentre  tais  atos  mencionados  pelo  art.  88,  obviamente,  merecem  destaque  as 
operações societárias. Nesse sentido, estabelece o art. 90 que \u201cpara os efeitos do art. 88 
desta  Lei,  realiza\u2010se um ato de  concentração quando: I \u2013 2  (duas) ou mais empresas 
anteriormente  independentes  se  fundem; II  \u2013  1  (uma)  ou  mais  empresas  adquirem, 
direta ou  indiretamente, por compra ou permuta de ações, quotas,  títulos ou valores 
mobiliários  conversíveis  em  ações,  ou  ativos,  tangíveis  ou  intangíveis,  por  via 
contratual  ou  por  qualquer  outro  meio  ou  forma,  o  controle  ou  partes  de  uma  ou 
outras  empresas; III  \u2013  1  (uma)  ou  mais  empresas  incorporam  outra  ou  outras 
empresas; ou IV \u2013 2 (duas) ou mais empresas celebram contrato associativo, consórcio 
ou joint venture\u201d. 
Sendo  assim,  qualquer  operação  societária  que  tenha,  cumulativamente,  (i) 
participação  de  agente  econômico  com  faturamento  bruto  anual  ou  volume  de 
negócios no Brasil igual ou superior a R$ 400 milhões (quatrocentos milhões de reais) e 
(ii) participação de outro agente econômico com faturamento bruto anual ou volume 
de negócios no Brasil  igual ou  superior  a R$ 30.000.000,00  (trinta milhões de  reais) 
deverá ser apresentada para análise do CADE. A  lei antitruste atual optou por prever 
um  único  critério  (faturamento  bruto  anual/volume  de  negócios)  para  exigência  de 
notificação dos atos de concentração, ao contrário da lei anterior (Lei 8.884/1994), que 
também  previa  o  critério  alternativo  da  participação  de  mercado  (operações 
envolvendo agentes econômicos com pelo menos 20% do mercado relevante também 
deveriam ser notificadas). 
Outra novidade trazida pela atual  lei antitruste que merece destaque é a análise 
prévia  das  operações  (atos  de  concentração  econômica)  submetidas  ao  CADE,  ao 
contrário do que ocorria na lei anterior (Lei 8.884/1994), que previa a possibilidade de 
os  agentes  econômicos  apresentarem  a  operação  até  15  dias  úteis  após  a  sua 
realização. 
Obviamente, pela visão liberal adotada na presente obra, não se deve esperar que 
aqui  se  encontrem  elogios  à  Lei  12.529/2011  e  ao  órgão  que  ela  disciplina.  Numa 
economia de  livre mercado genuíno, é absolutamente desnecessária a existência de 
um órgão antitruste,  razão pela qual o CADE deveria  ser extinto, e não  reformulado 
por  uma  lei  que  lhe  deu  ainda mais  poder  para  perseguir  empresas  e  \u201cplanejar\u201d  a 
economia. 
O  argumento  de  que  todos  os  países  capitalistas  do  mundo,  inclusive  os  EUA, 
também  possuem  leis  e  autoridades  antitruste  não  é  suficiente  para  legitimar  a 
existência  do  CADE.  Isso  só mostra  que  o mundo  todo  vive  uma  escalada  estatista 
contrária ao livre mercado, o que é um fato a se lamentar. 
A origem das leis e dos órgãos antitruste e a razão que os levou a se desenvolver 
ao  longo  da  história  são  conhecidas:  a  tentativa  (bem\u2010sucedida)  de  empresários 
incompetentes  de  usarem  o  Estado  para  atacar  empresários  competentes,  que 
conquistam  poder  de  mercado  a  partir  da  eficiência  (produtos/serviços  que  são 
escolhidos voluntariamente pelos consumidores). 
O  controle  antitruste  tem  inúmeros  problemas,  os  quais  são  mais  do  que 
suficientes  para  justificar  a  revogação  imediata  da  Lei  12.529/2011  e  a  abolição 
urgente  do  CADE.  Podemos  destacar  alguns  desses  problemas:  (i)  desrespeito  à 
propriedade  privada  e  à  liberdade  contratual;  (ii)  fundamentação  em  uma  teoria 
econômica  absolutamente  equivocada,  que  considera  o  mercado  uma  realidade 
estática que pode ser prevista e manipulada por burocratas; (iii) utilização de conceitos 
também  equivocados,  como  concorrência  perfeita  e  monopólio  natural,  os  quais 
ignoram  a  criatividade  empresarial;  e  (iv)  possibilidade  de  ser  usado  politicamente 
para perseguir e coagir empresários. 
O  único  agente  que  pode  realmente  prejudicar  a  concorrência,  criando  cartéis, 
monopólios, duopólios, oligopólios etc. e impedindo a verdadeira livre concorrência é 
o Estado, com seu excesso de regulamentação que cria barreiras legais intransponíveis 
à entrada de novos competidores nos mais variados setores da economia.  
  
 
P. 657 em diante \u2013 substituir os tópicos abaixo transcritos: 
VIII 
MICROEMPRESA E EMPRESA  
DE PEQUENO PORTE 
Para os efeitos da  LC 123/2006,  \u201cconsideram\u2010se microempresas ou empresas 
de pequeno porte a sociedade empresária, a sociedade simples, a empresa  individual 
de  responsabilidade  limitada  e  o  empresário  a  que  se  refere  o  art.  966  da  Lei  n.o 
10.406, de 10 de  janeiro de 2002 (Código Civil), devidamente registrados no Registro 
de  Empresas Mercantis  ou  no  Registro  Civil  de  Pessoas  Jurídicas,  conforme  o  caso, 
desde que:  
I  \u2013  no  caso  da  microempresa,  aufira,  em  cada  ano\u2010calendário,  receita  bruta 
igual ou inferior a R$ 360.000,00 (trezentos e sessenta mil reais); e  
II  \u2013  no  caso  da  empresa  de  pequeno  porte,  aufira,  em  cada  ano\u2010calendário, 
receita  bruta  superior  a  R$  360.000,00  (trezentos  e  sessenta  mil  reais)  e  igual  ou 
inferior a R$ 3.600.000,00 (três milhões e seiscentos mil reais)\u201d (art. 3.º com a redação 
dada pela LC 139/2011). 
No  regime  da  lei  anterior,  os  valores  eram  revisados  em  decorrência  de 
atualização procedida  pelo  Poder  Executivo  Federal  por meio  de  decreto,  a  qual  se 
baseava na variação acumulada do IGP\u2010DI ou em outro índice que viesse a substituí\u2010lo. 
No regime atual, a apreciação quanto à necessidade de revisão cabe ao Comitê Gestor 
de que trata o art. 2.º da LC 123/2006, conforme dispõe o art. 1.º, § 1.º, da mesma lei. 
Perceba\u2010se que a lei anterior mencionava \u201ca pessoa jurídica e a firma mercantil 
individual\u201d,  expressões  que,  atualmente,  após  a  entrada  em  vigor  do  CC  de  2002, 
deviam  ser entendidas como  sociedade empresária e empresário  individual. A nova 
lei corrigiu a  redação, atualizando\u2010a em  relação às expressões utilizadas pelo Código 
Civil, mencionando expressamente o empresário  individual, a sociedade simples e a 
sociedade empresária. 
A lei ainda dispõe que \u201cno caso de início de atividade no próprio ano\u2010calendário, 
o limite a que se refere o caput deste artigo será proporcional ao número de meses em 
que  a  microempresa  ou  a  empresa  de  pequeno  porte  houver  exercido  atividade, 
inclusive as frações de meses\u201d (art. 3.º, § 2.º), e que \u201co enquadramento do empresário 
ou da sociedade simples ou empresária como microempresa ou empresa de pequeno 
porte  bem  como  o  seu  desenquadramento  não  implicarão  alteração,  denúncia  ou 
qualquer restrição em relação a contratos por elas anteriormente firmados\u201d (art. 2.º, § 
3.º). Nesse ponto, a nova legislação praticamente apenas repetiu os dispositivos