Atualização Empresarial Esq-1p2ed
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da lei 
anterior. 
Destaque\u2010se  ainda  que  o  cálculo  da  receita  bruta  anual,  para  efeito  de 
enquadramento, é obtido com \u201co produto da venda de bens e serviços nas operações 
de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta 
alheia, não  incluídas as vendas canceladas e os descontos  incondicionais concedidos\u201d 
(art. 3.º, § 1.º). Também nesse sentido dispunha a legislação antecedente. 
Por  fim,  ressalte\u2010se  que  a  própria  LC  123/2006,  no  seu  art.  3.º,  §  4.º,  com 
redação  alterada  pela  LC  128/2008,  determina  que  não  poderá  se  beneficiar  do 
tratamento  jurídico diferenciado previsto nesta Lei Complementar,  incluído o  regime 
de que  trata o art. 12 desta  Lei Complementar, para nenhum efeito  legal, a pessoa 
jurídica: \u201cI \u2013 de cujo capital participe outra pessoa jurídica; II \u2013 que seja filial, sucursal, 
agência ou  representação, no País, de pessoa  jurídica com  sede no exterior;  III \u2013 de 
cujo capital participe pessoa física que seja inscrita como empresário ou seja sócia de 
outra  empresa  que  receba  tratamento  jurídico  diferenciado  nos  termos  desta  Lei 
Complementar,  desde que  a  receita  bruta  global  ultrapasse  o  limite  de  que  trata  o 
inciso II do caput deste artigo; IV \u2013 cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez 
por cento) do capital de outra empresa não beneficiada por esta Lei Complementar, 
desde que a receita bruta global ultrapasse o  limite de que trata o  inciso  II do caput 
deste  artigo;  V  \u2013  cujo  sócio  ou  titular  seja  administrador  ou  equiparado  de  outra 
pessoa jurídica com fins lucrativos, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite 
de  que  trata  o  inciso  II  do  caput  deste  artigo;  VI  \u2013  constituída  sob  a  forma  de 
cooperativas,  salvo  as  de  consumo;  VII  \u2013  que  participe  do  capital  de  outra  pessoa 
jurídica;  VIII  \u2013  que  exerça  atividade  de  banco  comercial,  de  investimentos  e  de 
desenvolvimento,  de  caixa  econômica,  de  sociedade  de  crédito,  financiamento  e 
investimento  ou  de  crédito  imobiliário,  de  corretora  ou  de  distribuidora  de  títulos, 
valores  mobiliários  e  câmbio,  de  empresa  de  arrendamento  mercantil,  de  seguros 
privados  e  de  capitalização  ou  de  previdência  complementar;  IX  \u2013  resultante  ou 
remanescente  de  cisão  ou  qualquer  outra  forma  de  desmembramento  de  pessoa 
jurídica  que  tenha  ocorrido  em  um  dos  5  (cinco)  anos\u2010calendário  anteriores;  X  \u2013 
constituída sob a forma de sociedade por ações\u201d.  
Mais uma vez praticamente repetindo o que dispunha a  legislação passada, a 
atual  Lei  Geral  das  MEs  e  EPPs  restringe  o  seu  campo  de  atuação,  sempre  com  o 
intuito de realmente só beneficiar os pequenos empreendimentos. 
Veja\u2010se que, de fato, os  incisos acima transcritos descrevem situações em que 
se pressupõe um  empreendimento mais organizado  e, portanto, não merecedor do 
tratamento privilegiado que a lei confere. Tanto que a própria também prevê que caso 
um  certo empreendimento qualificado  como ME ou EPP venha a  incorrer numa das 
mencionadas  situações,  a  empresa  será  automaticamente  excluída  do  regime 
diferenciado  da  lei.  É  o  que  estabelece  claramente  o  §  6.º  do  dispositivo  ora  em 
comento: \u201cNa hipótese de a microempresa ou empresa de pequeno porte incorrer em 
alguma  das  situações  previstas  nos  incisos  do  §  4.º,  será  excluída  do  tratamento 
jurídico diferenciado previsto nesta Lei Complementar, bem como do  regime de que 
trata  o  art.  12,  com  efeitos  a  partir  do  mês  seguinte  ao  que  incorrida  a  situação 
impeditiva\u201d. 
Até então, pois, vê\u2010se que o novo estatuto praticamente apenas repetiu, frise\u2010
se, os dispositivos do estatuto anterior, com uma ou outra mudança de redação, mas 
sem quase nenhuma alteração relevante. 
O ponto mais relevante a ser destacado, em relação ao regramento anterior, é 
o  relativo  à  criação  de  um  Comitê  Gestor  do  SIMPLES  NACIONAL,  vinculado  ao 
Ministério da Fazenda, composto por quatro representantes da Secretaria da Receita 
Federal  do  Brasil,  como  representantes  da  União,  dois  dos  Estados  e  do  Distrito 
Federal  e  dois  dos  municípios,  para  tratar  dos  aspectos  tributários,  de  um  Fórum 
Permanente das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte, com a participação dos 
órgãos  federais  competentes  e  das  entidades  vinculadas  ao  setor,  para  tratar  dos 
demais aspectos, \u201cressalvado o disposto no  inciso  III do caput deste artigo\u201d e de um 
Comitê para Gestão da Rede Nacional para a Simplificação do Registro e da Legalização 
de  Empresas  e  Negócios,  vinculado  ao  Ministério  do  Desenvolvimento,  Indústria  e 
Comércio Exterior, composto por representantes da União, dos Estados e do Distrito 
Federal, dos Municípios e demais órgãos de apoio e de registro empresarial, na forma 
definida pelo Poder Executivo, para tratar do processo de registro e de legalização de 
empresários e de pessoas jurídicas. 
Cabe  a  essas  três  instâncias  acima  mencionadas  gerenciar  as  políticas  de 
tratamento diferenciado e  favorecido dispensadas às MEs e EPPs, atuando o Comitê 
Gestor  no  âmbito  das  políticas  tributárias  e  o  Fórum  Permanente  no  âmbito  das 
demais  políticas,  tais  como  a  facilitação  do  acesso  ao  crédito,  simplificação  das 
legislações trabalhistas e previdenciária etc., tudo conforme os ditames traçados pela 
Constituição Federal em seu art. 179, já referido. 
 
(...) 
3.2. Do pequeno empresário 
Além das  figuras dos microempresários e dos empresários de pequeno porte, 
expressões há muito conhecidas no ordenamento jurídico brasileiro, o Código Civil de 
2002 acrescentou outra: a do pequeno empresário, prevista no seu art. 970. 
No  capítulo  II, destacamos que a doutrina majoritária  vinha entendendo que 
essa  expressão  pequeno  empresário  abrangia  tanto  os microempresários  quanto  os 
empresários  de  pequeno  porte,  interpretação  essa,  inclusive,  consolidada  no 
Enunciado 235 do CJF. No entanto, a Lei Geral esclareceu a polêmica, estabelecendo 
em  seu  art. 68 que, na  verdade,  \u201cConsidera\u2010se pequeno empresário, para efeito de 
aplicação do disposto nos arts. 970 e 1.179 da Lei n.º 10.406, de 10 de janeiro de 2002 
(Código  Civil),  o  empresário  individual  caracterizado  como  microempresa  na  forma 
desta Lei Complementar que aufira receita bruta anual até o limite previsto no § 1.º do 
art. 18\u2010A\u201d.  
O  pequeno  empresário,  portanto,  é  exclusivamente  o  empresário  individual 
que,  caracterizado  como  ME,  aufira  renda  bruta  anual  ínfima,  não  excedente  a  R$ 
36.000,00. Trata\u2010se, enfim, de uma subespécie de microempresa, mas que não pode 
jamais tomar a forma de sociedade empresária, já que a lei deixa clara a exigência de 
que se trate de um empresário individual. 
Esse pequeno empresário, além de  se beneficiar de  todas as  regras especiais 
previstas na Lei Geral para as MEs e EPPs, receberá ainda, em algumas situações, um 
tratamento ainda mais especial. Basta citar, por exemplo, a regra do art. 1.179, § 2.º, 
do CC, a qual, conforme já vimos, o isenta de qualquer obrigação escritural. 
No  mesmo  sentido,  a  Lei  Complementar  128/2008  criou  a  figura  do 
microempreendedor  individual  (MEI),  em  seu  art.  18\u2010A:  \u201co  Microempreendedor 
Individual  \u2013  MEI  poderá  optar  pelo  recolhimento  dos  impostos  e  contribuições 
abrangidos  pelo  Simples Nacional  em  valores  fixos mensais,  independentemente da 
receita  bruta  por  ele  auferida  no  mês,  na  forma  prevista  neste  artigo\u201d.  Assim,  de 
acordo  com  o  §  1.º  deste  artigo,  \u201cpara  os  efeitos  desta  Lei,  considera\u2010se  MEI  o 
empresário individual a que se refere o art. 966 da Lei n.º 10.406, de 10 de janeiro de 
2002 \u2013 Código Civil, que tenha auferido receita bruta, no ano\u2010calendário anterior, de 
até  R$  36.000,00  (trinta  e  seis mil  reais),  optante  pelo