Exercícios - TC - Unidades 1 e 2
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Exercícios - TC - Unidades 1 e 2

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das normas jurídicas não pode se reduzir a uma justificação
moral, tendo em vista o caráter dialogal que o direito possui com outras instâncias além da
moral, como a pragmática e a ética. Se se restringisse ao caráter moral, as normas jurídicas
perderiam sua autonomia e correm o risco de virarem normas morais que possam não ser
consideradas válidas, dependendo do contexto em que insiram, tendo em vista a
complexidade de grupos e demandas existentes da sociedade.

[resposta Edison]

Direito e moralidade modernos se diferenciam no sentido de que os direitos subjetivos com
os quais se constroem ordens jurídicas modernas têm o sentido de desobrigar os sujeitos de
direito em relação a mandamentos morais, assim, o Direito moderno faz valer o princípio
segundo o qual “tudo o que não está proibido está permitido”. Enquanto na Moral há uma
simetria entre direitos e deveres, no Direito as obrigações resultam somente da restrição de
liberdades subjetivas. Ademais, a abrangência de possibilidades do universo moral é
praticamente ilimitada.

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Por outro lado, Direito e Moral também se complementam. As questões jurídicas
tangenciam não apenas questões morais, mas também éticas e pragmáticas. A pretensão de
legitimidade das normas jurídicas apóia-se sobre vários tipos de razões, e depende de uma
rede ramificada de discursos e negociações, e não somente de discursos morais. Assim, a
Moral é um dos meios de legitimação do Direito.

Portanto não se pode reduzir a questão da legitimidade do Direito a uma justificação apenas
moral das normas jurídicas, uma vez que, como dito, a pretensão de legitimidade das
normas jurídicas apóia-se sobre vários tipos de razões, e depende de uma rede ramificada
de discursos e negociações, e não somente de discursos morais.

Daniel diz> Moral lida com dimensão de foro íntimo ( interna do motivo, externa da ação).
Já o direito lida com a dimensão externa.
O direito se concentra em conteúdos organizacionais, como os conteúdos pragmáticos e
também alguns conteúdos éticos.
O direito reduz o indeterminismo da moral, complementando suas ações. A ação moral só
existe se for uma ação autônoma.
A moral lida somente com a autonomia moral. Já no direito a ação se divide em autonomia
privada e autonomia pública, sendo elas co-primordiais e co-originais ( uma só existe se a
outra existir).

7 – Disserte sobre os conceitos de “paradigma científico” (Thomas Kuhn) e de
“paradigma jurídico” (Jürgen Habermas). Qual a importância desses conceitos para a
Teoria Geral do Direito Público e para a Teoria da Constituição?

[resposta Day]

Para Thomas Kuhn, paradigma científico é o conjunto de pressupostos da prática científica
utilizados em determinado contexto histórico pelos operadores para fazer as definições
relacionadas à ciência em estudo. Para ele, o paradigma científico é mutável, se altera
quando das mudanças no contexto histórico, das mudanças nos pontos de vista, não
deixando de constituir-se verdades, mas apenas verdades diferentes, adequadas à época. A
verdade, portanto, não é objetiva, pois depende dos pressupostos determinantes no
momento histórico em estudo que condicionam a prática jurídica daquele momento
respectivo.

Habermas define o que seria paradigma jurídico, qual seja visão compartilhada pela
sociedade do conjunto de pressupostos sobre o próprio direito, uma visão interna às práticas
sociais que orientam a sociedade a fim de que o direito seja produzido para cumprir a tarefa
de integração social. É ele que determina qual o papel que o direito deve desempenhar para
regular, operar e lançar expectativas sobre o próprio direito.

Esses conceitos são importantes para a Teoria Geral do Direito Público e para a Teoria da
Constituição na medida em que ajudam a compreender a visão da ciência e a visão jurídica
inserida em momentos históricos distintos e como essas visões contribuíram para a
construção dos paradigmas atuais do Direito Público e do Direito Constitucional, levando-

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se em consideração as mudanças ocorridas na sociedade advindas de sua complexidade
crescente que exige adaptação dos paradigmas a serem apresentados e implementados pela
sociedade de cada época.

Criticar, construção de novos paradigmas, ser uma meta-teoria da constituiçao. (resposta do
Monitor)

Daniel diz> EU acho que o paradigma científico não condiciona a prática jurídica! O
paradigma científico é diferente do paradigma jurídico justamente por condicionar somente
a sua área de atuação ( ex: paradigma da física quântica para os físicos, paradigma da
matemática tridimensional para os matemáticos). Já o paradigma jurídico é mais abrangente
porque é a visão que toda a sociedade tem do direito ( nisto incluindo a opinião de todos)
A função da Teoria da Constituição é criticar estes paradigmas.

[resposta Edison]

Segundo Thomas Kuhn, paradigmas científicos “são realizações científicas universalmente
reconhecidas que, durante algum tempo, fornecem problemas e soluções modelares para
uma comunidade de praticantes de uma ciência”. O paradigma constitui uma verdadeira
‘atividade modeladora’, anterior e não redutível inteiramente às componentes lógicas, ou
seja, às várias leis, regras e teorias, que podem ser abstraídas e deduzidas delas.

Segundo Jürgen Habermas, um paradigma jurídico explica, com a ajuda de um modelo da
sociedade contemporânea, como devem ser entendidos e tratados os princípios do Estado
de Direito e dos direitos fundamentais, para que possam cumprir, no dado contexto, as
funções que normativamente lhes são atribuídas.

Portanto, as compreensões jurídicas paradigmáticas de uma época, refletidas por ordens
jurídicas concretas, referem-se a imagens implícitas que se tem da própria sociedade.
Assim, um conhecimento de fundo da sociedade da época possibilita a realização e o estudo
da referida comunidade jurídica. [Discutir!]

8 - Caracterize, em linhas gerais, o processo de modernização social do Direito, fazendo
um contra-ponto entre as visões paradigmáticas do Direito pré-moderno e do Direito
moderno.

[resposta Day]

O direito pré-moderno caracterizava-se por possuir uma base estamental, em uma os
direitos, prerrogativas e privilégios concedidos aos membros da sociedades eram de acordo
com o grupo ao qual esse membro pertencia, não havendo nesse direito a figura do
indivíduo e sim a do estamento. Há uma descentralização da produção normativa, com
várias fontes de produção do direito, sendo sua legitimidade atribuída ao passado e
encontra-se amalgamado a questões éticas, morais, religiosas e jurídicas, sendo
compreendido como atemporal, eterno e imutável.

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O direito moderno caracteriza um processo de alteração social que marca a passagem da
pré-modernidade para a modernidade. O direito não mais se organiza sobre a base
estamental como no direito pré-moderno, mas é outorgado aos membros da sociedade
independente do grupo social ao qual ela pertence. Há o surgimento do Estado Moderno e a
ascensão da figura do monarca que tem em seu poder a centralização da produção
normativa em um modelo racionalizado e marcado pela codificação. Esse direito moderno
não possui um conteúdo determinado, e por isso, diferencia-se das outras instâncias
normativas como a ética e moral. É uma instancia autônoma que dialoga com as outras
instancias e preocupa-se predominantemente com a dimensão externa da ação, que trata,
além das questões jurídicas, das questões éticas, pragmáticas e morais não amalgamadas.

Esse processo de modernização social do direito, representado principalmente pela
racionalização do direito e separação das outras fontes de normatização, foi necessário
devido à complexidade crescente da sociedade e o aumento das lutas pelos alargamento dos
direitos,