Exercícios - TC - Unidades 1 e 2
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Exercícios - TC - Unidades 1 e 2

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tendo como principais causas o renascimento urbano e comercial, em que surge a
burguesa e a estrutura estamental não suporta o modelo que se desenvolve; o renascimento
cultural, em que novas ideias surgem e a visão teocêntrica dá lugar à visão antropocêntrica
em que o conceito de indivíduo como pessoa dotada de valor em si mesmo ganha espaço; e
a reforma protestante, em que a Igreja perde o monopólio da fé, desestabilizando as
estruturas de força, tradição e passado. Nesse contexto, grupos sociais plurais aparecem e o
que pode assegurar a integração social é somente o direito moderno que serve como
categoria de mediação social.

[resposta Edison]

Paradigma Pré-moderno do Direito: sociedade estamental, não havendo a figura do
individuo no direito, que se aplica de acordo com a tradição. A punição depende do
estamento do qual a pessoal pertence. As decisões dependem, por exemplo, do local de
nascimento, do conjunto de privilégios que a pessoa possui. Discursos para justificar esse
direito como elemento eterno e imutável. Direito jusnaturalista, com forte fundo religioso.

Direito Pré-moderno: pressupõe forma de organização social; estamental, hierarquizada,
privilégios, prerrogativas são atribuídas em razão do local de nascimento, estrutura de
direito devido em razão do local de nascimento. Amalgama: direito consuetudinário
[costume], canônico, príncipe, reproduziu portanto, um direito natural de base teológica e
um direito positivo.

Paradigma Moderno do Direito: produção centralizada do direito, estado racionalizado,
codificado. Sec. XI – processo mudança social – que vai produzir a modernidade.

Direito Moderno: sociedade diferenciada, subsistemas sociais; positivo, posto, estabelecido,
por deliberação, direito histórico, tendencialmente escrito, sistematizado, modificável, c
alto nível de contingencia.

[Copiar trecho caderno Gabriel]

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Daniel diz> Paradigma pré-moderno do direito: direito com base estamental,. Direito é
entendido como “coisa devida” em razão da classe social; o passado é a base da
legitimidade; direito como eterno/atemporal; direito é extremamente ligado a religião, ética,
moral e política; direito não positivado ( no sentido de centralização no Estado).
Paradigma moderno do direito : direito se torna uma categoria de integração, se diferencia
da ética, moral, política e religião mas não se separa delas ( dialoga com elas, não há mais
um amálgama/coincidência com ellas). Organizado não mais como estamento, mas para os
indivíduos.
Quanto mais centraliza o poder, mais descentraliza a administração pública.
Direito cada vez mais formalizado, direito baseado no presente que se abre para as
perspectivas do futuro ( não se pretende eterno), é instável , contingente e mutável.

9 – Em que sentido os direitos fundamentais foram, mais do que alargados, redefinidos na
passagem do paradigma do Estado Liberal para o paradigma do Estado Social? Em linhas
gerais, reconstrua paradigmaticamente os direitos de liberdade e de igualdade no Estado
Liberal e no Estado Social.

[resposta Day]

Os direitos fundamentais tiveram a interpretação modificada no advento da passagem do
Estado Liberal para o Estado Social.

Ao Estado Liberal caberia a proteção e garantia aos direitos individuais e direitos políticos
específicos, não havendo espaço para os direitos sociais e econômicos. São direitos
individuais em sentido negativo, em que é priorizada a esfera de autonomia privada do
indivíduo, sua liberdade individual sem restrições em que o Estado se abstém de interferir
na economia e na esfera individual dos cidadãos, deixando que o mercado e os indivíduos
se regulem livremente, seguindo a máxima “pode-se fazer tudo o que a lei não proíbe”. A
igualdade era formal em que se considerava a máxima “todos são iguais perante a lei”,
sendo uma máxima geral e abstrata.

No Estado Social, há uma ampliação na interpretação desses direitos. Os direitos
individuais e políticos deixam de ser negativos e passam a exigir uma prestação positiva do
Estado, são, portanto, revistos, reescritos, prevendo mecanismos para que possam ser
exercidos. Surgem os direitos sociais e econômicos em que são garantidos direitos como
educação, emprego, saúde e a economia passa a ser regulada pelo Estado. Neste contexto,
os direitos não são absolutos, sofrendo restrições quanto à garantia do bem comum e o
Estado abandona sua posição abstencionista e passa a atuar positivamente para garantir e
fazer cumprir os direitos fundamentais. A liberdade passa a ser interpretada como a
liberdade de ir e vir, de interferir na economia mas com condições que prezem pelo
interesse coletivo. A igualdade passa de geral e abstrata para fática em que se analisa os
fatos para se definir e restringir a igualdade de alguém.

[resposta Edison]

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No paradigma do Estado Liberal, o Estado reconhece direitos básicos. No nível da esfera
privada, reconhecem-se direitos naturais, vida, liberdade e propriedade. E no nível da esfera
pública, convencionam-se direitos perante o Estado e direitos à comunidade estatal: status
de membro (nacionalidade), igualdade perante a lei, certeza e segurança jurídicas, tutela
jurisdicial, segurança pública, direitos políticos.

Com a crise da sociedade liberal, com o surgimento de um capitalismo monopolista, com o
aumento de demandas sociais e políticas, além da Primeira Guerra Mundial, tem início a
fase do Constitucionalismo Social. Surge um Estado que intervém na economia, através de
ações diretas e indiretas; e visa garantir o capitalismo através de uma proposta de bem-estar
(Welfare State) que implica uma manutenção artificial da livre concorrência e da livre
iniciativa, assim como a compensação das desigualdades sociais através da prestação estatal
de serviços e da concessão de direitos sociais. O cidadão-proprietário do Estado Liberal
passa a ser encarado como o cliente de uma Administração Pública garante de bens e
serviços.

Daniel diz> Comentário na monitoria: As mudanças ocorreram tanto no sentido
quantitativo, quanto no sentido qualitativo, ou seja: houve uma ampliação dos direitos e
também uma mudança na forma de ver este direito. Ex> direito à educação ( antes não
considerado no Estado Liberal e hoje compreendido).

10 - Em que sentido se pode compreender a mediação entre soberania popular e direitos
humanos, bem como a relação entre autonomia pública e autonomia privada, da
perspectiva do paradigma procedimentalista do Estado Democrático de Direito, em
contra-ponto aos paradigmas anteriores, tomando como exemplo as “políticas feministas
de equiparação”?

[resposta Day]

Diante das mazelas que o Estado Social apresentava, precisava-se de um modelo que
superasse o até então existente e que abrangesse o sistema jurídico e a concepção liberal de
democracia. Surge então o paradigma procedimentalista do Estado Democrático de Direito.
Esse modelo não pretende romper com o Estado Social, mas radicalizar os mecanismos
democráticos vigentes para que seja aberta à sociedade meios para intervir de forma
democrática nas políticas públicas, de forma ampliar o exercício e a garantia aos direitos
humanos, dando a oportunidade para se vivenciar a soberania popular, além da conciliação
dos interesses das autonomias pública e privada.

Nesse modelo procedimentalista não há conteúdo pré-determinado, absoluto do direito, em
que são criados procedimentos para ultrapassar a barreira entre o Estado e a sociedade
garantindo sua participação efetiva nas políticas públicas, como os orçamentos
participativos e audiências públicas, por exemplo. O direito é considerado como um
conteúdo aberto que depende de um processo jurídico e político em que, no caso concreto,
é que se definirá o