Exercícios - TC - Unidades 1 e 2
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Exercícios - TC - Unidades 1 e 2

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seu conteúdo, fazendo com que não se sustentasse a teoria das gerações
dos direitos fundamentais até então formulada. O direito, assim, fornece um conteúdo

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mínimo, estabelecido por um consenso mais ou menos estabelecido que possibilita a
oportunidade de construção de seu conteúdo definitivo no caso concreto, conciliando-se o
instituto da soberania popular com os direitos humanos.

O desafio é construir o conteúdo do direito que vá garantir os direitos fundamentais a todos,
tendo em vista a grande diversidade de grupos que se encontram na sociedade, como as
políticas femininas de equiparação. As diferenças, bem como a autonomia pública e privada
devem ser respeitadas, tem que haver a deliberação, participação da sociedade para que o
direito deve se adequar às diferenças de forma a resolver os conflitos de forma mais
igualitária possível, atendendo aos interesses da sociedade. Tendo em vista essa
complexidade cada vez maior, o direito deve ser flexibilizado, relativizado nesse contexto
em que não cabe um modelo pré-estabelecido com a pretensão de resolução de todos os
conflitos.

[resposta Edison]

Segundo Habermas, o paradigma procedimentalista do direito procura proteger, antes de
tudo, as condições do procedimento democrático. Este apego, por assim dizer, ao
procedimento democrático implica que a qualquer momento um determinado tema poderá
ser debatido na esfera pública política. Isto pressupõe, porém, o acatamento da opinião
pública, tanto por parte de um parlamento quanto por parte da administração.

Para Habermas, não é de se espantar que as teorias jusnaturalistas modernas tenham dado
uma dupla resposta às questões de legitimação, por um lado, pela alusão ao princípio da
soberania popular e ao reconhecimento de direitos à comunicação e à participação que
asseguram a autonomia pública dos cidadãos, e, por outro, pela referência ao domínio das
leis, garantido pelos direitos humanos ou direitos fundamentais clássicos que garantem a
autonomia privada dos membros da sociedade civil. Assim, o Direito legitima-se como um
meio para a garantia equânime da autonomia pública e da autonomia privada.

A partir das políticas feministas de equiparação é possível demonstrar, segundo Habermas,
que a política do Direito oscila desamparadamente entre o paradigma liberal e o social, e
isso perdurará enquanto ela continuar limitada à garantia da autonomia privada e enquanto
se continuar ofuscando a relação interna entre autonomia privada e autonomia pública:
“Pois os sujeitos privados só podem chegar ao gozo de liberdades subjetivas, se eles
mesmos, no exercício de sua autonomia de cidadãos do Estado, tiverem clareza quanto aos
interesses e parâmetros justos e puserem-se de acordo quanto a aspectos relevantes sob os
quais se deve tratar com igualdade o que é igual, e com desigualdade o que é desigual”.

O paradigma liberal, ao garantir à mulher igualdade de chances, evidenciou o tratamento
desigual que de fato se destina às mulheres. Por outro lado, o paradigma social, com a
criação de diversos direitos dirigidos às mulheres (regulamentação da gravidez, da
maternidade, etc), criou novas situações de discriminação e desigualdade (salários mais
baixos). Segundo Habermas, a almejada compensação de danos acaba se convertendo em
nova discriminação, ou seja, a garantia de liberdade converte-se em privação de liberdade.

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“Em lugar da controvérsia sobre ser melhor assegurar a autonomia das pessoas do direito
por meio de liberdades individuais para haver concorrência entre os indivíduos em
particular ou então mediante reivindicações de benefícios outorgadas a clientes de um
Estado de bem-estar social, surge agora uma concepção jurídica procedimentalista, segundo
a qual o processo democrático precisa assegurar ao mesmo tempo a autonomia privada e a
pública: os direitos subjetivos, cuja tarefa é garantir às mulheres um delineamento
autônomo e privado para suas próprias vidas, não podem ser formulados de modo adequado
sem que os próprios envolvidos articulem e fundamentem os aspectos relevantes para o
tratamento igual ou desigual em casos típicos. Só se garante autonomia privada em
igualdade de direitos quanto isso se dá em conjunto com a intensificação da autonomia civil
no âmbito do Estado.”

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BIBLIOGRAFIA (Unidades 1 e 2)

CARVALHO NETTO, Menelick de. “A hermenêutica constitucional sob o paradigma do
Estado Democrático de Direito” In: CATTONI, Marcelo (coord.) Jurisdição e
hermenêutica constitucional no Estado Democrático de Direito. Belo Horizonte:
Mandamentos, 2004, pp.25-44.

CATTONI, Marcelo. Direito Constitucional. BH: Mandamentos, 2002, cap. 1 e 2, p.25-74.

CATTONI, Marcelo. “Coesão interna entre Estado de Direito e democracia na Teoria
Discursiva do Direito, de Jürgen Habermas” In: CATTONI, Marcelo (coord.) Jurisdição e
hermenêutica constitucional no Estado Democrático de Direito. Belo Horizonte:
Mandamentos, 2004, pp.171-188.

CATTONI, Marcelo. “Para uma teoria do direito como teoria discursiva da constituição:
Uma reconstrução da teoria do direito à luz de uma justificação pós-metafísica da filosofia
do direito como filosofia do direito constitucional no marco da teoria do discurso de Jürgen
Habermas” In: CATTONI, Marcelo. Direito, política e filosofia. Rio de Janeiro: Lumen
Juris, 2007, pp. 136-153.

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