CCJ0006-WL-PA-08-Direito Civil I-Novo-15837
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fotos do corpo de Júlia que foram tiradas durante a perícia, no local do crime, totalmente desfigurada e parcialmente nua.  
Pergunta-se : Maria pode pleitear dano moral ? Em caso positivo, a que título ? Em caso negativo, por quê? Justifique sua resposta. 
  
  
Dano moral. Negativação do nome de pessoa falecida. Indenização pleiteada pela mãe. Impossibilidade. Dano moral punitivo. Indenização por práticas abusivas. Admissibilidade. Se o dano moral é a violação 
de um bem integrante da personalidade, e esta extingue-se com a morte, ninguém pode ser sujeito passivo de dano moral depois do falecimento. Assim, não tem a mãe legitimidade para pleitear indenização 
por dano moral, nem como sucessora, pela negativação do nome do filho efetivada depois do seu falecimento. Admite -se, entretanto, indenização com caráter punitivo pelo dano moral para reprimir práticas 
abusivas, como sanção adequada ao abuso do direito. A ré levou quase seis meses para cancelar a linha telefônica, cessar as cobranças indevidas, e ainda negativou, nesse período, o nome do filho da 
autora, mesmo depois do seu falecimento. É dever das empresas que fornecem bens e serviços estruturarem-se adequadamente para tratarem com respeito e dignidade o público em geral. Reforma parcial 
da sentença.  
 Ementário: 04/2008 - N. 9 - 31/01/2008 
  
QUESTÃO OBJETIVA  
Assinale a opção correta. 
A) Tanto o Código Civil de 1916 como o novo Código Civil disciplinam os direitos da personalidade. 
B) O caráter extrapatrimonial dos direitos da personalidade significa que é juridicamente impossível requerer indenização em face de sua violação. 
C) De acordo com o novo Código Civil, salvo o caso de exceções legais, os direitos da personalidade são intransmissíveis e irrenunciáveis, não podendo o seu exercício sofrer limitação voluntária. 
D) Conforme disciplina do novo Código Civil, o pseudônimo, mesmo adotado para atividades lícitas, não goza da proteção que se dá ao nome. 
Plano de Aula: 4 - Direito Civil I
DIREITO CIVIL I 
Estácio de Sá Página 3 / 5
Título 
4 - Direito Civil I 
Número de Aulas por Semana 
 
Número de Semana de Aula 
4 
Tema 
DIREITOS DA PERSONALIDADE 
Objetivos 
·         Discorrer sobre as diversas teorias a respeito dos direitos da personalidade. 
·         Demarcar as posições doutrinárias divergentes quanto à existência de uma cláusula geral de personalidade no direito pátrio e 
comparado. 
·         Introduzir o entendimento da classificação dos diversos direitos da personalidade no Código Civil Brasileiro. 
·         Demarcar a normatização dos direitos da personalidade na Constituição Federal de 1988.        
Estrutura do Conteúdo 
1 DIREITOS DA PERSONALIDADE 
1.1 Teorias dos direitos da personalidade; 
1.2 O direito geral de personalidade; 
1.3 Direitos de personalidade na constituição Federal de 1988\u37e  
1.4 Direitos de personalidade  no Código Civil Brasileiro. 
  
A título de contributo, segue abaixo texto do doutrinador portugues. J. Oliveira Ascensão, em palestra proferida aqui no Brasil, a respeito dos 
direitos da personalidade: 
OS DIREITOS DE PERSONALIDADE NO CÓDIGO CIVIL BRASILEIRO 
Prof. Doutor J. Oliveira Ascensão 
SUMÁRIO:  
1. O Código Civil e a pessoa; 2. A ausência de previsão dos direitos de personalidade; 3. A explicação pelos antecedentes;4. A evolução posterior; 5. A 
dis\u19fnção entre direitos fundamentais e direitos de personalidade;6. A ambiguidade da mul\u19fplicação dos direitos fundamentais; 7. Direitos da 
personalidade e direitos pessoais; 8. O regime dos direitos de personalidade; 9. O fundamento é\u19fco indeclinável; 10. Direito da personalidade e direito 
dos egoísmos individuais. 
1. O Código Civil e a pessoa 
  
 Reunimo -nos aqui para homenagear este monumento que é o Código Civil brasileiro. Marcou profundamente este século. Marcou -o mesmo 
totalmente, desde a sua preparação até à provável vigência no de albar de 2000.É um monumento na sua estruturação cien\u1a1\ufb01ca, só possível pelo alto 
nível que a doutrina civilís\u19fca brasileira a\u19fngiu no século passado; só isso permi\u19fu um diploma desta envergadura. Porque um Código Civil representa 
sempre um espelho muito \ufb01el da ciência jurídica dum povo. 
O Código estrutura -se em grandes categorias cien\u1a1\ufb01cas, logo visíveis no art. 1.º \u2013 quando refere as pessoas, os bens e as situações 
jurídicas.Não é di\u130cil encontrar aqui manifestação da tripar\u19fção de Gaio, nas suas Ins\u19ftu\u19fones, em pessoas, coisas e acções.Começa pelas pessoas 
(arts. 2 e seguintes). O que não pode deixar de ser sublinhado, porque a pessoa é simultaneamente:\u2013 o fim do direito\u2013 o fundamento da personalidade 
jurídica\u2013 o sujeito das situações jurídicas.O Código Civil preocupa -se particularmente com o terceiro aspecto: a pessoa que funciona como sujeito das 
situações jurídicas.Mas isto não signi\ufb01ca que o Código Civil não manifeste sensibilidade à pessoa ontológica.Isso revela-se nomeadamente no art. 4, no 
que respeita ao nascituro.Nesta matéria, como em várias outras, o Código Civil brasileiro poderia encontrar modelos no Código Civil alemão de 1900 e no 
Código Civil português de 1867.O BGB proclama secamente, no seu § 1º: \u201cA capacidade jurídica do homem começa com o nascimento completo\u201d.O art. 6 
do Código Civil português de 1867 era do seguinte teor:\u201cA capacidade jurídica adquire-se pelo nascimento; mas o indivíduo , logo queé procriado, \ufb01ca 
debaixo da protecção da lei; e tem-se por nascido para os efeitos declarados no presente Código\u201d. 
O Código Civil brasileiro vai além, mesmo do Código Civil português: declara que \u201ca lei põe a salvo desde a concepção os direitos do 
nascituro\u201d. A\ufb01rmando direitos, a\ufb01rma a personalidade ontológica do embrião,pois só desta maneira lhe poderá reconhecer direitos.Seguindo por esta via, 
e tendo presente a noção ontológica de pessoa que não pode deixar de subjazer à lei, procuremos então determinar os direitos que o Código Civil 
reconhece à pessoa, fundado justamente na sua dignidade de pessoa. Porque o art. 1.º se propõe regular os direitos e obrigações de ordem privada 
rela\u19fvos às pessoas. 
2. A ausência de previsão dos direitos de personalidade 
 Estariam em causa, antes de mais, os direitos de personalidade. Mas, se os procurarmos, a nossa busca será vã.Nem nos arts. 2 a 12, 
rela\u19fvos às pessoas naturais, nem em qualquer outro lugar encontramos previstos os direitos de personalidade.A nossa surpresa ainda aumenta se 
consultarmos as obras civilís\u19fcas brasileiras de carácter geral. Os direitos de personalidade não vêm sequer referidos, normalmente.Signi\ufb01cará isto que 
a categoria dos direitos de personalidade era desconhecida, no início do século?Sabemos que não. A elaboração dos direitos naturais fora levada a fundo 
pelo jusracionalismo, par\u19fcularmente no séc. XVIII, e \u19fvera o seu triunfo histórico no séc. XIX. No meio de muitas variantes possíveis, a \ufb01gurados 
\u201cdireitos do homem \u201d  era bem conhecida.Esta manifestara -se historicamente antes de mais nas grandes Declarações de Direitos, que tanto haviam 
in\ufb02uenciado a história jurídica do séc. XIX.Seria então a categoria desconhecida das codi\ufb01cações civis?De novo, vamos tomar como termos de 
comparação o BGB e o Código Civil português de 1867.O BGB desconhece a \ufb01gura dos direitos de personalidade: não os regula.Não surpreende que 
assim aconteça. A situação imperial germânica não era favorável à germinação desta \ufb01gura. Por isso o BGB é um instrumento técnico de al\u1a1ssimo nível 
mas que evita afrontar essa problemá\u19fca. Em consequência, o Projecto brasileiro, que tanto se inspirou no Código alemão, não encontrou aí um 
precedente favorável a uma disciplina global da situação da pessoa humana.Todavia, há no BGB um elemento de par\u19fcular importância: o§ 823 I, rela\u19fvo 
à responsabilidade civil. Aí se indicam os quatro bens pessoais cuja lesão implica o ressarcimento dos danos causados:\u2013 a vida\u2013 o corpo\u2013 a saúde\u2013 a 
liberdade.Esta previsão foi fundamental para o desenvolvimento posterior dos direitos de personalidade nesse país, como veremos. 
Outra