CCJ0006-WL-PA-08-Direito Civil I-Novo-15837
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CCJ0006-WL-PA-08-Direito Civil I-Novo-15837


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acaba assim por se tornar mera capa dos egoísmo sindividuais. Passaria à frente de qualquer noção de solidariedade, jus\u19f\ufb01cando 
toda a recusa egoísta de par\u19fcipar no diálogo social ou de atender ao outro. 
A transformação do direito de personalidade numa grandeza meramente nega\u19fva descaracteriza-o. O elemento personalís\u19fco perdeu-
se.Espelha a sociedade desumanizada que se generaliza e a de\ufb01nição do outro como o inimigo; mas está nos an\u1a1podas do sen\u19fdo é\u19fco do Direito da 
Personalidade.Contra esta adulteração, é tarefa indispensável trabalhar o núcleo fundamental do Direito de Personalidade, e de pessoa humana que está 
na sua base. Todos aceitam o fundamento da sociedade na \u201cdignidade de pesso ahumana (art. 1 III da Cons\u19ftuição). Mas é necessário \u19frar 
consequências dessa a\ufb01rmação.Só o Direito Civil está em condições de consagrar e desenvolver este núcleo fundamental de todo o Direito. O Código 
Civil é o lugar ideal para o fazer.O actual Código Civil correspondeu à sua época. Mas um novo Código terá de ir além. Terá de receber a sua lição e 
projectá-la para futuro.A deturpação dos direitos da personalidade toma muitas formas.Antes, era uma a\u19ftude condenável a ingerência nos assuntos 
internos doutro país. Hoje, a\u19fngem-se exactamente os mesmos objectivos coma capa de defesa dos direitos humanos. Os direitos humanos 
transformam -se assim numa espécie de arma de arremesso. Mas a preocupação que exprimem nada tem que ver na realidade com a defesa da 
personalidade.Também, por invocação dos direitos da personalidade,proíbem -se referências laudatórias do nome ou da imagem alheias com \ufb01nalidades 
publicitárias. Mas uma referência laudatória em nada a\u19fnge a personalidade. Os direitos humanos são aqui invocados como maneira de fazer dinheiro. 
Pode a regra que o estabeleça ser jus\u19f\ufb01cada: não é isso que está em causa. Não tem é nada que ver com os direitos humanos.Perante tudo isto, há que 
voltar ao essencial. A grande descoberta exprime-se facilmente: os direitos da personalidade são, simplesmente, os direitos da Pessoa. 
Belo Horizonte, 30.X.97 
Referências bibliográficas: 
Nome do livro: Direito Civil Brasileiro Vol.1 - ISBN. 8502075330 
Nome do autor: GONÇALVES, Carlos Roberto. 
Editora: Rio de Janeiro: Saraiva 
Ano: 2009. 
Edição: 7a. ed. 
Nome do capítulo: Capítulo 04 \u2013   Das Pessoas II 
N. de páginas do capítulo: 23 
Aplicação Prática Teórica 
CASO CONCRETO 1 
Um jogador de futebol famoso teve sua fotografia publicada em revista especializada em fofocas. Em verdade, o conteúdo da revista nada desabonava a vida privada do referido jogador, mencionado apenas 
fatos públicos corriqueiros. No entanto, o esportista sentiu seu direito agredido porque não autorizara a publicação de sua foto. Ingressou o jogador com um pedido de indenização.  
1)            Neste caso, enxerga -se, de fato, violação ao direito da personalidade passível de gerar indenização? Justifique. 
2)            Na hipótese pode-se afirmar que houve lesão a honra da pessoa?  
3)            Há necessidade de prova de aproveitamento econômico, por parte da revista, para ensejar algum tipo de indenização? 
  
CASO CONCRETO 2 
Júlia Cibilis é uma famosa atriz que foi violentamente assassinada no ano de 2000, deixando como herdeira apenas sua mãe, Maria Cibilis. Um ano depois do falecimento, jornal de grande circulação publica 
fotos do corpo de Júlia que foram tiradas durante a perícia, no local do crime, totalmente desfigurada e parcialmente nua.  
Pergunta-se : Maria pode pleitear dano moral ? Em caso positivo, a que título ? Em caso negativo, por quê? Justifique sua resposta. 
  
  
Dano moral. Negativação do nome de pessoa falecida. Indenização pleiteada pela mãe. Impossibilidade. Dano moral punitivo. Indenização por práticas abusivas. Admissibilidade. Se o dano moral é a violação 
de um bem integrante da personalidade, e esta extingue-se com a morte, ninguém pode ser sujeito passivo de dano moral depois do falecimento. Assim, não tem a mãe legitimidade para pleitear indenização 
por dano moral, nem como sucessora, pela negativação do nome do filho efetivada depois do seu falecimento. Admite -se, entretanto, indenização com caráter punitivo pelo dano moral para reprimir práticas 
abusivas, como sanção adequada ao abuso do direito. A ré levou quase seis meses para cancelar a linha telefônica, cessar as cobranças indevidas, e ainda negativou, nesse período, o nome do filho da 
autora, mesmo depois do seu falecimento. É dever das empresas que fornecem bens e serviços estruturarem-se adequadamente para tratarem com respeito e dignidade o público em geral. Reforma parcial 
da sentença.  
 Ementário: 04/2008 - N. 9 - 31/01/2008 
  
QUESTÃO OBJETIVA  
Assinale a opção correta. 
A) Tanto o Código Civil de 1916 como o novo Código Civil disciplinam os direitos da personalidade. 
B) O caráter extrapatrimonial dos direitos da personalidade significa que é juridicamente impossível requerer indenização em face de sua violação. 
C) De acordo com o novo Código Civil, salvo o caso de exceções legais, os direitos da personalidade são intransmissíveis e irrenunciáveis, não podendo o seu exercício sofrer limitação voluntária. 
D) Conforme disciplina do novo Código Civil, o pseudônimo, mesmo adotado para atividades lícitas, não goza da proteção que se dá ao nome. 
Plano de Aula: 4 - Direito Civil I
DIREITO CIVIL I 
Estácio de Sá Página 4 / 5
Título 
4 - Direito Civil I 
Número de Aulas por Semana 
 
Número de Semana de Aula 
4 
Tema 
DIREITOS DA PERSONALIDADE 
Objetivos 
·         Discorrer sobre as diversas teorias a respeito dos direitos da personalidade. 
·         Demarcar as posições doutrinárias divergentes quanto à existência de uma cláusula geral de personalidade no direito pátrio e 
comparado. 
·         Introduzir o entendimento da classificação dos diversos direitos da personalidade no Código Civil Brasileiro. 
·         Demarcar a normatização dos direitos da personalidade na Constituição Federal de 1988.        
Estrutura do Conteúdo 
1 DIREITOS DA PERSONALIDADE 
1.1 Teorias dos direitos da personalidade; 
1.2 O direito geral de personalidade; 
1.3 Direitos de personalidade na constituição Federal de 1988\u37e  
1.4 Direitos de personalidade  no Código Civil Brasileiro. 
  
A título de contributo, segue abaixo texto do doutrinador portugues. J. Oliveira Ascensão, em palestra proferida aqui no Brasil, a respeito dos 
direitos da personalidade: 
OS DIREITOS DE PERSONALIDADE NO CÓDIGO CIVIL BRASILEIRO 
Prof. Doutor J. Oliveira Ascensão 
SUMÁRIO:  
1. O Código Civil e a pessoa; 2. A ausência de previsão dos direitos de personalidade; 3. A explicação pelos antecedentes;4. A evolução posterior; 5. A 
dis\u19fnção entre direitos fundamentais e direitos de personalidade;6. A ambiguidade da mul\u19fplicação dos direitos fundamentais; 7. Direitos da 
personalidade e direitos pessoais; 8. O regime dos direitos de personalidade; 9. O fundamento é\u19fco indeclinável; 10. Direito da personalidade e direito 
dos egoísmos individuais. 
1. O Código Civil e a pessoa 
  
 Reunimo -nos aqui para homenagear este monumento que é o Código Civil brasileiro. Marcou profundamente este século. Marcou -o mesmo 
totalmente, desde a sua preparação até à provável vigência no de albar de 2000.É um monumento na sua estruturação cien\u1a1\ufb01ca, só possível pelo alto 
nível que a doutrina civilís\u19fca brasileira a\u19fngiu no século passado; só isso permi\u19fu um diploma desta envergadura. Porque um Código Civil representa 
sempre um espelho muito \ufb01el da ciência jurídica dum povo. 
O Código estrutura -se em grandes categorias cien\u1a1\ufb01cas, logo visíveis no art. 1.º \u2013 quando refere as pessoas, os bens e as situações 
jurídicas.Não é di\u130cil encontrar aqui manifestação da tripar\u19fção de Gaio, nas suas Ins\u19ftu\u19fones, em pessoas, coisas e acções.Começa pelas pessoas 
(arts. 2 e seguintes). O que não pode deixar de ser sublinhado, porque a pessoa é simultaneamente:\u2013 o fim do direito\u2013 o fundamento da personalidade 
jurídica\u2013 o sujeito